Palestra: Como identificar e combater a nossa raiva

30/10/2014

Palestra: Como identificar e combater a nossa raiva | Camile Carvalho

Ocorreu ontem, 29 de outubro, na UERJ uma palestra muito inspiradora com o monge budista Kelsang Drime, da Nova Tradição Kadampa. O evento foi proporcionado pela PROEPER (Programa de Estudos e Pesquisas das Religiões), ligado ao departamento de Ciências Sociais da Universidade.

O tema abordado na palestra foi Como identificar e combater a nossa raiva, muito pertinente à situação atual no mundo em que vivemos, no qual sempre nos irritamos e desenvolvemos sentimentos negativos pelo outro por qualquer besteira. O monge sinalizou que além de culparmos constantemente o outro e não a nós mesmos, a raiva não controlada pode causar danos maiores à sociedade, como assassinatos por um motivo tolo.

Antes de iniciarmos a palestra, Kelsang Drime nos presenteou com uma meditação com foco na respiração. A técnica aplicada foi de prestar atenção no movimento do ar durante os 3 minutos em que permanecemos em estado meditativo. Tal proposta tem o fim de desprendermos de pensamentos que surgem em nossas mentes, deixando a mente mais livre e treinada para identificar nossas falhas e removê-las.

Um aspecto importante sobre a raiva é que ela atua como uma lente de aumento, nos fazendo perceber o problema aumentado, quando às vezes, a solução seria apenas identificá-lo e tentar resolvê-lo de forma simplificada. Se o outro é capaz de nos causar o sentimento de raiva, o problema é exclusivamente nosso, que permitimos que tal agitação nos incomode. Por outro lado, se lidamos com alguém raivoso e descontrolado, ou com críticas negativas ou calúnias a nosso respeito, não devemos absorver o que o outro pensa sobre nós e vivermos infelizes, mas sim, deixar que continuem pensando o que quiserem, pois não irá nos afetar.

Palestra: Como identificar e combater a nossa raiva | Camile Carvalho

Como a palestra foi baseada no livro Como solucionar nossos problemas humanos, de Geshe Kelsang Gyatso, o monge utilizou uma definição muito interessante do livro sobre a raiva, que seria: “Raiva é uma mente deludida que enfoca um objeto inanimado, julga que ele não tem atrativos, enxerga suas más qualidades e pretende prejudicá-lo.” (pag. 31) e finalizando a palestra, nos fez refletir sobre quatro consequências que o sentimento de raiva nos provoca, e que são extremamente negativos para nós mesmos:

1. Raiva é um estado mental doloroso. Quem sente a raiva sofre, não consegue dormir direito nem se alimentar.

2. Raiva rouba a razão e o bom-senso. Somos capazes de ter atitudes que não teríamos em um estado equilibrado. O pior é o arrependimento que vem depois…

3. Ficamos feios. E isso é verdade! A raiva nos torna rancorosos, nosso rosto se contrai e dificilmente conseguimos abrir um sorriso.

4. Roubando a razão, a raiva coloca em risco relações, trabalho e a própria vida. Por um impulso de raiva somos capazes de pedir demissão no trabalho, acabar com relacionamentos e até mesmo cometermos homicídio.

Encerramos a palestra com mais uma sessão de meditação e um pedido de iluminação e intenção para que consigamos ter mais controle sobre nossos sentimentos negativos, não deixando que nos influenciem tanto.

Com tantos exemplos e argumentos, fica difícil não refletir sobre a raiva que sentimos dos outros. Será que são os outros que causam esse sentimento ruim em nós ou nós é que permitimos que tais energias nos afetem? E se deixarmos passar?

Um agradecimento especial ao PROEPER, por nos dar a oportunidade de conhecer um professor tão iluminado, ao monge Kelsang Drime por nos trazer um tema tão importante e principalmente ao mestre espiritual Geshe Kelsang Gyatso.

Para quem quiser conhecer um pouco mais sobre a Nova Tradição Kadampa, eles disponibilizaram o livro Budismo Moderno gratuitamente no site. Clique aqui para acessar.

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3 comentários leave one →

  1. Tattiane

    Camile, bom-dia! Gosto muito dos seus posts e da forma como escreve. Transmite uma espécie de paz para mim.
    Adorei saber um pouco mais sobre a raiva.
    Obrigada!!

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    • Fico feliz que tenha gostado, Tattiane! Obrigada pela visita e volte sempre 😀

      Responder
  2. Olha, não sou fã dos “budismos ocidentais”, mas a raiva pode ser realmente um problema e atrapalhar TODA a nossa vida.

    Quanto ao meu pé atrás com os budismos ocidentais, falo um pouco sobre isso aqui: http://jesusnaoecristao.wordpress.com/2014/05/19/espiritualidade-barata/
    O Alex Castro também trata um pouco disso: http://alexcastro.com.br/zen/ (no tópico “o zen enquanto paliativo consumista”). Ele cita Slavoj Zizek que fala muito bem disso.

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