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Sobre objetos e as memórias

Sobre objetos e memórias | Vida Minimalista | vidaminimalista.com

Objetos guardam memórias. Mesmo que não percebamos, todas as vezes que interagimos com algo, seja ele um bloco de anotações ou uma roupa, entramos em contato com sentimentos e sensações que tais objetos nos causam. Aquela roupa que estávamos usando no dia do fim de um relacionamento raramente nos trará alegria ao ser usada novamente. Aquele brinquedo que nos acompanhou nos melhores momentos da infância provavelmente nos fará sorrir.

O problema de pessoas acumuladoras talvez não seja a quantidade em si de objetos que guarda, mas sim as diferentes sensações que estes causam ao serem vistos, manipulados ou usados. Quando temos um guarda-roupas cheio, daqueles que nem sabemos o que de fato está ali guardado, temos uma mistura de sensações, sentimentos e impressões em cada roupa, tanto boas quanto ruins, que acabam nos desanimando cada vez que decidimos organizá-lo. Enfrentar a confusa carga de sentimentos é difícil de lidar.

Por outro lado, quando mantemos objetos que nos trazem boas sensações, dificilmente será uma tarefa árdua manipulá-las, organizá-las e usá-las. Um guarda-roupas composto de roupas seletas, aquelas que realmente gostamos muito e que nos trazem boas lembranças e alegria é muito melhor aproveitado do que um que carrega energias de tristeza e más recordações.

A solução neste caso seria separar o que nos é muito querido daquilo que nos traz más sensações. Uma roupa com a qual passamos por uma situação triste – e nos faz recordar a cada vez que usamos – pode ser doada a quem precisa ou, quem sabe, “reprogramada” caso a memória ruim seja substituída por outra boa de um novo momento. O que não podemos é guardar objetos que nos deixam pra baixo cada vez que os encaramos. Desapegar de lembranças ruins pode não ser fácil, mas é libertador quando, após uma arrumação, mantemos apenas o que nos faz bem.

Vamos nos libertar do que nos traz más sensações?

Categorias: Minimalismo Digital

Sobre reeducação digital

A necessidade de fazer uma reeducação digital | Camile Carvalho, blog Vida Minimalista
foto: unsplash

Vivemos em uma época de excesso de estímulos digitais. Televisão, smartphone, caixa de email, facebook e twitter são apenas alguns exemplos de tecnologias que podem desviar nossa atenção e atrapalhar nossa produtividade. Quem nunca pensou como seria passar pelo menos uma semana longe de toda essa tecnologia numa reeducação digital?

A repórter Carolina Bergier, da revista Vida Simples resolveu aceitar o desafio e relatou em um artigo como foi passar a semana inteira afastada dessas distrações. Com algumas regras para estabelecer limites do uso da tecnologia, a jornalista sentiu-se desacelerar. As regras foram claras: só poderia checar o e-mail 2 vezes ao dia, permanecer no máximo 15 minutos nas redes sociais (e com uma aba aberta no navegador apenas), utilizar o telefone apenas para fazer chamadas quando não estivesse conversando com alguém ou se alimentando, checar mensagens do celular uma vez ao dia, não ler jornais durante o café, nada de TV e o principal, fazer uma atividade por vez.

Carolina conta que se sentiu dona de seu próprio tempo. Com uma lacuna livre, pôde caminhar pela praia até o local de seu compromisso, visitou amigos e prestou mais atenção no percurso até o seu trabalho, reparando melhor em detalhes que provavelmente passariam despercebidos se estivesse escutando MP3. Contou também, que havia questões de sua própria personalidade que surgiram em sua mente e que ela teve que enfrentar, como se estivessem escondidas por debaixo do tapete e que nessa situação, foram descobertas. Conseguiu trabalhar melhor e sua produtividade aumentou, pois estava dedicada a cada atividade por vez sem preocupar-se com outros assuntos. Por outro lado, queixou-se de ter engordado um pouco, já que certa ansiedade, facilmente espantada pela internet, a fez comer mais. A semana, segundo Carolina, valeu muito à pena, pois lhe trouxe importantes ensinamentos. “É um presente estar presente”, afirma a repórter, que apesar de todos os benefícios, sentiu saudades de seu smartphone.

Hoje todos nós dependemos, de uma forma ou de outra da tecnologia. É fácil cortar a TV, mas difícil abandonar as redes sociais. Para outros, deixar de usar o Twitter é simples, pois não é importante, mas nunca ficaria em casa com a TV desligada. Cada um de nós tem seu estilo de vida e suas demandas, sejam elas ligadas ao entretenimento ou no meio profissional. Mas e você? Teria coragem de ficar uma semana sem usar a tecnologia? Ou sejamos menos radicais, como a repórter: conseguiria estipular normas de uso reduzindo ao mínimo possível? Como acha que encararia todos esses dias?

Talvez reclamar do excesso de dados aos quais estamos expostos não seja uma boa solução. Cada um de nós precisa ter seu próprio filtro, e sendo assim, observar a maneira como usamos a tecnologia. Vale lembrar que ela deve estar a nosso favor e prestando-nos um serviço, não o oposto. Uma dieta digital pode ser muito útil atualmente.

Categorias: Comportamento

Você usa tudo o que compra?

Esses dias eu estava organizando meus produtos de beleza e maquiagem, quando me deparei com alguns velhos, e fora da validade. Não teve jeito, acabei jogando no lixo os produtos vencidos. Todos sabemos que é perigoso usar cosméticos velhos, pois pode nos causar reações alérgicas e outras dermatites. Aproveitei também pra minimizar a enorme quantidade de produtos que tinha no armário do banheiro. Sempre tive a mania de comprar cosméticos, principalmente cremes pro cabelo, e estabeleci uma nova regra em relação a eles: Só comprarei um novo quando o que eu tiver acabar.

Como divido o banheiro com minha prima que mora qui, é natural que tenha mais produtos que o necessário pra uma pessoa, já que possuímos cabelos e tipo de pele diferente, requerendo um produto específico pra cada uma de nós duas. Porém, o que ví no banheiro não foi exatamente o dobro de produtos, mas praticamente 5 vezes mais que o necessário.

Levando em consideração que dentro do box havia 1 shampoo, 1 condicionador e 1 sabonete dela, e o restante era meu, ficou claro que a culpada da tralha era eu. Não mexi em nada, e não retirei nenhum produto, apenas decidi usar um de cada vez, até acabar, para então começar a usar o próximo. Estabeleci que só comprarei um novo shampoo, um novo condicionador, creme de hidratação ou ampolas quando não tiver mais nada na embalagem. Isso vai me ajudar a economizar, a aproveitar melhor cada produto e escolher bem na hora que for comprar.

Com as maquiagens foi a mesma coisa, assim como perfumes e cremes. A decisão de usar cada um deles até o final nos dá a chance de realmente aproveitar aquele produto que investimos nosso dinheiro, nos dá o controle dos gastos sobre cada um deles e o prazer em usá-los. Porque não há nada mais desanimador que economizar um creme porque teve um custo elevado, e depois descobrir que ele passou da validade sem usarmos.

Portanto, use seus produtos. Faça com que seu investimento tenha valido à pena. Não o deixe estragando num armário de banheiro. Você vai ver que a satisfação de “ter”  é muito maior quando o usamos do que quando o exibimos como um troféu na prateleira.

Ao invés de se render a novos cosméticos que parecem nos hipnotizar nas lojas, use até o final aquele que você tem em casa. E quando for comprar, compre com consciência. Eu dou preferência a produtos Cruelty Free, que não possuem em sua composição derivados animais e nem são testados neles. Como médica veterinária, abraço essa causa com todo o carinho, mas deixarei pra falar sobre isso mais pra frente.