Inspiração

O inverno, os eclipses e o esvaziamento necessário

09/08/2017

O inverno, os eclipses e o esvaziamento necessário | Camile Carvalho

Não sei se é por influência dos eclipses que estamos observando ultimamente, ou se por causa do inverno – talvez os dois motivos, mas tenho percebido o quanto estou fervilhando por dentro. Após um período de reclusão intenso no qual passei um pouco mais de uma semana sem ânimo, como se estivesse faltando energia, assim que o sol voltou veio com ele a energia de expansão.

Olhei ao meu redor e percebi a bagunça na qual estava inserida. Fiz o declutter mais desafiador das minhas roupas até hoje, mantendo menos da metade do que eu tinha. Desapeguei sem dó, doei, como num impulso de tentar me encontrar naquilo que permaneceu diante dos meus olhos quando abro meu guarda-roupas. Foi uma catarse lidar com todas aquelas emoções que ressurgiram das cinzas, da minha profundeza.

Quando tiramos as coisas do lugar é inevitável: revivemos situações, relembramos de pessoas, momentos bons e ruins, mas o que devemos fazer é apenas sorrir, agradecer por tudo que passamos e seguir em frente. E eu segui.

Meu quarto – extremamente indiano – passou por uma reconfiguração: lençóis neutros, colcha de cama em tom pastel, bancada de estudos livre de qualquer objeto sobre ela. Enfeites, elefantes, velas, incensos, cristais, tudo foi reduzido ao mínimo no meu ambiente. Guardei com carinho em caixas, reorganizei as prateleiras, e enfim, sentei-me sobre meu tapetinho de yoga e apenas respirei. Respirei aliviada por não ter mais distrações. Aliviada por finalmente sentir aquele vazio bom, aquela sensação de página em branco.

Muitas vezes, quando estamos cheios demais, é necessário esvaziarmos. Quem sou? Qual meu estilo? Do que realmente gosto? Como podemos saber se estamos cheios de tantas certezas que transbordam e não permitem olharmos para dentro?

Esvaziar-se é uma dádiva.

O sol devagar volta a aparecer. A temperatura esquenta, pessoas caminham pelas ruas, minhas aulas de yoga ficam mais energéticas. Minha disposição aumenta e aos poucos, meus cristais voltam a enfeitar as prateleiras. Apenas um ou outro que gosto. Acendo um incenso, estendo meu tapetinho de yoga e com olhos fechados, deixo meu corpo fluir nos movimentos. Uma prática leve, fluida, seguida de uma linda meditação. 20 minutos passam voando e logo sou interrompida pelo timer me avisando que é hora de encerrá-la.

Os pássaros cantam me despertando e vou me reconstruindo, ocupando aquele vazio pouco a pouco apenas com o que amo no momento. Apenas com quem quero ser daqui em diante.

Muitas mudanças, transformações intensas e dolorosas, rompimentos com certezas e a vontade de me recriar. Não preciso de tudo isso que ainda carrego nas costas. Minha mochila ainda pesa, ainda tenho muito a deixar pelo caminho. Mas a cada passo que dou, vou avaliando o que permanecerá comigo nessa jornada, e o que fará parte apenas da minha história.

O que você anda carregando na sua mochila da vida? Será que precisa mesmo carregar todo este peso?

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Minha biblioteca pessoal e o desapego dos livros

21/07/2017

Após o declutter das minhas roupas, foi a vez de encarar, enfim, meus livros. Não me considero uma compradora compulsiva de livros, mas de fato compro mais do que leio. Alguns por empolgação do momento, outros por causa de alguma promoção, e o conselho que sempre dou em relação às roupas, nem sempre as sigo quando se trata de livros.

E não é só com papel que tenho esse apego (ou seria acúmulo?), já que passando os olhos pelo meu Kindle pude perceber o quanto também tenho de títulos aguardando um dia serem lidos, mas que tenho a certeza de que jamais abrirei a primeira página.

Pra falar a verdade, meu desapego começou pelos livros digitais. Claro, é muito mais fácil sair deletando arquivos, pois sabemos que de uma forma ou de outra sempre podemos encontrá-lo novamente pela rede, pelo computador ou – o que é melhor – quando compramos uma edição pela Amazon, ela fica ali, guardadinha “para sempre”.

Não tive dó de excluir os arquivos e prometi a mim mesma que só adicionaria novos títulos caso eu realmente fosse ler.

Agora, em relação aos livros físicos, aí que vem o problema…

Sim, sou apegada aos livros. Lembro-me de uma época por volta dos anos 2000 em que eu não tinha lá muitos livros em casa. Claro, aqueles da escola, da faculdade, eu até os mantinha guardados, mas ir a uma livraria e voltar com uma sacolinha era muito, muito raro.

Até que em 2008 eu fui morar em São Paulo. Um novo mundo se abriu quando, além de conhecer um amigo intelectual com quem eu dividia a casa e que me incentivou a fazer leituras acadêmicas, eu estava na terra da garoa, ou melhor, da Livraria Cultura da Avenida Paulista. Ali começou minha verdadeira história com os livros…

Passei a ler mais, a ler de tudo um pouco. De ensaios a poesia, de autoajuda a sânscrito, e com isso minha biblioteca foi aumentando. De volta ao Rio de Janeiro e a facilidade de comprar online, minhas prateleiras ficaram pequenas, e a cada promoção, logo o porteiro tocava a campainha para entregar mais uma caixinha. E assim tornei-me uma compradora de livros, diferente de leitora.

Meu gosto foi mudando, alguns livros já não combinavam mais comigo, mas ainda assim eu os mantinha na estante. Alguns, por orgulho de tê-los, outros, escondia por não me identificar mais. Mas a pena de passá-los adiante falava mais alto e embora eu tenha vendido ou doado alguns, a maioria ficava ali, como um troféu.

Livros são muito mais que páginas escritas. São muito mais que histórias. É um símbolo, representa um status, e quando compreendi que aqueles livros parados na estante estavam ali apenas por causa de um ar de intelectualidade, foi o clique que eu precisava pra começar a trabalhar o desapego.

Não é a quantidade de livros que vai me fazer ser mais ou menos inteligente. Não é o número que me faz sábia. Mas sim, o quanto aprendi com aquelas leituras. Como cada uma delas, principalmente releituras.

Peguei uma caixa de papelão e ali prometi enchê-la de livros para doação. A cada livro que pegava em minhas mãos, um misto de sentimento de culpa com gratidão me faziam colocá-los, um a um empilhados com carinho. Este nunca li, vou passar adiante. Este eu já li, vou passar adiante…

E assim fui enchendo a caixa. Livros intocados, expectativas, uma Camile com a qual já não me reconheço. E ali fui me vendo, como em frente a um espelho, as várias fases pelas quais passei. Mistério, magia, idiomas, história, literatura, empreendedorismo, autoajuda e muito mais. No fim, duas pilhas de livros estavam na minha frente. Não revisei, apenas coloquei em duas sacolas e deixei ao lado da porta da sala. Do que restou, fiz uma nova revisão. E, novamente, comecei a encher a caixa de papelão com alguns títulos que poderia vender ou doar a amigos.

Não vou mentir dizendo que fiquei com poucos livros. Não, eu ainda tenho muitos. Mas os que mantive dizem muito mais de mim, refletem o meu momento, minhas necessidades de estudos e sim, foram selecionados a dedo. Começando uma nova fase, um novo ciclo, preciso de livros melhores, acadêmicos, de bons autores. Para meu trabalho, mantenho minha biblioteca de yoga, filosofia, budismo… mas apenas de bons autores. Bons autores assim como amigos cujos livros possuem um cantinho especial em minha prateleira.

Olho ao meu redor agora e me sinto bem. Mais leve, melhor representada. A vontade de sentar-me no frio com minha manta, com um chá do lado e abrir qualquer um dos livros que me cercam só me faz ter a certeza de que sim, fiz a escolha certa.

Sobre os livros que doei? São poucos dos quais me lembro o título. Tenho certeza que serão muito mais úteis nas mãos de uma outra pessoa do que empoeirados sobre uma prateleira.

Daqui em diante me comprometo a comprar apenas bons livros, dos quais vou ler, reler e consultar sempre. Literatura pretendo comprar apenas pelo Kindle. Nada de aproveitar promoções de autoajuda, marketing, desenvolvimento pessoal etc. Nada contra, mas leituras de uma só vez serão feitas apenas pelo Kindle.

Estou mudando muito a minha forma como lido com um livro e aos poucos vou compartilhando ainda mais essas impressões por aqui.

E vocês, como lidam com seus livros? Têm apego? Leem em formato digital ou precisam ter o papel em mãos? Conte sua experiência!

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Projeto Desapego: o declutter do meu armário

19/07/2017

Projeto Desapego: o declutter do meu armário - método Marie Kondo e Armário Cápsula | Vida Minimalista

O Projeto Desapego

Após 6 anos desde o último super destralhe, tirei um sábado inteiro pra fazer um declutter no meu armário usando as dicas da Marie Kondo (método Konmari) para desapegar de pelo menos 50% do que eu tinha. A experiência faz parte do meu Projeto Desapego 2017.

Já fazia um tempo que eu abria o armário e via peças com as quais não me identificava mais. Blusas que ficavam no fundo da gaveta simplesmente por não se adaptarem mais ao meu corpo, cores que não ornavam com nada que eu tinha no armário, modelos que não caiam bem… a situação estava bem clara: eu precisava fazer um super declutter e montar meu armário-cápsula (ou minimalista). Antes de prosseguir, vou explicar alguns termos que usarei aqui:

ARMÁRIO-CÁPSULA

Conceito criado e usado pela blogueira Caroline Rector, do Unfancy. Consiste em separar uma determinada quantidade de roupas a serem usadas em cada estação e guardar as que não serão usadas em malas ou caixas. Assim, a cada estação se faz a troca e uma revisão do que continua, o que sai e o que pode ser adquirido.

Como aqui no Rio de Janeiro não vejo muito motivo em armazenar o que não usarei por causa das estações indefinidas, não considero que meu armário é cápsula, embora esteja disposta a usar os conceitos. Eu simplesmente prefiro deixar as peças mais usadas em uma parte do armário e as menos usadas (roupas de verão) em outra parte menos acessível.

ARMÁRIO MINIMALISTA

Consiste apenas em reduzir suas peças para o essencial de acordo com cada pessoa. Não é uma competição de quem tem menos peças, apenas me preocupo em ter apenas o que eu uso, gosto e combina com as outras peças.

Por estes motivos sempre uso os dois termos pra me referir ao meu armário. Gosto de falar também que é um armário inteligente, pelos motivos que citei acima: ter apenas o que gosto, o que combina comigo, em quantidade reduzida porém suficiente e que faça o máximo de combinação das peças entre si.

Esclarecidas as nomenclaturas, vamos à minha experiência pessoal.

O começo do declutter

Acordei cedo no sábado, tomei meu café e me preparei pro grande declutter do armário. A ideia era mexer apenas nas roupas e ter acabado antes do almoço, pra que eu pudesse fazer outras coisas que tinha em mente. Já adianto que me empolguei com a arrumação e aproveitei pra destralhar sapatos, livros, CDs e DVDs, acabando por volta das 18:30.

A primeira coisa que sempre faço é pegar vassoura, pá de lixo e garrafa de água. Varro todo o ambiente antes de começar, pois certamente precisarei colocar roupas no chão. A água é por um motivo bem óbvio: hidratar durante o processo. Faz bem.

Abri o livro digital da Marie Kondo pra rever as dicas e fui na parte justamente onde ela fala que é pra colocar TODAS as roupas em um só ambiente. Torci o nariz pensando na bagunça (e no fato de que eu ficaria sufocada com tantas peças) e decidi colocar apenas as camisas sobre minha cama. Foram muitas.

Não conhece o livro da Marie Kondo ainda? Clique aqui!

Projeto Desapego: o declutter do meu armário - método Marie Kondo e Armário Cápsula | Vida Minimalista

Minhas camisas sobre a cama

Tirando tudo de dentro do armário

Olhando a quantidade de roupas que ainda estavam no guarda-roupas, pensei se não seria melhor tirar logo tudo de dentro e fazer como a japonesa sugere, e quando percebi, já estava colocando tudo no centro do meu quarto. Saíam roupas e roupas de cada gaveta, cada porta. fui até o cesto de roupa pra lavar e tinham umas 5 peças que também foram pro monte. No quartinho dos fundos, empilhadas estavam umas camisas de time, de esporte, que também foram pro monte.

Projeto Desapego: o declutter do meu armário - método Marie Kondo e Armário Cápsula | Vida Minimalista

Olhei pra tudo aquilo e bateu o desespero: COMO EU TENHO TUDO ISSO?

É nesse momento que você não pode sentar num canto e desanimar. Pense nesse desespero como um gatilho para desapegar de pelo menos boa parte do que você tem. Se está desesperado com a quantidade de peças no centro do seu quarto, imagine-se tendo que mudar de país pra ficar 1 ano fora e tendo apenas uma mala grande para levar suas roupas preferidas. Esse tipo de pensamento foi muito útil pra me ajudar a pensar o que voltaria ao meu armário.

Projeto Desapego: o declutter do meu armário - método Marie Kondo e Armário Cápsula | Vida Minimalista

Com tudo isso no chão me pergunto: por onde começo?

Selecionando o que fica

Marie Kondo diz pra pegarmos peça por peça, abraçá-la e sentir se realmente temos afinidade por ela. Algumas nem precisou disso, só de olhar já me fazia recordar de situações desagradáveis. Aquele vestido novo que comprei pra sair linda com o namorado… no dia que ele terminou comigo em 2015. Ahhh esse vestido foi direto pra pilha de doação.

Usei alguns argumentos para selecionar as peças que voltariam pro meu armário:

  • está em bom estado?
  • se tem alguma avaria, é simples consertar?
  • a peça combina com outras que tenho no armário?
  • a cor é de uma paleta de cores que gosto e que combina comigo?
  • tenho outras parecidas e essa é a melhor dentre elas?
  • eu realmente amo essa peça e me sinto bonita usando-a?
  • o tecido é de boa qualidade ou logo vai se esgarçar?

Kondo fala pra começarmos pelas camisas. Fui então pescando aquelas que estavam de acordo com meus questionamentos, e quando olhava uma que não se enquadrava, separava em uma pilha no canto do quarto. Se era pra doação ou venda, eu decidiria depois. Não quis tomar essa decisão em cada peça que eu pegava pra manter o foco apenas no que eu queria manter.

Projeto Desapego: o declutter do meu armário - método Marie Kondo e Armário Cápsula | Vida Minimalista

A pilha foi aos poucos diminuindo. De camisas, passei pra casacos. Depois calças, bermudas, saias, vestidos… A sensação de olhar pro armário e ver tudo organizado, dobradinho ou nos cabides, mas com um ar clean, me animava a manter assim e me fazia ser cada vez mais criteriosa com cada peça ainda na pilha de roupas. Não queria encher novamente o armário, e peças que talvez eu pegasse de volta no começo da arrumação me despertaram o sentimento de “ah, vai, essa não. Desapega logo…”.

E foi assim que concluí o super declutter do meu armário. Com menos da metade das minhas peças de volta ao guarda-roupas, agora sinto que ficou mais fácil de escolher o que vestir. Logo liguei a máquina pra lavar algumas peças e separei algumas em uma só sacola pra venda e o restante em 4 sacolas pra doação. Empolgada, fiz a mesma coisa com meus sapatos, mas dessa vez fiz diferente:

Sapatos

Peguei uma sacola grande e fui até o quartinho dos fundos onde ficam meus sapatos (não entro com eles no quarto). Separei 3 pares pra levar pra casa de praia (assim posso deixar lá direto, sem me preocupar quando viajo) e em seguida, fui colocando na sacola tudo que eu não usava faz tempo. Não olhei pra trás, não revisei, apenas coloquei ali, sem dó, até encher a sacola. Com menos da metade dos pares na prateleira, organizei tudo bonitinho e pronto, novamente um espaço clean.

Tendo em vista que comprei um da Urban Flowers e estou esperando chegar (estou testando comprar sapato online e de uma marca sustentável, vegana e handmade), não tive pena nenhuma em me desfazer dos que eu tinha.

Com a sacola cheia, coloquei na sala próximo à porta da casa pra se juntar às outras 4 sacolas que ali estavam, prontas pra irem pra mala do carro.

Observações sobre o declutter

  • Limpei todo o armário antes de começar o declutter. Dá uma sensação ótima de leveza e ajuda a voltarmos só o que realmente amamos.
  • Algumas peças lembrava que foram presentes ou que minha mãe gostava de me ver usando (não necessariamente EU gostava).
  • Até roupas de yoga que pensei serem intocáveis acabei separando umas pra me desfazer.
  • Roupas indianas que também pensei que não mexeria acabei colocando também no declutter. Peças somo saias de seda e saris (que tive que comprar da India) não vão embora, mas saias mais de feirinha que nunca uso foram pra pilha.
  • Pra me inspirar, coloquei no youtube uma palestra da Monja Coen. Clique aqui para assistí-la, foi ótimo ouvir a voz calma dela durante a arrumação.
  • No último declutter doei meu All Star preto que eu tanto amava mas que estava encostado num canto faz tempo. Tinha ficado muito na dúvida mas hoje percebi que desde então nunca mais havia pensado nele. Não fez falta nenhuma! Isso me motivou a desapegar ainda mais.

A etapa seguinte foram meus livros, mas estes vou deixar pra um próximo post. Livros são sagrados pra mim, sou bibliófila e tenho muito apego ao papel, apesar de ler bastante pelo Kindle. Como livros são meus queridinhos, deixarei pra falar só deles depois.

OBS.: Todo esse processo foi um declutter inicial e bruto de tudo que não combinava mais comigo. Aos poucos, pretendo ir usando as peças, fazendo combinações, e selecionando o que realmente fica e o que pode ser passado adiante. Quando temos muitas peças é difícil ter essa consciência, mas quando reduzimos drasticamente a quantidade de peças, fica mais fácil avaliarmos o que vale a pena manter e o que não usamos tanto. Portanto, essa é uma fase inicial para depois de 1 mês avaliando o que tenho, ir montando um armário-cápsula com menos peças do que tenho no momento.

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