
Na primeira vez que ouvi falar sobre Armário Cápsula (capsule wardrobe), foi quando ainda tinha o blog Vida Minimalista. Achei a ideia super legal, mas não muito viável pra mim, já que estou em constante mudança, principalmente com minhas roupas. Ora gosto de calçar meu All-Star com minha camisa xadrez, ora estou com uma saia esvoaçante e tem momentos que me visto apenas com uma legging, sapatilha e blusa, pronta pra praticar yoga se pintar uma oportunidade.
Pra falar a verdade, sempre senti uma certa indefinição quanto ao estilo de me vestir, mas uma coisa é certa: não sou perua. Nem tampouco consumista. Roupas que esbanjam uma etiqueta famosa não me atraem, ao menos que eu realmente goste muito e estejam à venda por um valor que eu possa pagar. Cresci em uma família na qual aprendi desde cedo a valorizar o dinheiro que ganho, e reflito bastante antes de levar peças de roupas até o caixa para pagá-las.
No entanto, com essa minha indefinição de estilo – ou talvez ser indefinida seja o meu estilo! – me faz ter peças de roupas de diferentes estilos, que na maioria das vezes não combinam muito bem entre si. Mesmo tendo um guarda-roupas cheio, volta e meia me vejo sem opção do que vestir, apenas porque uma peça coringa está pra lavar e com o que tenho disponível não dá pra fazer muitas combinações.
Há dois livros que gosto bastante que me fizeram encarar o estilo pessoal de me vestir com outros olhos. Um deles é o Vista Quem Você é, das meninas do blog Oficina de Estilo. Cris Zanetti e Fê Resende são consultoras de estilo pessoal e dão várias dicas, tanto em seus blogs quanto no livro, que me fez repensar o que eu estava comprando, se realmente combinava comigo.
O outro livro se chama Madame Charme, e tem resenha aqui no blog. Conta a história (real) da Jennifer Scott, uma americana que ao passar meses em Paris, viveu na casa de uma família super tradicional e aprendeu demais sobre estilo pessoal. Em ambos os livros, a mensagem maior é que menos também é mais no caso de roupas, e que não precisamos entulhar nosso guarda-roupas para ficarmos elegantes e comunicar quem somos através do que vestimos.
A ideia de ter um guarda-roupas reduzido até me chamou a atenção, e os posts sobre declutter no armário aqui no blog não me deixam mentir. No entanto, a questão não é apenas doar tudo aquilo que não usamos e manter uma quantidade mínima viável, mas saber o que manter e também o que adquirir para que possa haver uma maior possibilidade de combinações. Às vezes, uma única peça comprada pode ser a chave para várias combinações diferentes que talvez não seria possível com o que temos em casa. E é muito importante que, ao comprarmos algo, estejamos atentos à qualidade. Afinal, de nada adianta pagarmos baratinho por uma peça que durará apenas algumas lavagens. Mas também temos que ficar atentos se aquele preço um pouco maior vem realmente da qualidade da peça, ou apenas de uma etiqueta famosa colada.
Capsule Wardrobe
O conceito de armário-cápsula surgiu com Titta Aguiar em seu livro “Personal Stylist – Guia para Consultores de Imagem” e foi popularizado pela blogueira Caroline Rector, do blog Unfancy. Ao desapegar do máximo viável, Caroline chegou a um número de 37 peças, que seria seu número ideal. Grifo esta parte pelo motivo de que cada um tem suas necessidades, e uma das coisas que me chateavam no minimalismo é direcionar nossa energia em números e se preocupar apenas com a quantidade de peças. Vale, então, ressaltar que cada indivíduo é um indivíduo com suas próprias características e necessidades, e que todo este processo de minimalizar um guarda-roupa está muito mais relacionado à praticidade, desapego e autoconhecimento.

“Um armário cápsula representa mais tempo + mais dinheiro + mais energia para coisas na vida que realmente importam.” #unfancy
Mas não foi apenas a blogueira Caroline Rector que me inspirou a tentar criar um armário cápsula. Já faz um tempinho que venho acompanhando a Gabi, do blog Teoria Criativa, que também resolveu encarar o desafio de reduzir seu guarda-roupas e até criou um grupo no Facebook chamado Em busca de um armário-cápsula para debater sobre o assunto. E depois de navegar pelas dicas no grupo, levantei-me empolgada e comecei a minha arrumação.
Meu armário
Mesmo tendo feito um super declutter no meu guarda-roupa, ainda mantenho peças de roupas que gosto bastante. Depois da última organização seguindo as dicas do livro A Mágica da Arrumação, da Marie Kondo (tem resenha aqui no blog), desapeguei de muitas peças, mas ainda mantive aquelas que amava. Porém, amar uma roupa e não usá-la não faz muito sentido, e por este e outros motivos decidi arriscar fazer um armário-cápsula pra usar bastante roupas que eram boas, mas que estavam guardadas no fundo da gaveta, ou tirar de circulação aquelas que estavam destoando um pouco do restante das roupas.
Primeiro passo
O primeiro passo que dei foi abrir as gavetas e retirar todas as peças que tinha. Coloquei sobre a cama minhas blusas, vestidos, calças, saias e casacos, ou seja, fiz uma pilha enorme. Aproveitei para limpar as gavetas e usar minha essência de lavanda para receber as peças que voltariam.


Aproveitei também para fazer a troca dos cabides. Ano passado comprei cabides de ferro para padronizar, mas nem cheguei a completar todos e já me alertaram que a durabilidade não era tão boa quanto um de madeira. Parei de investir em cabides nesse material e comecei a comprar, aos poucos, cabides de madeira para um dia, organizar meu guarda-roupas. Este dia chegou! 😀

Separei minhas camisas em pilhas sobre a cama, e fui percebendo que tenho uma grande quantidade de peças nas cores branca, preta e cinza. Também reparei que tenho muitos vestidos, mas que raramente os uso. A proporção de vestidos e saias para calças e camisas é completamente desproporcional! Sempre penso em ter boas roupas de sair, mas sou uma pessoa extremamente caseira, o que significa que eu deveria ter mais roupas para o dia-a-dia (faculdade + trabalho) do que roupas para festas e eventos.

Após fazer toda a triagem e separar as peças que estavam em boas condições das que não estavam tão boas para continuar usando, fui pendurando nos cabides novos os vestidos, camisas, saias e calças que pretendo usar.
É importante fazer uma observação: a ideia de ter um armário cápsula é de que as roupas selecionadas para uso sejam para uma determinada estação, ou seja, uma quantidade X de roupas que serão usadas por 3 meses. No entanto, ainda não consegui definir bem o tempo que as usarei, já que aqui no Rio de Janeiro não temos estações bem definidas, além do tempo ser um pouco louco. Em um dia temos aquele sol de bronzear na praia e no outro a temperatura cai e chove o dia inteiro. Seria mais fácil se tivéssemos as estações do ano mais definidas, mas como não temos, meu armário-cápsula será um tanto experimental.

Consegui finalizar a organização inicial para um número legal de roupas que tentarei usar. Na ideia original, se contam as roupas e sapatos, e se deixam de fora as roupas de dormir, de ginástica e acessórios. No meu caso não cheguei a mexer nos sapatos nem nas roupas de ginástica, deixarei para uma outra etapa. Mas já adianto que agora consigo ter uma noção mais clara do que tenho para uso e de algumas peças que pretendo comprar para aumentar o número de combinações entre o que já tenho, como adquirir mais uma legging preta (dou aulas de yoga, preciso de calças confortáveis), um short bege e mais um jeans.
Como o post já está ficando bem grandinho, vou deixar para falar mais sobre o assunto conforme for organizando ainda mais meu armário-cápsula. Enquanto isso vou pensando e repensando sobre o que tenho, se manterei ou removerei alguma peça, ou seja, é um processo que no meu caso não dá pra ser feito do dia pra noite.
Considerações
- Não separei nenhuma roupa para doar. Já havia feito um super declutter anteriormente e pretendo fazer ajustes ainda no meu armário, o que significa que posso pegar uma roupa que estava guardada para usá-la ou vice-versa. Estou em “período de adaptação“, se isso existe. 😛
- As roupas que não pretendo usar coloquei em outra parte do guarda-roupas. É lá que guardo meus casacos de frio, sobretudos e vestidos de festa.
- Ainda estou descobrindo qual cartela de cores combina mais comigo, mas já tenho uma ideia que ter cores neutras e pontos de cores é a melhor opção. No meu caso, adoro o rosa antigo (primeira camisa na foto acima) e me sinto muito bem com esta cor. Quero evitar ter tudo muito colorido.
- Não estou fazendo um armário limitado a uma única estação, mas sei que quando o verão chegar, precisarei mudar muitas peças. Se aqui no Rio de Janeiro tivemos quase 40ºC no inverno, não quero imaginar como será a temperatura no verão.
- É importante repetir: cada um tem suas necessidades. Estabelecer um número de itens pode parecer desafiador, contanto que não cause estresse. O importante é o autoconhecimento que temos durante o processo do desapego e também por conhecermos melhor nossa própria personalidade e como nos comunicamos ao mundo.
- Ainda não concluí meu armário-cápsula, mas consegui dar o meu primeiro passo. 🙂
Agora quero saber de vocês: quem já experimentou ter um armário-cápsula? Deixem aqui suas dicas e ideias sobre o assunto! E se gostaram do post, ficaria muito feliz se compartilhassem em suas redes-sociais. <3