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Resenha: Tarô Místico

10/10/2014

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Eu tenho uma certa atração por tarot. Além de abrir as cartas, gosto de conhecer decks diferentes, e atraída pela arte do Tarô Místico, resolvi comprá-lo. Um tarot completo tem 78 cartas, sendo 22 do arcano maior (o mais conhecido, com as cartas O Mago, A Sacerdotisa, O Carro etc.) e mais 56 cartas dos arcanos menores, que correspondem ao nosso tradicional baralho, com 4 naipes (Copas, Espadas, Ouros e Paus). No entanto, este deck é composto apenas de 42 cartas, sendo elas arcanos maiores e Ás, Valetes, Rainha e Reis.

O Tarô Místico foi idealizado por Celina Fioravanti, ilustrado por Vagner Vargas e publicado pela Editora Pensamento. Os desenhos contidos em cada carta são bem explicativos, contendo uma vasta simbologia o que nos leva a interpretar melhor durante a leitura. Como já disse, fui atraída mais pelas ilustrações da coleção do que pelo próprio tarot em si, e por esse motivo não percebi que não era um tarot completo (com suas 78 cartas).

O livro que acompanha as cartas é diferente de vários outros que já havia lido, nos ensinando a história do tarot, mas também o significado de cada carta em diversos aspectos. Em vez de dar uma explicação resumida de cada carta, ele divide em áreas (tempo, intensidade, saúde, amor, viagens etc.) comentando sobre cada carta nesses aspectos. Também nos ensina a correspondência dos arcanos às letras hebraicas, sua ligação com a Cabala e diversas formas de fazer um jogo. Confesso que foi o primeiro livro de tarot que li que contém todas estas informações. A maioria que conheço apenas dá uma sucinta explicação sobre a história do tarot e o significado de suas cartas.

A proposta do Tarô Místico é ser acessível e prático a qualquer um que queira jogar, sem portanto, ser superficial. Celina Fioravanti conta que na época em que começou seus estudos, sentia falta de maiores informações sobre o tarot, decidindo então escrever um livro para aqueles que ainda hoje têm essa dificuldade. O livro, portanto, é escrito de forma simples e clara, acessível a todos que queiram conhecer um pouco mais dessa arte.

Se você busca um tarot completo, este infelizmente não é o recomendado por possuir apenas os arcanos maiores e parte dos menores – embora a autora afirme que os números dos arcanos menores são dispensáveis. Se você está iniciando na arte da leitura, este deck é indicado, já que a explicação do livro é muito boa, sem contar que as ilustrações são muito bem feitas e atrativas, contendo uma gama de informação que o tarólogo iniciante vai aprender aos poucos.

Tarô Místico| Celina Fioravante | Editora Pensamento | Acompanha 42 cartas | Compre na Amazon

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Livros

Resenha: O Oceano no Fim do Caminho

07/06/2014

Oceano no fim do caminho (resenha) | Camile Carvalho #camilecarvalho

Não vou negar, este é um daqueles livros que não sabemos por onde começar e nem como fazer uma resenha à altura. Sempre achei muito mais fácil falar sobre o que não gosto, pois consigo pontuar cada item durante o percurso da leitura que me desagradou. No entanto, O Oceano no Fim do Caminho é justamente o oposto, superando todas as minhas expectativas e me deixando completamente sem chão.

Depois de ler algumas indicações de que o livro valeria muito à pena, resolvi dar uma olhada apenas na introdução para saber se era o tipo de história que me agradava. Quão grande foi minha surpresa que passei aproximadamente três horas com os olhos grudados no iPad sem conseguir fazer uma pausa, o lendo de uma só vez pela madrugada.

O Oceano no Fim do Caminho (Editora Intrínseca, R$ 24,90) é uma obra de Neil Gaiman e a primeira que li do autor. Conta a história de um homem de meia idade que retorna à cidade em que cresceu, na Inglaterra, mais precisamente quando tinha seus sete anos, e relembra de diversos acontecimentos que marcaram para sempre a sua vida.

Após o suicídio misterioso de um homem dentro do carro de seu pai e o aparecimento repentino de moedas por toda parte, o narrador – em primeira pessoa e de nome desconhecido – conhece uma menina um pouco mais velha, de onze anos, que mora com a mãe e a avó, todas muito misteriosas.

Vivendo algumas experiências insólitas, o menino passa a ser testemunha de vários segredos os quais não tem com quem compartilhar, já que sua nova babá também é uma peça-chave deste mistério. A narrativa feita pelo próprio personagem nos deixa em dúvida se tudo aquilo realmente está ocorrendo ou se faz parte de sua imaginação.

A questão é que durante alguns acontecimentos e diálogos um tanto irreais, o leitor se depara com várias possibilidades de reflexões profundas sobre diversos aspectos da existência. Fazendo um paralelo com arquétipos religiosos, é possível observar traços de elementos pagãos, budistas, védicos e principalmente científicos, relacionados à física e astronomia.

“Soube o que era o Ovo – onde o universo se iniciou, ao som de vozes incriadas cantando no vácuo – e eu soube onde estava a Rosa – a dobra peculiar de espaço no espaço em dimensões como origami e que florescem como orquídeas estranhas, e que marcaria a última época boa antes do consequente fim de tudo e o próximo Big Bang, que não seria, agora eu sabia, nem nada do gênero.”

A narrativa é tão leve e fluida que parece estarmos sobrevoando aquele ambiente etéreo, sombrio e onírico da estranha fazenda encontrada no ponto onde a estrada termina. O oceano representado no livro também é carregado de sentidos, nos fazendo pensar ao mesmo tempo que o que nos é apresentado não é real, mas que há uma possibilidade de ser.

Oceano no fim do caminho (resenha) | Camile Carvalho #camilecarvalho

É extremamente difícil tentar explicar em palavras o que Neil Gaiman conseguiu provocar com sua obra e certamente é um livro que pretendo reler em breve, para que seja possível identificar mais elementos interessantes ocultos em seu texto. Indico a todos que desejem ter uma experiência diferente com um livro, não apenas uma leitura superficial. É sem dúvidas aquele tipo de obra que nos faz pensar sem conseguir compreender direito o porquê.

“Eu me perguntei, como frequentemente me perguntava quando tinha aquela idade, quem eu era e o que exatamente estava olhando para o rosto no espelho. Se o rosto para o qual eu olhava não era eu, e sabia que não era, porque eu ainda seria eu não importava o que acontecesse ao meu rosto, então o que eu era? E o que estava olhando?”

GAIMAN, Neil. O oceano no fim do caminho. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2013.

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Livros

Web 2.0 Redes Sociais – Antonio Spadaro

02/06/2014

Quando a editora Paulinas entrou em contato comigo oferecendo alguns livros para que eu pudesse lê-los e compartilhar minha opinião, lembrei-me logo de um livro que li durante minha pesquisa de religiões e redes sociais, o Ciberteologia. Dentre algumas opções, fiquei curiosa em ler o Web 2.0 – Redes Sociais que é do mesmo autor, Antonio Spadaro, e hoje vim compartilhar minhas impressões sobre sua obra e o trabalho da editora que já acompanho há um tempo.

Antônio Spadaro é um padre jesuíta italiano, professor da Pontifícia Universidade Gregoriana. É autor de diversas obras sobre cultura e internet e tem publicado vários livros, como o Ciberteologia – que eu já havia lido – e este que apresento, o Web 2.0 – Redes Sociais.

O livro possui 151 páginas com uma bela diagramação usando fontes confortáveis impressas em papel branco. É um dos poucos livros que tenho lido impresso em cores, o que confere um visual moderno, mostrando o cuidado que a editora teve ao planejá-lo. Um detalhe interessante é que, cada capítulo – reservado a uma ferramenta da web diferente – possui a cor correspondente sinalizada em seu rodapé, sendo fácil encontrar a localização do capítulo sobre o Facebook, por exemplo, apenas procurando sua cor azul escura. O mesmo ocorre com o Blog, Twitter e os demais.

Capítulo falando sobre blogs

Web 2.0 é dividido em 9 capítulos, dentre os quais o primeiro analisa a internet como rede social, 7 abordam tais ferramentas (Blog, Podcast, Wikipedia, Second Life, Facebook, aNOBii e Twitter) e o último fala sobre segurança e privacidade. Spadaro defende que “a tecnologia não é inimiga das verdadeiras relações; ao contrário, pode ser sua melhor aliada” (p. 145), mas também completa que é necessário aprender a integrá-la no contexto da vida.

Apesar de voltado ao cristianismo, o autor faz sua análise e defende suas teorias de forma independente das influências teístas, complementando cada capítulo, porém, com observações de como organizações religiosas estão usando as mídias a favor de suas comunidades. Spadaro dá exemplos de Podcasts religiosos (Godcasts), grupos de discussões sobre o tema criados no Facebook e até igrejas, mesquitas e templos destinados a orações coletivas dentro do jogo Second Life. Para ele, “as formas de comunicação não são simplesmente ‘superadas’, mas integradas num nível superior” (p. 100).

Web 2.0 é voltado àqueles que querem pensar sobre as modificações ocorridas ao longo do tempo na internet em relação às organizações sociais, e como utilizar-se delas para melhorar a comunicação dentro de uma comunidade. Como já citado, o autor acredita que as relações humanas podem ser beneficiadas com os avanços da tecnologia, desde que haja uma correta integração com o cotidiano de seus usuários. É um bom livro para refletir sobre a Web 2.0 e inspirar-se para melhorar a comunicação interna de um determinado grupo social, seja ele religioso ou não.

Spadaro, A. Web 2.0 – Redes sociais. São Paulo: Paulinas, 2013.

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