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Yoga

Quando apenas caminhei e respirei

04/01/2017

Todo dia eu acordo cedo, tomo meu café da manhã e parto em direção à praia, para caminhar, mergulhar e pegar um sol. Gosto deste momento, de entrar em contato com meus próprios pensamentos, mas carrego na minha bolsa de praia meu celular, meu Kindle, protetor solar entre tantas outras coisas. Fico tão entretida com o que carrego na bolsa que esqueço-me de aproveitar o momento presente.

Pensando nisso, fiz um desafio: acordei cedo, como todos os dias. Tomei meu café da manhã às 7:30 como de costume e, deixando o chinelo, bolsa e qualquer outra roupa, parti pra praia sem nada, apenas de biquini.

Caminhei pela areia quente que por alguns instantes começaram a queimar meus pés. Corri até a faixa de areia molhada e iniciei minha caminhada. Apenas eu e meus pensamentos.

Escutei o barulho do mar, do vento, dos pássaros. Apreciei cada detalhe que cruzava meu caminho. Conchas de formatos diferentes – estariam elas ali o tempo todo durante minhas outras caminhadas? Pássaros que corriam sobre a marola de água em busca de pequenos peixes, aves que voavam em bandos… as ondas do mar que, em cada trecho de praia, se comportavam de forma diferente.

Um pescador, um casal de namorados, os peixes nadando, mais uma parada para um mergulho no mar. Cada momento que experimentei foi divino, único.

Sentei-me diretamente na areia em postura de meditação e, com meus olhos semicerrados, pratiquei a meditação zazen. Esvazie-me de mim mesma, encontrei espaço na minha mente tão turbulenta. Abri meus olhos e bem diante de mim só havia o mar, o céu e o sol.

Uma experiência única, que quero viver novamente. Uma experiência de conexão com a Terra, com minha respiração, com o movimento constante das águas em encontro com a areia. E assim, vivendo intensamente o momento presente, me reconectei.

Palavras não são capazes de descrever o que senti, mas posso dizer a cada um de vocês que experimentem a sensação do vazio, do deixar fluir, do poder de estar no agora. Porque a vida é o nosso maior presente, não devemos deixar que ela flua por nossos dedos preocupados com o passado nem com o futuro. Viva o agora.

obs.: a foto foi feita em outro dia. 🙂

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Yoga

Crônica sobre Meditação

11/06/2016

Crônica sobre Meditação | Camile Carvalho

Às vezes, tudo o que preciso é sentar-me quieta, coluna ereta e apenas respirar. Respirar sem contar o tempo. Deixar que pensamentos apareçam do nada e tentem me tirar da concentração em que me encontro. Mas, sou persistente, então apenas os observo, e com um semi sorriso no canto da boca, deixo que eles sigam seu caminho tranquilamente, para uma outra mente talvez.

Permaneço sentada em postura de lótus. Na verdade, semi lótus, já que ainda não tenho alongamento suficiente pra manter meus dois pés sobre as coxas sem que fiquem roxos. Mas nada disso importa, já que o foco, aqui, é a mente. Outro pensamento surge, como se fosse o próximo da fila. Sabe aquela fila sem estratégia, como quando pessoas aleatórias vão chegando e se amontoando por ordem de chegada? Pois é.

E então os pensamentos ficam ali, aguardando seu momento de cumprirem suas missões: de me tirar do estado meditativo. Espremidos, tentando ver o que está acontecendo no palco principal, os pensamentos parecem até disputar quem vai chegar primeiro na cena principal, quem vai ser o próximo. Às vezes o vigia dá uma cochilada e dois entram juntos no palco, mas na maioria das vezes, mal um está se retirando quando outro, sem ligação nenhuma com o anterior, já se projeta querendo chamar atenção.

Os mais comuns são aqueles que me trazem lembranças de tarefas inacabadas, ainda mais quando os prazos estão se esgotando. Há também aqueles que estão tão ligados ao futuro, que me causa uma ansiedade tremenda. Um outro muito famoso é o que provoca a sensação de que algo não vai dar certo. Ora, como não vai dar certo se ainda nem tentei? O descarto imediatamente, e ele sai triste, cabisbaixo de sua apresentação, quando em seguida entra aquele valente, que lê um texto decorado sobre contas a pagar, compras a fazer e tantas outras coisas que não são possíveis de serem resolvidas naquele instante. Apenas sorrio novamente e deixo que ele siga seu caminho, sem ao menos lhe dar atenção.

E então, os pensamentos que estão nos bastidores, começam a desanimar. – “Afinal, qual graça tem de nos apresentarmos no palco da mente de um indivíduo que sequer nos dá papo?”

E então alguns começam a desistir da apresentação. Uns ficam ali, sentados e desmotivados com o queixo apoiado na mão. Outros ainda insistem, mas percebem que eles tinham mesmo razão. “Ela não está nem aí. Parece distraída, com outras coisas na mente.

Eles começam então a conversar entre si, se entretendo com seus assuntos próprios nos bastidores. Já não querem mais surgir no palco principal. Perdeu a graça. E quando perde a graça, é quando tudo acontece. Enfim, percebo que não sou meus pensamentos. Que eles estão ali, fazem parte da minha história – isso é inegável – mas que não têm poder de me comandar. Eu é que estou no comando.

E não preciso de muito para ter este insight. Basta sentar-me com a coluna ereta em um local tranquilo, manter os queixos paralelos ao chão e prestar atenção na respiração. Pra ajudar, posso até contar a respiração: 4 tempos inspirando e 8 expirando. E assim, todos aqueles pensamentos que antes disputavam o palco principal da minha mente de forma confusa e caótica, começam a ser disciplinados.

Claro, eu reconheço, eles têm lá sua importância, mas apenas quando são requisitados. E, a cada dia de prática de meditação, cada vez que fecho meus olhos e levo meu foco à respiração, percebo que eu tenho pensamentos e tenho emoções, mas eles não me possuem.

Sejam bem-vindos, queridos pensamentos. Eu juro que amo todos vocês! Puxem uma cadeira e aproveitem o café quentinho, mas venham de forma mais organizada, um de cada vez, e em fila… Mas quando eu precisar meditar, já sabem, né? Fiquem quietinhos, pra não atrapalharem o meu silêncio interior.

Gratidão, meditação, por me fazer uma pessoa melhor a cada dia. Por me fazer perceber que ter um momento pra mim é importante. E por me mostrar que cessar os barulhos externos é fácil, difícil mesmo é lidar com o ruído interno. Mas com prática e persistência chegaremos lá.

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Yoga

Meditação: observando seus pensamentos

23/05/2016

Meditação: observando seus pensamentos | Camile Carvalho | Vida Minimalista #camilecarvalho

A meditação, assim como yoga, é uma prática constante. Não é algo que fazemos um dia só e pronto: nos tornamos iluminados e perfeitos.

No começo, pode até parecer difícil sentar-se quieto durante um determinado tempo e simplesmente não pensar em nada, mas a meditação não necessariamente exige esse esvaziamento da mente. Pra falar a verdade, cessar o fluxo de pensamentos é uma consequência de uma prática constante, não uma exigência para quem está começando agora.

Mindfulness, a atenção plena

Meditar é estar consciente do momento presente. No instante em que estamos com o foco no que está acontecendo no aqui e agora, estamos em estado meditativo, independentemente se estamos caminhando por um parque, escrevendo um texto ou lavando uma louça. Podemos meditar e estarmos com atenção plena (mindfulness) em diversos momentos do nosso dia, e a prática da meditação nos leva a prestarmos mais atenção a esses momentos, aumentando assim a nossa consciência sobre o que estamos fazendo.

No começo pode ser que prestemos atenção apenas em uma pequena atividade durante as 24 horas do dia. Pode ser pouco, mas já é um ótimo começo. Com o tempo, começamos a ter mais momentos de atenção plena enquanto desenvolvemos atividades comuns. Como expliquei, meditar é uma prática que deve ser feita constantemente, e quanto mais meditamos, mais aumentamos essa janela de estarmos presentes e inteiramente concentrados.

O estado de atenção plena é importante, mas para chegarmos a esse estado, é necessário que tenhamos um momento para nós mesmos. Sentados, em silêncio, prestando atenção em nossa respiração e acalmando nossa mente. A ideia da meditação silenciosa e sentada é que consigamos levar esse estado de atenção ao nosso dia-a-dia, para que possamos realizar nossas tarefas com atenção plena.

Portanto, se você acha que meditação não é pra você, experimente apenas sentar-se de maneira confortável onde você está, fechar os olhos e prestar atenção no ar que entra e sai pelas suas narinas. Se um pensamento vier em sua mente, não se envolva com ele, apenas observe. Repare que nossa mente não pára um segundo sequer, e de um pensamento logo surge outro, e outro… ria de sua mente. Ache graça na forma como tudo parece descontrolado.

O descontrole dos pensamentos

Chega parecer loucura a forma como nossa mente acha ligação entre um assunto e outro, mas apenas deixe que fluam tais pensamentos. Seja o observador de sua própria mente e perceba que você não é seus pensamentos. Eles existem? Sim! Mas não se identifique. Apenas observe e perceba que por muitas vezes, achamos que somos nossos próprios pensamentos e nos envolvemos com eles, nos deixamos levar… mas pense comigo: se somos nossos pensamentos, como podemos observá-los?

Reflita sobre isso e procure praticar essa meditação por alguns minutos diariamente. Você vai perceber que aos poucos conseguirá se concentrar melhor em suas tarefas e desenvolver suas atividades diárias com mais sentimento de presença. Afinal, o estado de mindfulness é quando não estamos revivendo o passado nem ansiosos com o futuro. Estamos apenas ali, vivendo o que estamos vivendo, com atenção total.

Se você experimentou a meditação, conte pra mim aqui nos comentários suas experiência.

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