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Tecnologia

Fiquei offline – E foi libertador!

27/06/2016

Itaipuaçu - Rio de Janeiro | Fiquei Offline e foi libertador! | Camile Carvalho Blog

Eu poderia ter ficado pelo Rio de Janeiro no domingo, mas resolvi passar o dia em Itaipuaçu com meus pais. Pra quem não conhece, Itaipuaçu fica a 55km do Rio e dependendo da estrada, fazemos o percurso em uma hora. O dia estava lindo e assim que acordei, já arrumei a mochila pra pegar a estrada.

O que foi um azar, acabou sendo a minha sorte: semana passada o carregador do meu  notebook simplesmente parou de funcionar. Enquanto arrumava a mochila, resmunguei pelo fato de não poder levar meu notebook comigo, ou seja, ficaria sem acessar o blog, sem escrever e sem desperdiçar tempo navegando aleatoriamente por sites e redes sociais. Peguei então o iPad, alguns livros e fui pro meu paraíso pessoal.

O dia estava lindo, pássaros cantando e aquele sol fraco entrando pelo meu quarto me inspirou a desfrutar apenas do momento presente. Deixei o celular sobre a mesa da sala depois de checar rapidamente minhas redes sociais, sentindo um vazio imenso. Não tinha nada novo, então o guardei na mochila.

Passei uma tarde calma, serena e aconchegante com meus pais e o Freddy. Colocamos o papo em dia, e lá pro fim da tarde fiz algo inusitado: fui até a padaria do bairro sem celular. Pois é. E não, isso não era pra ser inusitado. Pelo menos pra mim.

Isso me tocou de uma forma muito profunda, o que é muito estranho. Desde quando sair sem o celular nas mãos é algo estranho, incomum e inusitado, quase como um ato revolucionário? A que ponto chegamos? Desde quando me tornei tão dependente de um smartphone? 

É verdade que a tecnologia avança para nos auxiliar, mas no momento em que nos tornamos dependentes psicologicamente de um aparelhinho, algo está muito errado. Aplicativos, jogos e redes sociais estão aqui para nos servir, e jamais o contrário. Porém, devo concordar que esse hábito de checar constantemente o feed de notícias, se chegou email e se alguém mandou alguma mensagem já se tornou um hábito para muitos de nós.

A conclusão é que nada de tão importante aconteceu. Sim, chegaram mensagens de amigas lindas, para as quais respondi hoje, pude ler o feed de notícias hoje pela manhã e o melhor: aproveitei um dia inteirinho com minha família, com uma vista linda e com pássaros cantando. Sem fones de ouvido e sem telas brilhantes na minha frente.

Foi bom? Foi demais! E certamente repetirei mais vezes. Só espero que essa desconexão de um dia ou pelo menos algumas horas se torne um hábito, substituindo outros hábitos automáticos que me fazem ficar tão grudada numa tela ao invés de prestar atenção ao meu redor.

E vocês, como lidam com a tecnologia? Estão sempre conectados ou conseguem ficar offline de vez em quando?

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Nossas vidas nas nuvens

07/10/2015

Nossas vidas nas nuvens » Camile Carvalho • camilecarvalho.com

Certa vez, minha professora de Arquitetura de Informação comentou algo na sala de aula que me deixou intrigada. Ao debatermos sobre o futuro da informação agora em novo suporte digital, ela comentou que mesmo que migremos para o meio digital, nossa ânsia de acumular objetos não diminuiria, apenas estaria direcionada a outro espaço: o virtual. E completando a linha de raciocínio, levantou o questionamento sobre nosso verdadeiro motivo de querer acumular tudo.

Me transporto para as antigas eras, nas quais o homem vivia em suas cavernas e que precisava acumular o máximo de alimento que conseguisse coletar (ou posteriormente, cultivar) a fim de resguardar sua sobrevivência. O tempo foi passando e mantivemos esse apego aos objetos, às nossas posses. Queremos ter, pegar, olhar, guardar, só pra ter uma sensação de segurança. Mas nosso lar deixou de ser o repositório de tudo o que temos.

Transferimos nossos itens preciosos ao computador. E, a cada música baixada, a cada filme pirateado, acabamos acumulando tantos bytes que nossos HDs mal suportavam. E de um disquete, precisamos desenvolver o CD-ROM. E do CD-ROM, o DVD-R. RW, pra sobrescrever. HDs externos com mais e mais capacidades. Aquela foto que você tirou em 2007? Certamente ainda está lá. O problema é encontrá-la. E com isso tiramos objetos de nossas estantes, tiramos álbuns de fotos empoeirados e acumulamos em dispositivos digitais. Substituímos nossos livros por megabytes digitais em nossos Kindles, iPads e celulares. Mas ainda assim acumulamos, acumulamos e novos dispositivos, cada vez com mais espaço, são criados para dar vazão. E então surge a grande solução para guardarmos cada vez mais, sem ocuparmos espaço. Digo, o nosso espaço: as nuvens.

O que, afinal, estamos fazendo com nossos arquivos e acúmulos? Assinamos planos de serviços nas nuvens, jogamos nossos bytes sabe-se lá aonde e com isso nos sentimos confortáveis, pois podemos guardar cada vez mais. Transferimos uma música da internet (nuvem) e jogamos em um espaço não-palpável (nuvem) mas que nos pertence. A ânsia de acumular não acabou, apenas guardamos, como um esquilo guarda suas nozes, de uma outra forma, ainda mais estranha.

Se pararmos pra pensar sobre os dispositivos de memória, fica difícil prever aonde chegaremos no futuro. Se um pendrive de 16Gb de capacidade ocupa o mesmo espaço físico de um que armazena 1 Terabyte, o que poderemos armazenar no futuro no mesmo espaço, ou até em um dispositivo menor? Tudo? E o que é o tudo, afinal? Seremos capazes de armazenar um backup completo de nossas vidas em um único ponto microscópico de armazenamento quase infinito? E quem seremos, caso este dia chegue? Nós, ou nossos backups? E isso não seria uma forma de preservação da nossa existência?

E então, divagando sobre tudo isso, olho para meu computador e me pergunto por que ainda guardo tantos arquivos inúteis que um dia virarão uma simples poeira cósmica binária nessa imensidão de zeros e uns. E começo a pressionar o botão delete sem dó nem piedade, porque, por mais que eu tenha minha nuvem, quero que pelo menos um futuro backup da minha vida seja organizado.

imagem » daqui

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Minimalismo

O minimalismo e a quantidade

05/07/2015

O minimalismo e a quantidade |Camile Carvalho  #camilecarvalho

Quando conheci o conceito do minimalismo, não havia muitas pessoas escrevendo sobre isso, nem em blogs nem em livros. Blogs como Zen Habits, Be More With Less, Unclutterer entre outros eram algumas de minhas fontes de inspiração sobre o assunto, e quanto mais eu os lia, mais olhava ao meu redor e me sentia sufocada com tantos pertences que havia acumulado há anos.

No meu armário, além de muitas roupas, também se encontravam jogos da minha adolescência, pastas de recordações, caixas de brinquedos – um dia meus filhos vão brincar com isso – e objetos que eu sequer sabia que estavam ali. Era tudo em grande quantidade, que se alguém me perguntasse o que eu tinha guardado, eu não saberia responder de forma objetiva.

Na minha escrivaninha – que mal fechava a gaveta – papeis pulavam por toda parte. Cadernos antigos, anotações, xerox de aulas que eu não tinha mais e muitas, mas muitas canetas de todos os tipos.

Se percorrêssemos os olhos pela estante da sala, mal conseguiríamos encontrar um CD ou DVD específico tamanha era a bagunça, provocada também, claro, pelo excesso de itens.

Meu ponto de partida foi quando, depois de consumir bastante informação sobre minimalismo em blogs estrangeiros, ler alguns livros sobre budismo – que por sinal, recomendo a todos que querem aprender sobre o desapego – e participar de algumas listas de email sobre organização e GTD, houve a tragédia das enchentes na Região Serrana aqui no Rio de Janeiro.

Sei que já contei esta história diversas vezes, mas é sempre bom relembrar. Por mais que leiamos sobre algo, nos interessemos por determinado assunto, às vezes precisamos de algo que nos dê um empurrão, e infelizmente foi uma tragédia como esta que me fez repensar se havia mesmo a necessidade de manter guardado tudo o que eu tinha acumulado por anos. Foi então que comecei, sem dó nem apego, a esvaziar meu guarda-roupas.

Depois do primeiro declutter, não consegui mais parar. Eu queria reduzir ao mínimo meus pertences, em busca de uma nova vida mesmo, como um recomeço. A sensação de ter o controle sobre minha vida me motivou a me desfazer de tudo o que não fazia mais sentido manter. Roupas, livros, artigos de papelaria, brinquedos, CDs e DVDs… quanto menos sobrasse melhor, e números, nesta época, significavam muito pra mim.

Qual seria o número ideal de peças de roupas? E de livros? Quantos pares de meia eu deveria ter?

Busquei respostas em blogs e me animava ao encontrar projetos minimalistas de pessoas que viviam com 100 objetos. Mas pra minha tristeza, após contar minhas roupas, eu via claramente que nunca conseguiria me encaixar neste modelo de vida. Isso significava que eu precisaria me esforçar mais para ser digna de ganhar o rótulo minimalista, como um prêmio em plaquinha a ser colocada na parede do meu quarto.

Algo estava errado. Eu  jamais conseguiria ter um número x de objetos. Mas eu queria ser minimalista. Queria desfrutar dos benefícios que uma vida menos acumuladora me proporcionaria. E foi ao longo dos meses, dos anos, que aprendi algumas coisas em relação ao minimalismo:

1. Minimalismo não é um rótulo

Eu não preciso sair por aí com uma faixa na testa dizendo que sou minimalista. Nem tampouco preciso seguir padrões pré-estabelecidos para fazer parte de um grupinho. Isso não é um clube, é nossa vida individual.

2. Não viver em caixinhas

Se eu sou minimalista, LOGO, devo agir de tal e tal forma, pensar de tal e tal maneira etc. Não, eu não preciso. Claro que uma reflexão leva a outra, uma atitude pode estar relacionada a outra, mas não precisamos adotar um bloco de estereótipos para nos considerarmos fazendo parte de algo.

Um exemplo? Pessoas minimalistas vivem em casas quase sem móveis, num ambiente com cores claras, móveis modernos, têm sobre a mesa apenas um computador, uma caneta e blá blá blá. Não! Esqueçam isso. Vocês podem pensar o minimalismo e manter suas almofadas coloridas indianas sobre o sofá retrô e manter sua parede da sala pintada de azul turquesa. Acredite!

3. Não precisamos competir

Tenho percebido que alguns minimalistas parecem competir em relação a quantidade de roupas, itens, livros etc., mas a transformação pessoal deve vir de dentro, não por um motivo externo. Ninguém precisa se comparar a ninguém, o processo de autoconhecimento e desapego deve ser pessoal e por motivações internas e não ligadas ao ego.

4. Quantidade não é importante

Qualidade sim. Qualidade de vida, qualidade do que decidimos manter em nossas vidas. Qualidade das amizades, dos livros, enfim, números pouco importam. O que importa mesmo é se você vai sentar-se em sua casa, respirar fundo, olhar ao redor e se sentir feliz, pleno e grato por estar em um ambiente agradável com coisas que te fazem bem, e não em um ambiente cheio de tralhas acumuladas que só servem para ocupar espaço e não significam nada.

5. Não precisamos nos desfazer do que amamos

Se você ama livros, mas quer adotar o minimalismo como princípio de vida, qual o problema em manter sua biblioteca pessoal? Nenhum problema. Esteja cercado daquilo que você ama. Se sua paixão é aquela coleção de carrinhos sobre a prateleira, não há problema algum em mantê-la. A questão em foco é desapegar daquilo que não faz mais sentido em suas vidas. Sabe aquelas roupas que não cabem mais? Aqueles sapatos que te apertam e você não usa? Aqueles livros infantis que você tem guardado numa caixa sobre o guarda-roupa há anos? Desapegue. Mas nunca se sinta culpado em manter o que você realmente gosta.

Escrevi este post pra tentar explicar a quem está conhecendo o conceito minimalista agora, numa tentativa de mostrar que você não precisa sair de um extremo diretamente ao outro. Você não precisa viver com pouco, mas com o suficiente. Você não precisa abandonar o que ama para se enquadrar em uma caixinha rotulada. Abandone apenas o que não precisa estar com você. Objetos, sentimentos, tudo o que não fará falta ou está te prejudicando. O resultado será mais espaço para coisas boas entrarem em sua vida. Sim, coisas boas, e jamais um sentimento de tristeza ao forçar algo que você não é.

Esvazie suas gavetas, limpe seu ambiente. Sente-se com os olhos fechados e respire fundo. Ainda não se sente feliz no seu lar? Recomece o processo. Só você saberá o ponto de equilíbrio, o caminho do meio. Tente ouvir aquela voz que vem de dentro. Não busque externamente, em caixinhas e rótulos, mas procure dentro de você sua própria essência.

imagem: Pixabay

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