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Inspiração, Yoga

Vivendo o momento presente

22/07/2016

Vivendo o momento presente | Leve por aí | #leveporai

Quando me deu o start de voltar a buscar a simplicidade em tudo, como no começo do meu blog, eu estava em Itaipuaçu, aquele meu paraíso pessoal. Acordava de manhã com o sol fraco no meu rosto, pássaros cantando e tinha dias que duravam uma eternidade. Mesmo fazendo tudo que eu tinha pra fazer no dia, parecia que sobravam horas, o que me permitia deitar na rede e ler um bom livro. Bem, assim passei duas semanas de descanso em Itaipuaçu, mas agora estou de volta ao meu paraíso de concreto: Rio de Janeiro.

Vocês podem estar se perguntando: paraíso de concreto? Mas afinal, amo ou odeio o Rio de Janeiro? A resposta é clara: eu amo a vida que tenho. Quando aprendemos a dar valor ao que já temos, tudo fica mais fácil. Gostaria de estar no momento em uma casinha simples no meio do mato? SIM! Gostaria, aliás, de estar viajando o mundo. De passear pela Índia, desbravar cidades russas, andar pelas ruas de Tóquio e tomar uma água de côco em Aruba. Mas essa não é minha realidade. Não agora.

Quando aprendemos a sermos gratos pelo que temos, começamos desenvolver um outro olhar sobre nossas vidas. Tem muitas pessoas por aí com uma vida melhor que a minha? Sim! Mas também tem muitos com uma vida não tão boa. A situação que tenho hoje é o que tenho, e apesar de parecer um tanto conformista, creio que é apenas uma forma de darmos valor ao caminho que já trilhamos e às nossas conquistas.

O homem parece que quer sempre mais. Quando conquista algo, mal aproveita o que conquistou e já está pensando em planos futuros. Por um lado é bom, pois nos faz permanecer em movimento. Transformações são bem-vindas, mas aproveitar o momento é melhor ainda.

Até quando vamos ficar ansiosos pela próxima parada? Ser conformista é estar acomodado e não querer sair da zona de conforto, o que é completamente diferente de se conectar com o momento presente e perceber o quanto podemos ser felizes com o que temos agora. Planejar mudanças é algo totalmente diferente de viver no futuro, de depositar nossa felicidade em algo que ainda não aconteceu.

Sejamos felizes hoje, com o que temos. Saibamos agradecer pelo caminho longo que já percorremos até aqui. E que todos nós possamos manter o pensamento elevado e o coração aberto para tudo o que está por vir. Estamos em constante mudança, em uma longa caminhada, e as únicas coisas que podemos fazer no momento presente é olhar pra trás e sermos gratos pelo que já vivemos, olhar para frente e confiarmos que nossos planos serão concretizados com nosso esforço e dedicação, e olhar para o presente e termos a certeza de que estamos no ponto onde deveríamos estar.

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Meditação, Yoga

Meditação: observando seus pensamentos

23/05/2016

Meditação: observando seus pensamentos | Camile Carvalho | Vida Minimalista #camilecarvalho

A meditação, assim como yoga, é uma prática constante. Não é algo que fazemos um dia só e pronto: nos tornamos iluminados e perfeitos.

No começo, pode até parecer difícil sentar-se quieto durante um determinado tempo e simplesmente não pensar em nada, mas a meditação não necessariamente exige esse esvaziamento da mente. Pra falar a verdade, cessar o fluxo de pensamentos é uma consequência de uma prática constante, não uma exigência para quem está começando agora.

Mindfulness, a atenção plena

Meditar é estar consciente do momento presente. No instante em que estamos com o foco no que está acontecendo no aqui e agora, estamos em estado meditativo, independentemente se estamos caminhando por um parque, escrevendo um texto ou lavando uma louça. Podemos meditar e estarmos com atenção plena (mindfulness) em diversos momentos do nosso dia, e a prática da meditação nos leva a prestarmos mais atenção a esses momentos, aumentando assim a nossa consciência sobre o que estamos fazendo.

No começo pode ser que prestemos atenção apenas em uma pequena atividade durante as 24 horas do dia. Pode ser pouco, mas já é um ótimo começo. Com o tempo, começamos a ter mais momentos de atenção plena enquanto desenvolvemos atividades comuns. Como expliquei, meditar é uma prática que deve ser feita constantemente, e quanto mais meditamos, mais aumentamos essa janela de estarmos presentes e inteiramente concentrados.

O estado de atenção plena é importante, mas para chegarmos a esse estado, é necessário que tenhamos um momento para nós mesmos. Sentados, em silêncio, prestando atenção em nossa respiração e acalmando nossa mente. A ideia da meditação silenciosa e sentada é que consigamos levar esse estado de atenção ao nosso dia-a-dia, para que possamos realizar nossas tarefas com atenção plena.

Portanto, se você acha que meditação não é pra você, experimente apenas sentar-se de maneira confortável onde você está, fechar os olhos e prestar atenção no ar que entra e sai pelas suas narinas. Se um pensamento vier em sua mente, não se envolva com ele, apenas observe. Repare que nossa mente não pára um segundo sequer, e de um pensamento logo surge outro, e outro… ria de sua mente. Ache graça na forma como tudo parece descontrolado.

O descontrole dos pensamentos

Chega parecer loucura a forma como nossa mente acha ligação entre um assunto e outro, mas apenas deixe que fluam tais pensamentos. Seja o observador de sua própria mente e perceba que você não é seus pensamentos. Eles existem? Sim! Mas não se identifique. Apenas observe e perceba que por muitas vezes, achamos que somos nossos próprios pensamentos e nos envolvemos com eles, nos deixamos levar… mas pense comigo: se somos nossos pensamentos, como podemos observá-los?

Reflita sobre isso e procure praticar essa meditação por alguns minutos diariamente. Você vai perceber que aos poucos conseguirá se concentrar melhor em suas tarefas e desenvolver suas atividades diárias com mais sentimento de presença. Afinal, o estado de mindfulness é quando não estamos revivendo o passado nem ansiosos com o futuro. Estamos apenas ali, vivendo o que estamos vivendo, com atenção total.

Se você experimentou a meditação, conte pra mim aqui nos comentários suas experiência.

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Leituras

O que aprendi com o livro Manual de Limpeza de um Monge Budista

04/03/2016

Manual de Limpeza de um Monge Budista, de Keisuke Matsumoto (resenha) | Camile Carvalho #camilecarvalho.com

Uma das ideias que tenho pra nova fase do Vida Minimalista é compartilhar com vocês insights e aprendizados que obtive durante a leitura de alguns livros. Não será uma espécie de resenha super elaborada, mas sim debater alguns conceitos, trazer reflexões mais relacionadas ao conteúdo de livros/filmes/documentários do que a própria resenha em si.

Hoje vou falar um pouco sobre alguns insights que tive ao ler o livro Manual de Limpeza de um Monge Budista, o qual já fiz resenha lá no Vida Conectada (clique aqui para ler). O primeiro ponto que percebi ao ler este livro, é que devemos sempre estar com a mente aberta para aprender sobre uma outra cultura. Em vez de pensar, por exemplo, como eles são metódicos demais com a limpeza e higiene, é sempre bom se inserir na cultura do outro pra tentar compreender os motivos de tais hábitos. Quando falamos de limpeza de monges budistas, estamos nos referindo a pessoas extremamente organizadas, com uma cultura de cooperação muito forte e uma disciplina incomparável.

A limpeza dos toaletes

Segundo o autor, Keisuke Matsumoto, se o banheiro de uma casa estiver negligenciado, a impressão da casa inteira também ficará, podendo ficar manchada a hospitalidade do anfitrião. Por este motivo, eles costumam investir muito tempo e energia na limpeza dos toaletes.

A faxina é feita pela manhã e à noite, mas é claro que podemos adaptar à nossa realidade, afinal, dificilmente no nosso dia-a-dia temos condições de limpar o banheiro duas vezes por dia, mas podemos dedicar algumas horas no fim de semana para dar uma arrumada geral. Quanto mais tempo deixamos para limpar qualquer parte da casa, pior será a próxima faxina.

Alimentação e atenção plena

Outro ponto importante para eles é a cozinha. Um local quase sagrado, onde os alimentos – fonte da vida – são preparados. Ao se alimentarem, os monges permanecem em silêncio, prestando atenção ao seus alimentos e evitando sempre o desperdício. Essa é um conceito de Mindfulness, ou em português, Atenção Plena. Eles costumam comer até se sentirem mais ou menos 80% satisfeitos, o que faz bem pro organismo e pra digestão. Na verdade, o cérebro demora um pouco pra que o estímulo de saciedade chegue, então quando comemos depressa e em grandes quantidades, quando percebemos que já estamos saciados, é porque já estamos estufados e passando dos limites.

Essa lição de atenção plena é muito importante pra mantermos uma vida mais saudável, já que nos proporciona um momento de interação com o alimento, de consciência do que estamos comendo e nos faz perceber melhor a textura, o sabor, o aroma e tantas outras características, além de nos ajudar a desacelerar da correria das nossas rotinas. Uma ótima lição para quem tem o costume de jantar assistindo TV, conversando alto ou mexendo no celular. Claro, um jantar em família não é pra ser em silêncio absoluto, mas é sempre bom não tratarmos o nosso alimento como apenas um coadjuvante.

“Mastigue cada porção devagar e pare quando o estômago estiver 80% cheio. Mastigue bem, e o estômago será estimulado: a saciedade virá mais cedo e a vontade de comer por impulso diminuirá.”

A importância do desapego

O que mais me chamou a atenção no livro foi a parte do desapego. Eu tenho uma espécie de radar que sempre está alerta para quaisquer sinais de minimalismo, desapego e simplicidade em todas as minhas leituras, filmes e por onde eu passar. Há, no livro, um capítulo sobre a importância do desapego, e na visão do autor, “a vida sem bens materiais é bastante agradável“, proporcionando liberdade de espírito. Ele ainda afirma que somente o que é bom permanece ao seu lado quando temos poucos e seletos objetos.

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Eu particularmente gostei bastante dessa leitura. Por mais que seja um livro rápido de ler, sempre é bom se inspirar no modo de vida de outras pessoas e outras culturas, para podermos aproveitar dicas e adaptarmos à nossa realidade. O livro fala sobre uma vida monástica, na qual vivem em média 10 monges em cada aposento com seus poucos pertences e vivem em função do templo, mas mesmo nós, vivendo em cidades grandes, tendo muitas vezes uma rotina de trabalho e estudos, podemos extrair a essência de cada dica e ensinamento e aplicar um pouco em nossa rotina.

Acho que os principais aprendizados que tive do livro foram a de comer com atenção plena, cuidar bem da cozinha e do banheiro, ter apenas aquilo que nos faz bem e nos traz liberdade, e claro, manter nosso lar limpo para nosso próprio bem-estar e conforto. Afinal, uma casa limpa e acolhedora é sempre bem-vinda.

Quem também já leu este livro? O que achou? Compartilhe suas opiniões!

» O livro Manual de limpeza de um monge budista pode ser adquirido no site da Amazon.

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