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Eu posso estar errado

Eu posso estar errado - Björn Natthiko | Camile Carvalho - Vida Minimalista

Autor: Björn Natthiko Lindeblad
Lido em: abril de 2024
Tema: Budismo, impermanência, aceitação
Avaliação: ★★★★★

Eu sou do tipo de leitora que ama escolher títulos leves e inspiradores pro meu Kindle. A sensação de me deitar na rede, sentindo o vento fresco em meu rosto enquanto leio inspirações me conduz a uma atmosfera de paz e serenidade da qual desejo permanecer por muito tempo após a leitura. Mas esse livro, escrito por Björn, ou Natthiko (seu nome budista), me tirou do lugar-comum desse tipo de literatura.

Björn Natthiko Lindeblad

Bjorn nasceu na Suécia, formou-se em economia e recém-formado conseguiu trabalhar com o que achava que gostava. Como ele mesmo dizia,  “trabalhava aumentando o lucro alheio”, e era bom nisso. Apesar do estresse, da ansiedade que vivia, não tinha outros planos pra sua vida, até que percebeu que precisava fazer algo pela sua saúde mental, ou não aguentaria muito a pressão em que vivia.

Experimentou, por diversas vezes, a meditação, mas sem sucesso algum. Chegou a se inscrever em retiros na floresta, mas acabou desistindo por não ter os resultados que esperava. Segundo ele, não conseguiu silenciar as vozes interiores, não conseguiu não pensar em nada – muito pelo contrário – e sequer atingiu a paz mental. Isso devia ser apenas pros iluminados, como Buda, não pra um rapaz como ele, cheio de desejos, ansiedades e trabalho a ser feito pipocando em sua mente.

Como é possível ter uma vida digna e livre se você acredita em todos os seus pensamentos?

Mas algo o fazia não desistir, até que em um determinado momento em sua vida, conseguiu compreender melhor a meditação e os princípios budistas. Após um longo caminho, entre retiros e cursos de meditação, decidiu morar na Tailândia, onde monges da Tradição da Floresta (Budismo Theravada) tinham um monastério. E naquele momento sua vida nunca mais foi a mesma, até tomar a decisão de abandonar a vida leiga e se entregar à tradição, sendo ordenado como monge budista.

Eu posso estar errado - Björn Natthiko | Camile Carvalho - Vida Minimalista
foto do site oficial: natthiko.se

Me envolvi demais com ele

O livro me emocionou por diversas vezes. Torci com ele, chorei, me emocionei e claro, anotei vários ensinamentos que ele passava, chegando até a escrever bastante sobre alguns insights que eu tive sobre a minha própria vida. Não foi um livro leve como outros no estilo que eu andei lendo, principalmente na parte final. Aliás, o livro tem 38 capítulos, mas bem curtinhos, o que me fez pensar o tempo todo que eu leria “só mais um capítulo, depois eu paro”, e assim o fiz por dois dias seguidos até chegar ao seu fim.

Eu já tinha descoberto que, quando minha tristeza, ansiedade ou solidão ficassem opressivas demais, eu poderia escolher me concentrar na respiração e permitir a consciência plena do meu corpo, sem aceitar cegamente cada um dos pensamentos que minha mente atirasse em mim.

Não se enganem, o livro começa leve e inspirador, mas tem uma reviravolta no seu terço final. Não é spoiler, mas Natthiko foi monge por 17 anos, sendo os primeiros 6 anos no monastério da floresta da Tailândia, 1 ano em reclusão total em uma cabana próxima a um vilarejo e mais 10 anos em alguns monastérios da Europa, mais próximo de seu país de origem. Ele conta as diferenças culturais, principalmente após viver sete anos na Tailândia e voltar pro Ocidente, como os monges são vistos por aqui e pelos tailandeses.

Após os 17 anos, Bjorn entrega as vestes e volta à vida leiga, mas sem abandonar o caminho budista. Apesar de muitos desafios no retorno à “vida comum”, se torna um palestrante e professor reconhecido que rodou o mundo contando sua experiência, transmitindo os ensinamentos e inspirando muitas pessoas.

Nunca me senti totalmente confortável com a expressão atenção plena. Não sinto minha mente plena quando estou vivendo o momento. Ela está mais para uma área ampla, vazia e acolhedora, com espaço de sobra para tudo e para todos. Presença consciente.

Um alerta de gatilho

O meu alerta vai para a porção final do livro. Eu fui pega de surpresa com alguns acontecimentos que ele narrou com tantos detalhes, o que me gerou muito desconforto (mas que na visão budista são vistos com outra compreensão). Eu simplesmente não conseguia parar de ler, já era madrugada, mas também eu não conseguia parar de chorar.

Ler os capítulos finais me deixou com um nó na garganta até hoje, o que me fez abrir o notebook e escrever esse texto sobre as minhas impressões do livro.

Um dia, vamos ter que nos despedir de pessoas que significam alguma coisa para nós. Nossa única certeza é que não teremos uns aos outros para sempre. Todo o resto é um talvez.

Eu queria despejar mais por aqui…

Enfim, eu gostaria de colocar mais meus sentimentos por aqui, despejar o que está em minha mente e meu coração, mas me vejo em uma linha sutil entre escrever um texto de desabafo e uma resenha de um livro. Contar tudo que eu senti ao ler os últimos capítulos seria expor pontos do livro considerados spoilers, mas como não colocar pra fora essa bomba de emoções que ele significou pra mim?

Talvez eu escreva pra mim mesma, no meu diário, talvez eu escreva em um outro momento e publique em um post separado, mas deixo pra vocês uma pequena chama para que leiam, se assim se interessarem, essa autobiografia de um monge Theravada.

Às vezes uma porta se fecha na sua vida sem que outra tenha se aberto. Alguma coisa está menos viva do que antes, um relacionamento, um emprego, uma casa, a cidade em que você mora. Isso pode acabar sem que tenha chegado a próxima etapa. De repente, você se vê cercado de incertezas. Em quê você pode se apoiar em momentos assim? Não é importante que, nessas horas, você possa contar com um senso inerente de confiança?

Fico por aqui hoje e espero que tenham gostado desse tipo de post aqui no blog Um pouco sentimental, uma resenha fora dos padrões, uma espécie de diário da minha leitura. Certamente voltarei ao livro mais vezes para que possa relembrar de alguns ensinamentos que, para uns, podem ser banais.

Talvez até mesmo para o próprio autor, mas que para mim, em diversos momentos tocaram fundo a minha alma me fazendo relembrar de lugares e situações que eu nunca vivi. Ou vivi.

Eu posso estar errado - Björn Natthiko | Camile Carvalho - Vida Minimalista
Foto: Elisabeth Lindeblad

Espero que sua vida possa ter menos de punhos cerrados e um pouco mais mãos abertas. Que você tenha um pouco menos de controle. Um pouco mais de confiança. Um pouco menos de necessidade de saber tudo de antemão. Que você aceite um pouco mais a vida como ela é.

O livro pode ser encontrado aqui: Eu posso estar errado na Amazon

Categorias: Livros

O ano em que menos é muito mais

Depois de um longo período praticamente de cama, por causa de uma infecção no meu siso, finalmente consegui extraí-lo. Eu pensei que seria o pior momento da minha vida (a dramática) mas tudo ocorreu tão bem que eu sequer senti dor alguma.

Eu sei, quem me acompanha somente pelo blog perdeu o fio do contexto justamente por eu só ter falado sobre isso lá no Instagram e eu não quero que pareça que quem me segue lá é privilegiado. Isso significa que sim, eu preciso trazer mais conteúdo pra cá, contar mais sobre o que vem acontecendo em minha vida por aqui mesmo, pois eu tomei a decisão de manter o blog como o meu cantinho principal. Mas vamos ao que interessa (um outro momento falo sobre o dente. Ou não).

Reassinando o Kindle Unlimited

Depois da extração do siso, precisei ficar de molho em casa, sem fazer praticamente nada. Os dois primeiros dias são muito sensíveis e qualquer sangramento pode ser bem ruim.

Eu já havia desistido de assinar o Kindle Unlimited pois nunca mais havia lido por ali. Havia alguns livros ainda de assuntos que nem me interessavam mais, então em um momento de redução de gastos cortei a assinatura do KU. No entanto, me foi oferecida aquela adorável oferta de R$ 1,99 por 3 meses e acabei aceitando.

Isso foi bom. Eu já estava entediada em casa sem ter muito o que fazer por causa do siso e acabei voltando a um comportamento do qual eu já havia desapegado: ficar olhando o celular antes de dormir até ser vencida pelo cansaço… Precisei dar um basta.

Larguei o celular em um canto e peguei meu Kindle. Eu confesso que não estava muito animada em ler por ali pois gosto muito de fazer leituras densas. Sempre tento extrair dos livros o máximo que posso e por isso estou sempre sobre a minha escrivaninha com meus livros abertos, lapiseira na mão, régua e marca-textos… eu nunca leio um livro por ler, e por esse motivo o Kindle já não me atraía mais.

Mas eu precisava me permitir ler algum livro bobinho, só pra que eu não estendesse a mão e pegasse o celular pra rolar o feed eternamente. Navegando pela loja, encontrei o livro “O ano em que menos é muito mais”, da blogueira Cait Flanders. Era o que eu precisava ler no momento.

Sabe esses livros leves e aparentemente mais do mesmo, mas que em 3 ou 4 frases nossa mente vira uma chave? Pois então. Foi exatamente isso o que aconteceu.

Escolhi um livro sobre minimalismo pra ler

No livro, Cait nos conta sobre seu desafio de passar 1 ano sem compras enquanto também lutava contra o alcoolismo. São vários vícios associados, na verdade, sendo que um deles era, de fato, a compra por impulso. Ela então decidiu registrar tudo no blog e depois escrever o livro sobre sua experiência. Mas há algumas frases que me chamaram muito a atenção e que me impulsionaram a repensar a vida que estou levando agora:

“Só conseguia ver duas categorias, na verdade: as coisas que usava e as coisas que queria que minha versão ideal usasse. As coisas que queria que minha versão ideal usasse eram todas aquelas que eu havia comprado na esperança de um dia usar para tornar minha vida melhor.”

Aqui há um ponto muito interessante: eu tenho comprado coisas para quem eu sou hoje ou para uma personagem que quero adotar no futuro? Será que tudo que ando adquirindo realmente conversa com quem eu sou? Os livros, roupas, alimentos… eles são para o meu eu do presente ou projetam alguém que eu ainda não sou e sequer sei se um dia serei?

Vejam bem, quando queremos mudar de vida, de estilo, de alimentação, é normal que mudemos também o nosso consumo. Passamos a comprar comidas mais saudáveis, compramos roupas no novo estilo… mas há algo antes a ser refletido sobre isso, principalmente roupas e objetos: eu quero me transformar nisso ou outra pessoa – a qual admiro – usa essas roupas e objetos? Será que eu quero mesmo me transformar nisso ou estou tentando imitar alguém que, ao meu ver, é bem sucedida?

“Para quem está comprando isso: para a pessoa que você é ou para a pessoa que quer ser?”

E então, baseado nessa única frase, que me atingiu como um soco no estômago, olhei para tudo que tenho ao meu redor e percebi quantas e quantas personagens caberiam aqui. Lendo meus livros. Usando minhas roupas. Navegando pelas diferentes redes sociais. Buscando agradar ao público A, B ou C. São meus múltiplos eus. Mas a questão que fica é: do que eu, a Camile, puramente eu, realmente gosto? Será que esses livros todos fazem sentido? Será que essas roupas todas fazem sentido? Afinal, o que faz sentido?

E então eu te pergunto: o que, realmente, faz sentido pra você quando você se despe de todos os seus personagens que você foi, que você é e aqueles que você ainda quer ser? Do que você realmente gosta? Quem você realmente é?

Categorias: Bem-Estar

Bolinhas piscantes e rosto dormente: um relato da minha enxaqueca com aura

blog-enxaqueca-aura | Blog Camile Carvalho Vida Minimalista

Este fim de semana foi um pouco diferente do normal. Tive uma enxaqueca com aura terrível que começou na sexta-feira e se estendeu até o sábado à tarde. No princípio, achei que era apenas uma dor de cabeça normal por ter bebido pouca água ou por ter ficado até a madrugada trabalhando no computador pra entregar algumas peças de divulgação que eu precisava fazer. Mas não foi algo simples e só me dei conta no sábado mesmo, quando precisei faltar à missa (eu canto na missa!) pois mal conseguia abrir os olhos.

Eu tenho um tipo de enxaqueca que é um pouco diferente, apenas 25 % das pessoas têm. Há pessoas que sentem a dor e ficam por dias, disparadas por algum evento específico, como o alto consumo da cafeína, estresse, má alimentação e tantos outros catalogados. A minha enxaqueca é diferente, porém toda organizada (até isso combina comigo). Ela segue o seguinte padrão:

As fases da minha enxaqueca com aura

1 // Aura: o primeiro sinal da minha enxaqueca são os estímulos visuais. Geralmente estou lendo algum texto e percebo que o centro fica embaralhado ou com uma mancha escura, não me permitindo ler. Só consigo com a visão periférica. É como se o centro estivesse vibrando. Sempre começa com um ponto pequeno no centro e vai crescendo. Houve uma vez em que eu enxergava uma espécie de mandala girando no centro da minha visão, que cresceu até tomar conta da minha visão total em aproximadamente uns 10 minutos. Quando tenho isso, já sei que devo tomar o medicamento, me recolher pra um quarto escuro e fechar os olhos, esperando pelas próximas fases.

2 //  Dormência no rosto, braço e mão: assim que o estímulo visual encerra, começo a sentir dormência em um único lado do corpo. Em geral é no lado direito. Não sinto meu rosto, minha pálpebra, o lado do meu lábio, meu braço e mão. Zero sensibilidade. Fico por alguns minutos com essa sensação e, aos pouquinhos, vou voltando a sentir o meu corpo. Quando penso que, enfim, estou melhorando…

3 // A dor de cabeça: e ela vem como uma pancada. BOOM. Do nada, ela inicia e a dor é insuportável. Nesse momento tudo que preciso é ficar no quarto escuro, olhos fechados e tentar dormir. Acho que o medicamento que tomei lá na fase da aura começa a fazer efeito e me dá sonolência. Certa vez, nessa fase, comecei a embaralhar a fala, por isso sempre prefiro dormir.

4 // Ressaca: assim que a dor passa, e ela vai embora do nada, assim como chegou, ainda tenho sensibilidade quanto à claridade. E isso dura por alguns dias. Geralmente sinto dificuldade de enfrentar uma tela de computador, de me concentrar, de participar de atividades… é como uma “preguiça”. Sabe aqueles dias em que estamos exaustas mas ainda temos uma aula à noite e a mente não consegue acompanhar nada, só estamos “existindo”? Fico um pouco assim, apenas “existindo” nos 2 ou 3 dias seguintes.

Periodicidade

O mais estranho da minha enxaqueca é a periodicidade. Tenho notado que os episódios ocorrem a cada 4 anos. Sei disso pois sempre compro uma caixa do medicamento e anoto a data da crise nela. Quando tenho a próxima, o medicamento já está fora da validade e preciso comprar outro. Porém, neste ano é a terceira vez que tenho crise e isso indica que algo não está muito bem com a minha rotina.

Quis escrever esse relato sobre a minha enxaqueca pois a primeira vez que tive, fui pra emergência do hospital por não estar sentindo o meu lado direito do corpo. Lá fui diagnosticada com enxaqueca e medicada. Isso foi por volta de 2005 e eu não conseguia achar informações em lugar nenhum sobre os sintomas visuais. Relatando aqui, talvez esse conteúdo seja útil pra alguém que também, sofre com as bolinhas piscantes antes da cabeça explodir.

Comente aqui abaixo se você tem ou conhece alguém que tem enxaqueca. O que você costuma fazer quando a crise chega?

Categorias: Livros

A Magia do Silêncio

Antigamente eu tinha o costume de ler um livro inteiro e fazer uma resenha dele num modelo padrão, falando sobre todas as minhas impressões sobre o conteúdo, sobre a edição, autor etc. Agora, com o retorno do blog, quero mudar um pouco o jeito de escrever meus pensamentos e sobre minhas leituras e a primeira mudança é não fazer um post padrão, mas escrever ao longo da minha leitura, as impressões que estou tendo, divagar sobre trechos que me chamaram a atenção.

Hoje vou falar sobre o livro A Magia do Silêncio, da monja budista francesa Kankyo Tannier, que na verdade já concluí a leitura, mas fiz tantas anotações e marcações, que estou relendo as passagens das quais mais gostei.

Não é muito raro encontrarmos livros que nos falam sobre a necessidade do silêncio. Em uma era conhecida também por era da ansiedade, podemos perceber claramente que temos um sério problema em permanecermos em quietude. Isso acontece por vivermos na pressão da produtividade: se não estou fazendo nada, não estou sendo útil para a sociedade, sou uma pessoa descansada, preguiçosa e, portanto, não tenho valor.

A verdade é que precisamos SIM de um momento de ócio, de silêncio, de simplesmente não fazer nada. Esvaziar-se não apenas de bens materiais é necessário para nossa saúde mental e emocional. No livro, logo nos primeiros capítulos, a monja nos fala sobre a importância de termos um minutinho de silêncio.

Nada melhor que uma pequena experiência para testar a magia do silêncio em tempo real. Não importa onde você esteja neste momento: no ônibus, na sua cama, debaixo de uma árvore (…). Observe a paisagem, retome a consciência do seu corpo, da sua respiração, e fique exatamente onde está, sem fazer nada, por alguns segundos. Um minutinho. Você percebeu os segundos se passando? Sentiu o tempo correndo mais devagar? Isso não é nada se comparado a todas as descobertas que você poderia fazer se parasse ao longo do dia e olhasse para o céu. Nosso minuto de silêncio parece parar o tempo. É mágico! – pág. 33

Um minuto. E então falamos: “não tenho tempo!” e corremos para o computador, abrimos o Facebook, olhamos para a tela do celular e rolamos eternamente o feed do Instagram vendo fotos de outras pessoas. O tempo passa, 10, 15, 30 minutos, e continuamos olhando as redes sociais sem uma finalidade específica. Quando nos damos conta, já se passou uma hora e gastamos nosso tempo com os olhos em frente a uma tela luminosa. Mas… e pra meditar? E pra fazermos silêncio? Ah… não temos tempo!

Na verdade, não damos a prioridade. Observamos as pessoas que têm o hábito da meditação diária e achamos que elas nasceram pra isso. Que foram as escolhidas por um ser divino para virem à Terra programados com o gene da meditação. Mas não. A realidade é bem diferente e a verdade é que não há diferença entre um monge que medita há 30 anos, um praticante que começou ano passado e hoje medita diariamente e você, que tentou por umas duas ou três vezes mas percebeu que a mente ficava muito agitada e ansiosa. Qual a diferença, afinal? O hábito!

Você pratica meditação?

Muitas vezes achamos linda a prática da meditação, a serenidade que proporciona, a tranquilidade após uma sessão, mas não nos permitimos praticar a ponto de tornar um hábito. E quando pensamos em hábito, já imaginamos sentar em quietude por 30 minutos sem pensar em nada, quando podemos, na verdade, colocar o timer do celular pra tocar daqui a 5 minutos e apenas fechar os olhos, ou observar a paisagem da janela.

Neste livro, a monja nos dá a opção de aproveitar o ócio, como uma forma de esvaziar a mente. Em uma parte do livro ela conta que precisou ficar alguns dias confinada em um quarto na Índia devido a um tratamento ayurvédico e tudo o que tinha pra fazer era olhar um pasto pela janela, durante horas, e torcer pra aparecer algum animal por ali pra observar. Ah, mas isso é muito tedioso, vocês pensarão (e eu também!), mas já pararam pra pensar que nós não nos permitimos viver o tédio? Em qualquer momento de possível ócio, já pegamos nossos celulares do bolso e vamos checar as redes sociais. Ou catamos algo pra ler. Em uma espera de um consultório, é muito comum observarmos cada um dos pacientes olhando para a tela, sem ao menos interagirem entre si ou olhando para o vazio.

Isso nos consome. Não estamos dando espaço suficiente para nossa mente relaxar. Estamos raciocinando o tempo todo, mesmo que checando as redes sociais de forma automática. Os estímulos chegam às nossas pupilas, nosso cérebro faz o esforço constantemente para decodificar as informações, e acabamos nem percebendo que, aquilo que fizemos apenas para não passar pela sensação do ócio, tornou-se um hábito muito difícil de tirar.

Vamos fazer um exercício?

Que tal na próxima vez que estiver esperando por algo, não pegar o celular da bolsa? Que tal agora mesmo, ao terminar a leitura deste texto, você levantar o olhar da sua tela e observar a parede, o ventilador, a janela de onde você se encontra por pelo menos 3 minutos? Preste atenção na sua respiração. Como seu corpo reage? Quer que esse tempo acabe logo? Sente algum tipo de ansiedade? Se sim, precisamos conversar um pouco mais sobre como esses hábitos de ocuparmos o tempo constantemente está nos fazendo mal.

Vá, faça essa experiência agora. Entre nesse site: Online Meditation Timer e ajuste para 5 minutos. Feche seus olhos e observe sua respiração ou mantenha o olhar fixo em algo (pode ser o ventilador ligado). Depois me conte como foi sua experiência! Estou super curiosa pra saber (e sim, também já fiz aqui em casa!)

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Down Home – living the slow life

Livro Kindle Down Home - Camile Carvalho

Na onda do Slow Living, peguei meu Kindle e fui em busca de algum livro sobre o assunto pra me inspirar e o que me chamou a atenção foi esse, Down Home – living the slow life que aborda justamente o tema sobre viver no momento presente, ser grato por nossas vidas e desacelerar.

O livro é super curtinho e eu preciso confessar que AMO quando baixo ebooks que leio de uma só vez. Como sou bem dinâmica, essas leituras me atraem pois capto o essencial e ainda tenho gás de fazer minhas reflexões sobre o que li.

Donna Rich nos conta sobre sua vida e em como começou a dar mais valor aos pequenos momentos junto à sua família. Estar no momento presente é uma dádiva, e é exatamente onde a vida acontece.

Num estilo “O Poder do Agora”, a escritora junta pequenos trechos de histórias que ocorreram em sua vida nos mostrando alguns insights sobre situações do cotidiano.

Inspirações

Uma delas é que, certa vez, ao fazer uma mudança e estar diante de várias caixas de enfeites de natal, o mexicano que trabalhava na transportadora lhe falou que nada daquilo era realmente necessário para se comemorar um natal. “For Christmas, all you need is one star” (para o natal, tudo o que você precisa é de uma estrela). “Why had one star never been enough for me?” (por que uma estrela nunca foi o suficiente pra mim?) – e então Rich se recorda sobre o verdadeiro significado do Natal para sua família cristã e tem o insight sobre o nascimento de Jesus em meio a uma situação tão simples, porém importante.

Mas foi em uma situação de pânico, ao sofrer um acidente com suas duas filhas crianças no carro que a fizeram mudar sua visão de vida. Tudo o que importa é o agora. Como ela diz:

“It reminded that we are not guaranteed a certain number of days here on this earth. The dreams we are holding on to may never get the chance to come true. We may never see tomorrow.

~ Isso me fez lembrar que não temos garantido um número certo de dias aqui nesta terra. Nossos sonhos podem nunca terem a chance de se realizarem. Podemos nunca encontrar o amanhã. ~

Sobre o ebook

Estou nessa onda de ler livros ebooks inspiradores que me fazem refletir sobre o momento presente, sobre nossas verdadeiras necessidades humanas e sobre como nos encobrimos em meio às necessidades e consumismo frenético. É importante repensarmos o estilo de vida que estamos levando hoje identificando pontos em que podemos melhorar.

Não esperem muito deste livro, mas indico a quem quer deitar numa rede no fim de tarde e fazer uma leitura gostosa e leve, sem muita preocupação. Dos insights da escritora podemos tirar algumas lições de vida e observar que podemos fazer pequenas mudanças de ponto de vista e nos incentivar a sermos gratos pelo que temos e a vivermos no momento presente.