Minimalismo

Nunca é tarde para voltar à simplicidade

11/02/2016

Sempre é tempo de voltar à simplicidade » Vida Minimalista » Camile Carvalho

Sinto-me sufocada. Estou neste exato momento mergulhada entre objetos, livros e tralhas espalhados pelo meu quarto. Não consegui praticar yoga nestes últimos dias e minha respiração está completamente superficial. Passou natal, ano novo e carnaval, e parece que agora sim, a roda do ano vai começar a girar.

Quero sentir novamente os benefícios da simplicidade. Quero eliminar os excessos que cultivei nos últimos meses. São muitas roupas, muitos livros, muito tudo ao meu redor. É uma sensação estranha de que me perdi, de que estava caminhando por um caminho e de repente, sem perceber, em uma bifurcação peguei o caminho errado. Mas não. Respira. Não há caminho errado.

Acredito que tudo que vivemos tem um propósito maior, ainda que não consigamos compreender. Às vezes temos que vivenciar o outro lado da moeda para que tenhamos um estalo e, de repente, reunamos forças para voltar ao caminho em que estávamos. E é isso que parece acontecer comigo neste momento.

Tirei os livros das estantes. Dos armários. Catei tudo, até naqueles locais escondidos, e os coloquei no centro do quarto. São mais de 300 livros, a maioria empoeirado, o que me fez espirrar algumas vezes. Quais eu realmente amo? Quais eu realmente vou precisar um dia? Quais nunca li nem pretendo ler? Eu gostava do assunto A, mas agora gosto do tema B? Por que mantê-los todos aqui? Com qual finalidade? Será que terei uma imagem de culta exibindo meus 300 livros empoeirados?

Eu sei que muitos têm apegos aos livros, como eu tenho… Sim, eu confesso, sou uma “livrólatra” assumida, não posso ver uma livraria que já entro e vou procurar algo que me agrade. Mas… com vários livros na fila da leitura, quando conseguirei reler aqueles antigos, que guardo para qualquer dia, talvez?

Vou desapegar.

Vou desapegar, e não é apenas dos meus livros. Preciso desapegar do que constrói, na minha mente, a minha identidade. Tem muito de tudo ao meu redor, estou imersa no exagero. Vida Minimalista? Pois é. Depois que “briguei” com o rótulo, parece que fiz questão de fazer birra e, ainda que estivesse buscando um caminho yogue, comprei. E comprei bastante, o suficiente para ocupar meu guarda-roupas, minha escrivaninha, minhas prateleiras. Eu precisava disso? Talvez sim!

Mas eu quero voltar.

Se você está em um fluxo de energia que talvez não seja condizente com o que você pensa, você tem dois caminhos: negar e forçar caminhar contra a correnteza ou se deixar levar para depois dizer basta.

Basta.

É isso que estou dizendo agora. É hora de aproveitar a energia que me move de volta aos meus trilhos. Do lugar que não deveria ter saído, mas que foi bom ter me afastado, só pra lembrar como era bom, simples, sutil…

Primeiro serão os livros. Depois as roupas. Depois objetos empoeirados. E junto a tudo isso, também irão embora minhas inseguranças, medos, sentimentos ruins, apegos e emoções presas. Porque uma hora tudo isso tem que ir embora mesmo, ou não conseguimos mais caminhar adiante sem sofrer as consequências.

Se você também se encontra em uma situação confusa, como se tudo ao seu redor fosse demais, calma. Respire fundo. Mais uma vez. Agora solte o ar pela boca e tenha em mente que não importa a que ponto você chegou. O que importa é o que vai fazer daqui em diante.

Vamos juntos?

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10 comentários leave one →

  1. Catia Nonaka

    Super legal o texto, super me indentifiquei!

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  2. Estamos juntas pois! Adoro ler te e identifico-me tanto no que escreves.
    Por aqui o lema é “Menos é Mais”.
    Beijinho enorme**

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    • Obrigada pelo carinho, Catarina! E vamos juntas nessa!

      Menos é mais! <3

      Beijinhos!

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  3. Taís

    Acredito que a busca pela simplicidade, assim como toda grande mudança na vida de alguém, deva ser feita aos poucos. Em ciclos mesmo, como você disse “só pra lembrar como era bom”. Pelo menos pra mim, o foco da busca por uma vida mais simples é o próprio processo de mudança e não ter um número “X” de coisas. Há fases em que estou aloka do destralhe hahaha e momentos que não. Adoro seu blog, me identifico muito 🙂 você escreve muito bem e é muito pé no chão, por isso é um dos meus blogs preferidos. Estou ansiosa pra ver seus posts sobre esses novos desapegos! Grande beijo.

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  4. isso ai, camile! sempre é tempo de retomar a caminhada. Os livros podem não servir pra voce, mas certamente servirão pra outras pessoas, pois acredito que nenhum livro chega até nós por acaso! Doe! presenteie pessoas… faça a energia fluir! O que é preciso atentar é pra não repetir as mesmas coisas. a gente começa a desapegar e quando ve já comprou mais coisas, mais livros sendo que ainda temos varios a espera da leitura, mais roupas quando temos muitas, mais sapatos (sendo que os que temos já servirão por anos)

    Boa sorte!

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  5. Olá, Camile.

    Se for vender os livros faça uma lista e coloco no site..

    Gostaria de te indicar um livro no qual entendo que vc vai gostar… Compre: 44 cartas do mundo líquido moderno de Zigmunt Bauman….vai ser bastante útil para vc.

    Bjs e ótimo fim de semana

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  6. Me identifiquei com seu post. No fim do ano passado fiquei refletindo sobre o que eu tinha e o que eu precisava e percebi que não precisava de mais nada material, apenas agradecer.
    Estou em um lema de agradecer sempre e deixar que o menos seja o mais.
    Bjuxxxxx

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