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Ah, como é bom voltar pra mim!

Como é bom voltar pra mim - Camile Carvalho, a menina do Vida Minimalista

Escrevo este post de madrugada. Pois é, hoje algo me tocou profundamente na alma, que me fez começar a enxergar a minha própria presença na internet de forma diferente.

Sabe, eu sou daquele tipo de blogueira das antigas, como vocês podem perceber até mesmo fuçando os arquivos deste blog (que eu tenho apenas desde 2010, por ter perdido todos os meus blogs desde, sei lá, 2000, na era do kit[.]net). E o que eu tenho pensado hoje, o dia inteiro – ou seria ontem, pois já passam das 2h da manhã e eu sigo desperta, – é que parece que, lentamente, reencontro a minha própria voz.

Foi um longo caminho seguindo métodos, SEO, marketing digital, técnicas de posicionamento no Instagram, e a agonia só aumentava. Sim, eu sei, há muitos que ganham seu sustento utilizando tudo isso, vendendo seus serviços e produtos, mas eu cheguei a um ponto de saturação tão extrema que eu sequer conseguia mais habitar aquele app. Eu só queria paz, mas ao mesmo tempo, não queria perder nada dali.

Eu levei muitos anos pra construir a imagem da professora de yoga, daquela que entende sobre o que ensina, que fez cursos, que chegou a morar na Índia, que carrega, em sua bagagem, muitas histórias e experiências.

Mas eu não era somente aquilo.

Aqui, nos bastidores – acho que podemos chamar de vida real, – eu era uma pessoa (pasmem), normal. Com meus altos e baixos, minhas manias, desejos e maluquices. Enquanto ensinava sânscrito, mergulhava em temas sérios e debatia sobre a Civilização de Mohenjo Daro e Harappa e se Pashupati é ou não uma representação de um Proto Shiva, eu também tinha meus dias de pijama, comendo um balde de pipoca assistindo a vídeos de cadernos no Youtube. Eu apenas não mostrava a minha coleção de canetas coloridas e minhas habilidades de decorar o nome de seus modelos e arrumar pares perfeitos para cada papel, de acordo com suas texturas e fibras.

Ah, e aqueles dias em que eu mergulhava nos episódios de Cavaleiros do Zodíaco e reassistia toda a saga do santuário? Acho, aliás, que fui extremamente influenciada a gostar dos astros por conta da minha infância nesse universo. Pois é, eu sou múltipla. Aliás, todos somos.

Não somos apenas um nicho, apenas mostramos, evidenciamos uma parte de nós na internet. No entanto, quanto mais eu colocava uma lente sobre uma parte de mim, mais eu mesma me via como sendo apenas aquilo. Isso, definitivamente, não é nada saudável.

Retorno financeiro, eu não tinha, sejamos sinceras. Seguia dando minhas aulas de Yoga presenciais, um ou outro aparecia nas aulas por ter me conhecido pela internet, mas pouquíssimos foram aqueles que, de fato, eram atraídos por conta de todo o meu trabalho na rede de rolar o feed. No entanto, a energia que eu punha naquele local era tamanha, que eu, de fato, acreditava que aquilo ali estava moldando a minha imagem, minha reputação e minha credibilidade.

De certa forma, ajudou. Hoje muitos me conhecem por conta da Índia, principalmente quando eu registrei as minhas viagens pra lá. Mas, sinceramente, há muito mais Camiles em mim do que eu poderia imaginar. Há, inclusive, a Camile do Camilando. Do Vida Minimalista. Dos blogs das antigas, dos cadernos, da papelaria, das canetinhas coloridas. Da patinação no gelo, da Médica Veterinária que largou a carreira pra seguir na Comunicação. Há também a Camile estudiosa, nerd, aquela que adora os bosques de Carvalho e que segue escrevendo o nome da árvore em maiúscula por ser seu sobrenome. Eu sei, às vezes escapa.

A questão é que, mesmo eu sendo sim, tudo aquilo que eu evidenciei por tanto tempo, havia outras partes de mim sufocadas. E que, em um rompante, veio à tona como uma catarse que culminou em uma tarde de inverno, uma câmera, um tripé e uma coragem.

Eu gravei o meu primeiro vídeo no dia 5 de julho de 2025 contando que eu havia voltado. Eu sei, eu já habitava o Youtube há muitos anos com vlogs, vídeos de yoga e de tudo um pouco. Mas toda a minha vida pregressa estava privada, escondida. O vazio da página do youtube me fazia acreditar que eu não era mais aquilo. Mas, ao clicar em gravar, pra contar que eu havia voltado pro youtube, mal sabia eu que, na verdade, eu estava voltando pra mim mesma.

Voltando pra Camile que ama cadernos, papelaria, canetas coloridas. A Camile que conhece as canetas pelo nome. A Camile que faz patinação, que caminha na orla, que coloca um biquini e pega um sol na praia. Que ama a roda do ano Celta, que se conecta com a lua, que abre as cartas do tarot e outros oráculos só pra dizer a si mesma o que já sabia. Aquela que passa noites lendo no Kindle, num livro em papel, ou em qualquer lugar, mas sempre com um caderno e marca-textos do lado. Aquela Camile leve que, quando tem vontade, posta a foto do cachorro, do sol, da árvore, de um livro misterioso ou dos sapatos durante a aula.

Eu estava voltando pra mim.

São 3h da manhã e eu estava agoniada. Escrevi muito nos meus cadernos. Fiz colagens. Atualizei meu planner. Organizei meu Notion. Mas mal sabia eu que esse texto, que há muito estava entalado, só precisava sair de mim para que eu pudesse, enfim, dormir.

Enquanto escrevo, compreendo mais a mim mesma.

Ah, como é bom voltar pra mim…

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7 comentários

  1. Olá, Camile! Boa tarde! Senti uma certa paz e nostalgia ao ler suas postagens, lembro da época de ouro em que era divertido entrar na internet, eu simplesmente viajava me aprofundando em blogs e o seu agora me trouxe isso. Espero que não o abandone!

  2. Que lindo, amiga, me emocionei! Como é bom te ver radiante e florescendo! Que cada dia mais vc continue expressando todas as suas versões!

  3. Como é bom estar aqui acompanhando tudo isto <3

    Obrigado por existir, Mile. E feliz reencontro de si mesma!

  4. Que bom que vc se reencontrou, Camile. Quero poder conhecer todas as suas versões, seja aqui, no YouTube, no Instagram e lá no nosso cantinho, o Telegram.

  5. sinto muita falta dos blogs como antes. Até mesmo quando o instagram de certo modo começou e as coisas lá eram mais leves. Bom ler teu texto e te acompanhar aqui.

  6. Adorei! É muito bom resgatar nossas várias partes, principalmente aquelas que realmente nos fazem bem e nos dão ânimo para seguir e encarar as burocracias inescapáveis da vida.
    Bjs