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Por aí, Veganismo

Minha experiência com feiras veganas

24/10/2016

Camile Carvalho na feira vegana Veg Borá - Leve por aí

Quem me conhece sabe o quão caseira eu sou. Passeio bom pra mim é aquele que inclui uma livraria, um barzinho ou café pra sentar, bater papo com amigos ou passear ao ar livre num dia tranquilo. Agitos e baladas são quase um item riscado do meu caderninho, mas não sei por qual motivo – talvez falta de vontade mesmo – demorei pra começar a frequentar feiras veganas.

A primeira que fui, foi a Veg Borá, que aconteceu em Vila Isabel, aqui na zona norte do Rio de Janeiro. Era sua segunda edição e contou com alguns estandes de bolos, tortas, cachorro-quente e a famosa coxinha de jaca. Em poucos minutos após minha chegada eu já sabia que viraria frequentadora.

Uma das sensações mais gostosas é estar em um ambiente cercado de pessoas que compartilham energias semelhantes, que estão ali, não por acaso, mas pelo simples fato de ter algo em comum. Nenhum encontro é obra da sorte, acredito que tudo tem um porquê e que ao longo de nossa jornada vão acontecendo arranjos e rearranjos, como uma grande teia na qual seus pontos de contato são os grandes encontros da vida.

Feiras veganas | comuna botafogo - camile carvalho - leve por aí

Participar de feiras veganas me fez perceber como muitas pessoas – antes desconhecidas – vibram na mesma frequência. Conhecer projetos ambientais, de proteção aos animais e por uma alimentação com menos crueldade só mostra que há muita gente do bem espalhada pelo mundo. A energia das feiras veganas que tenho frequentado é maravilhosa. Olhar ao redor e ver 10, 20 ou 50 estandes de famílias em prol de um bem maior é realmente gratificante. É perceber que o que antes eu vivia, no meu cantinho, muitos também compartilham.

Tenho ido a várias feiras veganas aqui no Rio de Janeiro e pretendo, em breve, participar de algumas outras por aí (quem sabe Sampa?). Já fiz boas amizades, daquelas que quando chego já vou cumprimentar. Já sinto falta de alguns colegas que por algum motivo não montaram o estande em alguma feira. Dou feedback no evento seguinte quando experimento o shampoo em barra, a linguiça vegana, os óleos essenciais… E assim, vou conhecendo novas pessoas, ampliando meu círculo de amizades e trocando ideias sobre bem-estar e sustentabilidade.

Feiras veganas | santuário seitoku - camile carvalho - leve por aí

Sei que nem todos os leitores são veganos ou vegetarianos, mas isso não importa pra mim. Minha felicidade é que, se vocês estão aqui, neste espaço, lendo cada post que escrevo é porque têm algo em comum, se identificam com o que escrevo, compartilham da mesma energia. Assim me sinto nesses eventos: grata por ter encontrado um espaço onde sinto que a energia é tão legal, que quando dá a hora de ir embora, a vontade é que o próximo chegue logo.

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GiveBox SP – vamos apoiar essa ideia?

21/10/2016

Quando recebi um email sobre o projeto do financiamento coletivo GiveBox – SP (obrigada, Fernanda!), fiquei super animada em vir aqui no blog compartilhar com vocês essa ideia que já existe em várias cidades pelo mundo está prestes a chegar ao Brasil. Vocês sabem que eu sempre falo aqui sobre doar o que não nos serve mais e esse projeto tem tudo a ver com essa energia de desapego.

O projeto

GiveBox é um projeto que estimula o desapego, ajuda ao próximo e promove o descarte consciente. Através de uma casinha construída em algum ponto estratégico do bairro, moradores da região podem deixar ali o que não precisam mais e também pegar o que precisa, sendo um facilitador de trocas, além de promover uma ocupação diferente do espaço público.

A ideia partiu de duas meninas, Camila e Luana que, inconformadas com a quantidade de lixo gerado e com o descarte não-consciente, pensaram em trazer a ideia do GiveBox pra São Paulo. A proposta é tornar, além de um ponto de trocas, um ambiente de encontros, fortalecendo assim o senso de comunidade e de altruísmo.

GiveBox SP: um projeto social - Leve por aí por Camile Carvalho

GiveBox está presente em várias cidades espalhadas pelo mundo e é um sucesso!

Como ajudar?

O projeto GiveBox parte de um financiamento coletivo, no qual recebe doações partindo de 20 reais. No momento em que atingirem o valor mínimo, serão construídas em São Paulo 5 casinhas do GiveBox projetadas especialmente para o projeto no Brasil, que vem dando certo em vários países.

Troca-troca

O conceito de troca já está chegando no Brasil através de grupos no Facebook, como o Free Your Stuff São Paulo, que promove trocas de objetos, roupas e utensílios que estão parados na casa de alguém, mas que terão serventia com outra pessoa.

GiveBox SP: um projeto social - Leve por aí por Camile Carvalho

Você pode se informar melhor sobre o projeto no site do projeto e através da página no Facebook. Vamos ajudar?

fonte das imagens: Facebook do projeto GiveBox SP

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Minimalismo

O minimalismo e o descarte (não) consciente

16/10/2016

O minimalismo e o descarte (não) consciente • Leve por aí por Camile Carvalho

Faz tempo que eu estava ensaiando escrever este artigo e hoje resolvi colocar em palavras algo que por muito tempo eu estava sentindo mas não sabia bem como explicar. Vamos falar sobre minimalismo e o destralhe?

Quando conheci o minimalismo, por volta de 2011 e abri meu primeiro blog sobre o assunto, achei incrível o conceito de declutter (destralhe) e comecei a transformar minha vida a partir do desapego dos meus bens materiais. Eu ainda tinha brinquedos guardados da minha época da infância, roupas que não usava há uns 10 anos, objetos que eu nem sabia que ainda tinha guardado e muita, mas muita papelada em pastas escondidas pela casa.

Meu processo não foi fácil – e acredito que o de ninguém seja – mas aos poucos fui conseguindo me desapegar de coisas superficiais até chegar ao destralhe mais profundo, que incluíam minhas memórias (cartas, objetos com valor sentimental) e emoções (rancores, amizades tóxicas etc.). No entanto, durante o processo sempre abordei muito o assunto usando o termo tralha para me referir àquilo que não me servia mais. E aí é onde mora um possível problema.

A tralha (clutter)

Quando nos referimos aos objetos que não queremos mais como tralha (clutter, em inglês, por isso o termo de-clutter), podemos fazer um juízo de que aquilo é um lixo. Desvalorizamos o que não queremos e o destinamos a descarte, o que pode ser um tanto irresponsável quando se cai no linguajar comum e não se explica a importância daquilo que queremos nos desfazer.

Se um dia compramos alguma peça de roupa ou objeto de decoração, é claro que aquilo estava sendo importante para nós naquele momento. Usamos, aproveitamos, colocamos nossa energia, mas por diversos motivos acabamos deixando de lado aquela camisa, aquele sapato, aquela papelada e mudamos nosso foco a algo novo que esteja tendo utilidade no momento. Aquilo que deixamos de lado fica, portanto, com uma energia estagnada, mas isso não significa que devemos tratá-lo como um lixo.

Quando separamos roupas para doar a alguém que precise, também não estamos doando um lixo. Veja bem, a cultura do descarte, do efêmero, do líquido está presente até quando estamos nos desapegando e promovendo uma boa ação. Não estou dizendo que não devemos passar adiante aquilo que não nos serve mais, muito pelo contrário. Nem que devemos excluir o termo tralha do vocabulário. O foco aqui está no sentimento com que lidamos com tais peças.

Gratidão, sempre!

A gratidão pelo que nos serviu e nos acompanhou por um tempo é essencial. Se não queremos mais aquilo, que possamos cuidar bem do item e dar-lhe um destino mais digno que não seja o lixo, ou o menosprezo. Estamos colocando nossa energia ali e transmitindo a quem vai recebê-lo.

Separar sacolas e sacolas de lixos aleatórios que tiramos da nossa casa e simplesmente jogar no buraco da lixeira também não é uma atitude legal. O lixo está fora da nossa casa, mas não do nosso planeta. Tudo que compramos é de nossa responsabilidade, assim como seu destino final. Portanto, um alerta muito importante a quem está começando a destralhar a casa é que dê um destino digno àquilo que pode ser útil a alguém e um destino correto e consciente àquilo que não tem mais uso. Reciclar o máximo que pudermos é a melhor pedida.

Agora, há algo ainda mais importante nessa onda de destralhe que está mudando a vida de muitas pessoas: a compra consciente.

Compra consciente

De nada adianta doarmos 50 peças de roupas se na semana seguinte estamos em busca de promoções no shopping. O ciclo precisa ser rompido em algum momento, e o ideal é que seja na hora da compra.

Você realmente precisa daquilo? É de qualidade? Vai durar por quantos anos? Vou precisar substituí-lo em breve? O que estamos colocando pra dentro de nossa casa novamente? Ou melhor, o que você está comprando vai pra um futuro destralhe? Estas são algumas perguntas que devemos nos fazer durante a compra. Porque não adianta esvaziarmos nossa casa se em breve estaremos gastando esforço, energia e dinheiro para nos entulharmos novamente de compras impulsivas.

Que possamos refletir sobre o teor que damos ao nosso destralhe. Que possamos ter a consciência de que não existe jogar lixo fora. Que as roupas que não nos servem mais não são objetos de desdém. E tenhamos a consciência de que este círculo vicioso pode ser freado momento antes de passarmos o nosso cartão no shopping.

:: imagem: Pixabay

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