Minimalismo, Por aí

O minimalismo e minha viagem ao Piauí

08/01/2017

Camile Carvalho Aeroporto Piauí

Minha primeira viagem ao Piauí foi ano passado, nesta mesma época: virada de ano e férias de janeiro. Como era a primeira vez que vim, sem conhecer direito o local e a família, acabei trazendo uma mala super pesada com muitas roupas que mal cheguei a usar. Apesar de ficar alguns dias em Teresina, passamos a maior parte do tempo no litoral usando biquinis, shorts, cangas e vestidos leves pro fim da tarde.

E então aconteceu o que eu esperava: com tantos passeios pelos Lençóis Maranhenses e Jericoacoara, acabei comprando muitas coisas pra levar pro Rio de Janeiro, além dos presentes pra minha família. Tudo era novidade, e o espírito minimalista passou longe de mim neste período. Eu queria mesmo era comprar coisas que não tinham no Rio de Janeiro, além de guardar recordações da viagem. Eu sei, isso não era desculpa para sair comprando coisas das quais eu não precisava. Na verdade, meu estado emocional estava um pouco abalado e por isso, acabei descontando no consumo.

Nos últimos dias, já de volta a Teresina, constatei que a mala que eu trouxe não caberia tudo que eu tinha comprado, e então fui ao shopping e acabei comprando uma outra mala um pouco menor pra caber tudo. O resultado não poderia ter sido diferente: viajei com excesso de bagagem, mas voltei ao meu lar feliz com tantas guloseimas diferentes e presentes pra família.

O minimalismo e a culpa

Se fosse há alguns anos, eu certamente teria me sentido culpada. Culpada por comprar demais, culpada por ter levado mais do que precisava, culpada por vários fatores que não condizem com uma vida minimalista. Porém, uma das coisas que aprendi nessa minha jornada de autoconhecimento é não me sentir culpada. Aconteceu? Sim. Na próxima tentarei fazer diferente.

E a próxima vez chegou. Aqui estou novamente, com menos roupas, mais seletas, já sabendo o que iria me esperar. Até agora não comprei quase nada – apenas um biquini a mais, bronzeador e máscara de argila – e já tenho mais ou menos planejado o que levarei pro Rio de presente aos meus pais. Algumas roupas que trouxe realmente não fizeram sentido estarem na mala, mas não tem problema. Aos poucos vou reaprendendo a fazer uma mala inteligente, mas preferi trazer alguma peça a mais do que faltar e eu precisar comprar por aqui.

O peso dos cosméticos

produtos que pretendo usar até (quase) o fim

Uma coisa que percebi é que o que mais pesa na mala são os cosméticos: cremes, shampoo, hidratante pro corpo, protetor solar etc., e minha meta é usar tudo (ou quase) até o último dia da viagem, para que eu volte com menos peso de cosméticos do que vim. Isso já abrirá mais espaço na mala para as compras que vou fazer por aqui, que já estão no meu planejamento.

Trouxe comigo uma nécessaire que tem, além dos produtos básicos de higiene pessoal, também óleo de coco, leite de magnésia (uso como desodorante), óleos essenciais e outros óleos para cabelo, rosto e corpo.

Não posso dizer que minha mala é minimalista, mas posso afirmar que estou usando bem quase tudo que eu trouxe. Me sinto leve e feliz, sem culpas de ter exagerado com um sapato ou um vestido a mais. Algo que eu reparo muito no meu grupo Vida Minimalista é o sentimento de culpa. Culpa por ter comprado a mais, culpa por ter peças/objetos em excesso, e se eu puder passar uma mensagem a cada uma das pessoas que sente isso, é:

liberte-se das culpas que o minimalismo trouxe

Encare o minimalismo como um caminho de aprendizado, não algo que te coloca correntes, nem que te deixa mal pelo seu comportamento. Temos hábitos de consumo enraizados devido à sociedade e é difícil mudarmos de um dia pro outro. Aos poucos vamos achando nosso próprio equilíbrio, que certamente não é da mesma forma que o de outras pessoas ao nosso redor. Busque o SEU minimalismo, jamais o minimalismo do outro.

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8 comentários leave one →

  1. Flávia

    Bacana você contar a sua experiência. Assim é possível entender que não é necessário levar muitas coisas para viajar.

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  2. Quando a gente para pra pensar, a culpa, nessas horas, é um sentimento sem sentido. Nos sentimos culpados porque compramos o que queríamos ter comprado ali na hora? Se não comprássemos, nos sentiríamos culpadas do mesmo jeito. Vencer o sentimento de culpa é um resultado de estarmos em paz com o nosso próprio estilo de vida, e é claro que isso é algo que leva tempo e adaptação antes de acontecer. Mesma coisa pra impulsividade, tudo isso toma tempo. Nessas horas, o importante é aproveitar ao máximo um dia depois do outro e voltar pra casa só com lembranças boas, sem nada de arrependimento. É que nem você disse, a gente toma o hoje como exemplo pra próxima vez, e uma hora finalmente consegue harmonizar a vontade com o estilo de vida. <3

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    • Culpa só nos faz mal, temos que nos libertar dela também e vivermos mais leves e felizes. <3

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  3. Eu adoro a ideia de encarar todas as coisas como um aprendizado. Tem vezes que levo demais, tem vezes que levo de menos, mas, desde que me “programei” para, também, não me culpar e encarar os ~errinhos de uma forma mais leve, todo o clima muda. A vida no fim se define pela forma com a qual encaramos as coisas, né? E eu mantenho o minimalismo em mente para que ele contribua positivamente nos meus dias. Como você disse, cada pessoa tem o seu ponto de equilíbrio. Gostei muito da sua abordagem, como sempre. E continue aproveitando essa delícia de lugar! 🙂

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    • Isso aí, levar tudo como um aprendizado é a melhor coisa. Se erramos em algum momento, bola pra frente! 🙂

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  4. Paula

    Oi, Camile! Legal essa reflexão da culpa X minimalismo. Eu me identifiquei bastante. No caso de viagem é realmente mais difícil mesmo ter 100% de otimização da mala. Pra mim isso é o mais difícil. Moro no nordeste e quando viajo por exemplo pra um lugar frio sempre acontece de comprar algum casaco, sendo que nunca acabo usando no dia a dia por aqui. De qq forma, o que importa é o aprendizado e a tentativa de melhorar da próxima vez.

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    • É difícil prever como será o tempo, os passeios, por isso otimizar 100% é muito difícil. Mas quando já conhecemos o lugar fica mais fácil de prever o que vai ser útil e o que vai sobrar na mala. Cada viagem vamos aprendendo um pouco mais como melhorar a bagagem pra não carregar tanta coisa. 🙂

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