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Livros sobre Yoga: indicações para estudos intermediários

14/06/2016

Livros sobre Yoga: indicações para estudos intermediários | Camile Carvalho

Se você começou a praticar yoga e agora tem interesse em entender melhor sobre o assunto através de livros sobre yoga, hoje vim dar umas dicas de como se aprofundar no assunto entrando na filosofia do yoga. Já fiz um post aqui com dicas de livros de yoga para iniciantes, mas hoje vou dar um passo adiante e recomendar algumas leituras quase obrigatórias pra quem quer se aprofundar mais.

1 // Luz na Vida – Iyengar

B. K. S. Iyengar foi um dos mestres que trouxe o Hatha Yoga ao ocidente e transmitiu seus conhecimentos a milhares de alunos no mundo todo. Formulou um método, o Iyengar Yoga que preza pela profundidade do conhecimento de cada postura com o foco no alinhamento corporal coordenado com a mente.

Segundo os princípios do Yoga, o ser humano é constituído de 5 corpos: físico, energético, mental, intelectual e espiritual. Neste livro Iyengar se encarrega de explicar cada um deles de forma simples e clara, além de mostrar como atingir a plenitude e felicidade através da sua unificação. Luz na Vida é um livro super profundo mas ao mesmo tempo com uma linguagem coloquial.

Livros sobre Yoga: indicações para estudos intermediários | Camile Carvalho

“Ao observar o fluxo da respiração, também aprendemos a estabilizar a consciência, o que possibilita a concentração. Não há método mais refinado. A capacidade de concentração permite investir a nova energia com discernimento. No sistema iogue, o melhor uso que se pode fazer da concentração e do poder de visão é na meditação. Quando aprendemos a reconhecer o valor da respiração, aprendemos a reconhecer o valor da própria vida.” – pág. 106

IYENGAR, B. K. S. Luz na vida. São Paulo: Summus, 2007.

2 // Yoga Sutras de Patanjali

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Quem foi, afinal, Patanjali, não sabemos. O que temos conhecimento é que este autor milenar condensou o conhecimento sobre Yoga em pequenos sutras que provavelmente já eram transmitidos de forma oral por muito tempo. Na tradição antiga, todo conhecimento era passado de mestre para discípulo, até que alguns escritores resolveram compilar tais conhecimentos.

Ler puramente os Yoga Sutras de Patanjali não é uma tarefa fácil, mas pra nossa sorte, temos diversos autores que traduzem a obra fazendo comentários para compreendermos melhor. É o caso desse livro publicado pela editora mantra e com tradução e comentários de Carlos Eduardo Barbosa. Como falei, existem várias traduções dos Yoga Sutras, vocês não precisam ler exatamente esse que estou indicando, mas foi por este que estudei e gostei muito dos comentários e explicações sobre os Yoga Sutras.

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“A prática correta do Yoga produz em nossa mente o surgimento da inteligência corporal e transforma a nossa vida material em uma metáfora da própria criação e dos desígnios do universo. Com isso, extingue-se a possibilidade do erro, da dor e da impermanência nas atividades de nossa mente. A iluminação de nossa consciência pela realização do Yoga nos traz para perto de nossa fonte espiritual e nos faz sentir a perfeita integração interna com Deus, com a Humanidade e com todas as forças da Natureza.” – pág. 57

PATANJALI. Os yoga sutra de Patanjali. São Paulo: Mantra, 2015.

3 // Shiva Samhita

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Shiva Samhita (em sânscrito: śiva samhitā) é uma coleção de ensinamentos sobre Yoga atribuído a Shiva, que no imaginário mitológico é o pai do sistema do Yoga, ou seja, foi quem trouxe esse ensinamento à humanidade. Assim como os Yoga Sutra que não se sabe com clareza a autoria, apenas quem a compilou, Shiva Samhita também é um poema milenar com 645 versos divididos em cinco capítulos.

Segundo a mitologia, Shiva teria ensinado o Hatha Yoga à sua esposa e discípula Parvati, e este então é o diálogo deste ensinamento. É um dos três maiores tratados clássicos sobre Hatha Yoga e por isso é uma das minhas indicações de leitura.

O livro que tenho é da editora Madras e foi traduzido e comentado por Carlos Alberto Tinoco. Acho uma obra fantástica e bem detalhada sobre os ásanas (posturas), mudras e pranayamas (respirações).

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[65] Quando o yogin se concentra constantemente no ‘olho de Shiva’, localizado entre as sobrancelhas, então ele percebe um fogo brilhante como se fosse um relâmpago.

[66] Por contemplar essa luz, todos os enganos decorrentes da ignorância são destruídos, e, mesmo a mais viciosa das pessoas obtém um elevado fim. – pág. 101

Estes são os três livros que indico, em ordem de profundidade de leitura. Se por um lado Iyengar é super didático e escreve com uma linguagem coloquial usando exemplificações do nosso dia-a-dia para compreendermos melhor o tema abordado, Shiva Samhita já é uma obra um pouco mais difícil de se ler, já que possui muitos termos em sânscrito, ficando entre um estudo intermediário e o avançado. Pretendo depois fazer mais uma indicação para estudos mais avançados e ler os Yoga Sutra de Patanjali já é um mergulho um pouco mais profundo para compreendermos melhor os próximos textos.

Se você está iniciando nos estudos do Yoga, recomendo que visite esse post com indicações de livros para iniciantes.

Se você tem alguma indicação de livros de yoga, comente aqui no post. Vou adorar saber o que você anda lendo, além de ajudar também outros leitores iogues que vêm aqui em busca de dicas de leituras.

Até a próxima! Namastê!

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Resenha: Visão Tântrica da Vida

30/04/2016

Resenha: Visão Tântrica da Vida - Paulo Murilo Rosas | Camile Carvalho #camilecarvalho

Começando o desafio da #LeituraMindfulness, que consiste em ler um livro de cada vez e com atenção plena, peguei para terminar a leitura o Visão Tântrica da Vida, do Paulo Murilo Rosas.

O autor

Paulo Murilo Rosas é um professor de Tantra Yoga no Rio de Janeiro muito conhecido aqui no Brasil por transmitir os conhecimentos do Dakshina Tantra, um sistema tradicional de Yoga indiano que é a base do conhecimento dos chakras e energias que circulam em nosso corpo. O livro é uma reunião de vários artigos escritos pelo autor ao longo dos anos baseados em suas pesquisas e estudos dos Tantra Shastras (escrituras tântricas).

Resenha: Visão Tântrica da Vida - Paulo Murilo Rosas | Camile Carvalho #camilecarvalho

O Tantra

Primeiro, é importante esclarecer que quando falamos em Tantra, não estamos relacionando à sexualidade, como muito difundido aqui no ocidente de forma errônea e deturpada. Em relação ao Tantra, há duas escolas: a Dakshina Tantra e a Vama Tantra.

A escola Dakshina trabalha basicamente com o desbloqueio energético e reequilíbrio dos nossos chakras a fim de nós, sozinhos, alcançarmos um estado de plenitude, de comunhão (estado de yoga). A outra escola se chama Vama, que aí sim, utiliza-se da união sexual como um ritual para que tal completude seja realizada, sempre através da união com o outro.

A escola da qual o autor pertence é a Dakshina, que nos ensina como podemos, através de práticas de yoga, respiração, meditação e forma de viver, reequilibrar os nossos chakras, obtermos o autoconhecimento e alcançarmos o estado final de contentamento pleno através do “olhar para dentro”, do autoconhecimento.

“Os métodos Tântricos enfatizam o equilíbrio da personalidade através da correta energização dos Chakras, pois somente o indivíduo equilibrado pode vivenciar a Unidade na Diversidade. Como num jardim, o trabalho inicial e mais difícil é a preparação do solo no qual a pequena semente deverá germinar e se transformar em árvore. Um solo fértil dará bons frutos, assim como uma mente equilibrada pode compreender o conhecimento contido nos vedas.” – pág. 71

O livro

O livro Visão Tântrica da Vida é de fácil leitura e entendimento, e por isso eu indicaria àqueles que querem conhecer um pouco mais sobre Yoga e Chakras, mas não sabem por qual livro começar. Os capítulos – como são artigos – são curtos e acompanhados de “Gotas de Sabedoria“, citações relacionadas ao tema a ser abordado em cada capítulo, o que já nos leva a uma reflexão antes de ler o texto do autor.

Paulo Murilo Rosas nos dá uma visão geral, porém não superficial sobre como os nossos chakras estão relacionados aos níveis de nossa própria consciência, nos dando a possibilidade de refletirmos sobre nossas vidas, sobre que momento estamos passando, quais dificuldades e identificar até, de forma superficial, quais dos nossos chakras necessitam de maior atenção. Eu mesma tive alguns insights durante a leitura sobre alguns aspectos da minha vida no momento, e pude compreender melhor emoções e sentimentos que me rodeiam ultimamente identificando melhor o funcionamento dos meus chakras.

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O que são chakras?

Antes de falar livremente sobre chakras, é importante esclarecer o que de fato eles são. Chakras são centros energéticos (ao todo temos 7 principais) que são representados por um círculo, mas que na verdade essa representação é apenas uma forma didática, já que eles atuam como um vórtice de energia abrangendo determinadas regiões do nosso corpo.

Um exemplo, é o primeiro chakra, ou Muladhara, que é representado como tendo seu ponto na região do períneo, mas que na verdade ele abrange toda a região das pernas e quadril. Ele é responsável pela nossa segurança, nossa base. É representado pela Terra, o que significa nossas raízes, projetos realizáveis, materialização.

Já o sétimo chakra, Sahasrara, localizado no topo da cabeça, é o chakra mais sutil, a energia menos densa, na qual está relacionada à espiritualidade, realização e contentamento. É a libertação, ou em sânscrito, moksa, na qual o homem já não se identifica mais com a matéria e está num estado búdico, iluminado.

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A edição

Se há algo pelo que eu não daria 5 estrelas ao livro, é apenas em relação à edição. Percebe-se que a editora não teve tanto cuidado com a edição, apesar do conteúdo ser muito bom. A fonte é confortável, a organização dos capítulos é boa, mas no meu exemplar umas páginas vieram trocadas e outras com a impressão um pouco borradas, mas nada que impedisse a compreensão do texto. Pode ter sido um caso pontual.

Público-alvo e recomendações

Eu indicaria sem medo aos estudantes e curiosos sobre o assunto, já que o tema é abordado em linguagem bem fácil, o que é um desafio para um estudo originário do sânscrito. Falo isso porque algumas palavras desta língua não possuem tradução, tendo seu sentido muito deturpado quanto tentamos fazê-la, o que dificulta o estudo da filosofia iogue para os iniciantes.

Paulo Murilo Rosas conseguiu trazer tais termos e explicá-los de forma simples, sem prejudicar o sentido. Também indico a praticantes de yoga que queiram começar a entender o que yoga realmente é. Muitos alunos começam uma prática de yoga apenas pelo físico, mas depois que começam a perceber algumas mudanças sutis, querem entender melhor os processos energéticos que ocorrem no corpo. E este é um livro que seguramente indicaria.

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E você, já leu este livro ou algum outro parecido? Deixe sua recomendação e opinião aqui nos comentários!

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O que é Yoga?

07/04/2016

O que é Yoga? | Camile Carvalho

Em seu livro A Luz da Yoga, o mestre B. K. S. Iyengar explica de forma clara e simples o que vem a ser Yoga. Quando me perguntam o que é Yoga, paro e penso por alguns segundos. Será que é possível definir tudo isso que abrange o Yoga? Como explicar a alguém que nunca praticou que Yoga não é (apenas) fazer posturas, se contorcer e colocar os pés na cabeça? Que você pode praticar Yoga apenas com respiração e meditação? E o mais curioso, que você pode ser um grande Yogue sem nunca ter tido aulas.

Isso tudo é porque Yoga é um estilo de vida, e sua prática vai muito além do tapetinho, tendo alguns estágios que, se praticados de forma sincera e dedicada, transforma completamente nossas vidas.

Vamos à definição por Iyengar:

“A palavra “ioga” deriva da raiz sânscrita “yuj“, que significa jungir, atar, reunir, ligar, dirigir e concentrar a atenção sobre, usar a aplicar. Significa também união ou comunhão. (…) significa a disciplina do intelecto, da mente, das emoções, da vontade, que é o que a ioga pressupõe; significa uma atitude da alma que permite a alguém encarar a vida em todos os seus aspectos com equanimidade.” – pág. 17

Yoga e a escrita

Podemos perceber alguns pontos nesta citação. O primeiro ponto é em relação à escrita da palavra. Muitos têm dúvidas de como se escreve, se usa-se Yoga ou Ioga, e como comentei no vídeo do Youtube, a palavra vem do sânscrito. Yoga (pronunciando-se yôga) é na transliteração do original, e na língua portuguesa escreve-se Ioga (pronunciando-se ióga). As duas formas de se escrever estão corretas, depende da preferência de cada um.

Yoga x Religião

Yoga não é uma religião se observarmos as estruturas religiosas atuais, mas se formos no significado de ambas as palavras, podemos perceber algumas semelhanças. Como o radical da palavra Yoga é Yuj, que significa ligar, união, comunhão, podemos perceber que o indivíduo que a pratica tem uma meta de religar-se a algo. Da mesma forma, a origem da palavra religião é religare, que também significa esta união, uma re-ligação com algo ou alguém.

No entanto, a filosofia yogue nos torna mais conscientes sobre quem somos no universo, seja ele criado por uma energia concentrada que gerou o Big Bang, seja ele criado por um Deus onipotente. É por isso que, independentemente de crenças ou ausência delas, o sistema yogue nos reconecta com a existência e nos ensinando a ouvir nossa voz interna, desenvolvendo o autoconhecimento para transformar nossas vidas. Yoga não é uma religião, pode ser praticada por religiosos e ateus, mas tem este princípio de reconhecer-se como parte de algo muito maior.

O que é Yoga? | Camile Carvalho

Yoga e a co-responsabilidade

Partindo do princípio que houve um Big Bang e que toda a existência de todos os universos provém da mesma energia, há que se concordar que todos somos feitos do mesmo princípio. Árvores, pedras, mares, animais e seres humanos. O mesmo ocorre quando se tem uma crença em um Deus criador de toda a existência. Dependendo da estrutura religiosa, podemos nos ver como criação (filhos de Deus) ou tendo o mesmo princípio do criador (parte de Deus).

Nesse aspecto, as hierarquias acabam se reduzindo e nos colocamos no mesmo patamar por exemplo, de toda a vida em nosso planeta. Isso faz com que pensemos melhor sobre a preservação, respeito e responsabilidade sobre outros seres vivos, sejam eles animados ou inanimados. Yoga é, portanto, esse estado de comunhão com a totalidade, a percepção de que não somos este corpo material, mas sim parte de algo muito maior, pela qual somos também responsáveis e co-criadores.

Yoga e disciplina

Como dito no trecho do livro acima, Yoga é a disciplina do intelecto, da mente, das emoções, da vontade… Isso significa que em vez de pensar no Yoga como um sistema limitador, que nos controla e regula, deve-se ver pelo ponto de vista do autoconhecimento e de auto-observação de como agimos e reagimos em diferentes situações. Quando estamos vivendo no modo da paixão, por exemplo (Rajas), somos impulsivos, atropelamos tudo e acabamos por tomar decisões precipitadas. Já o contrário, quando vivemos no modo da ignorância (Tamas), encaramos nossas vidas com letargia, preguiça e desânimo, o que também é prejudicial.

Para vivermos com a equanimidade, que é o que o Yoga nos oferece, devemos manter nosso equilíbrio de mente, fala, ações e emoções. É o tão conhecido caminho do meio, muito falado também no budismo. Este modo, portanto, é o modo da Sabedoria (Sattva), que nos permite viver de forma plena e feliz.

Como já diz o ditado, “uma lâmpada não tremula num lugar onde não sopra o vento“. Da mesma forma é o yogue, que encontrando essa quietude de sua mente, sentidos e emoções, encontra dentro de si mesmo sua autorrealização e felicidade plena. Afinal, quando vivemos de forma automática, somos incapazes de voltarmos para dentro. Dessa forma, a prática de Yoga nos ajuda a acalmar a mente agitada através das posturas, meditação, exercícios de respiração e observação do nosso dia-a-dia, para que possamos ouvir aquela voz que vem lá de dentro, mas que quase nunca temos tempo de escutá-la.

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O livro citado nesse artigo é A Luz da Ioga, de B.K.S. Iyengar (edição condensada). Cada post que eu fizer pra debater sobre a filosofia do yoga, vou usar algum livro de apoio pra servir também de indicação a vocês.

Iyengar, B. K. S. A luz da ioga. São Paulo: Círculo do livro, 1980.

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