O minimalismo e a tecnologia

04/11/2013

Lembro-me bem da minha infância e adolescência. Eu era uma apaixonada por tecnologia. Sejamos mais claros: eu era uma nerd. A primeira feira de informática que eu participei foi na escola e eu tinha por volta dos meus 13 anos. Foi em um sábado e passei meu dia inteiro conhecendo impressoras matriciais e conversando com os meninos de óculos-fundo-de-garrafa. Eu realmente gostava daquilo.

Tivemos um pager, tivemos um celular tijolo, e quando meu tio voltou do Japão, fiquei encantada com seu celular novo, adquirido na terra do sol nascente. Enquanto ele contava a viagem aos meus avós, eu me divertia com aquele aparelho do futuro, que tinha a opção de vibrar ao invés de tocar.

E assim cresci, acompanhando o desenvolvimento tecnológico, deixando de ir aos encontros das amigas que ensaiariam Spice Girls pra ficar em casa fazendo site no Geocities ou Kit.net, absorvendo cada novidade que o mundo tecnológico proporcionava. Mas minhas férias eram no mato, em uma cidade praiana do RJ que ainda não tinha nem padaria e faltava mais luz do que tinha de mosquito. Eu sempre soube equilibrar bem minha vida

Com o tempo fui aprendendo sobre o minimalismo, em não acumular o que não me serve mais, em desapegar daquilo que outros precisam mais que eu. Mas… e meus gadgets tecnológicos? Onde está o limite do minimalismo e dos celulares, tablets e computadores?

Na minha opinião, não existe uma regra. Uma coisa é você ter um celular com várias funções, como é o meu caso e utilizar diariamente a câmera, o bloco de notas, o Evernote, Dropbox, responder a um e-mail e planejar suas atividades no calendário. Outra, totalmente diferente, é você ter um celular da moda por status, funcionando e desejar o próximo lançamento só porque todos vão comprar.

Eu sou uma apaixonada por tecnologia e poderia desejar os últimos lançamentos de tudo. Mas não, enquanto meu notebook, meu celular e meu kindle me servem bem, não preciso sonhar pelos lançamentos. Eu estou satisfeita, contrariando a tendência do marketing, que nos incita a descobrir um motivo de insatisfação no que temos e desejar o que eles têm a oferecer. Minha pergunta é: Se quando eles me venderam aquele produto, me disseram que era o melhor do mundo, por que agora ele não presta? Ganha um doce quem me responder.

Minimalismo não possui regras. Não existe menos minimalismo ou mais. Não existe um vencedor, não existe sequer competição. Há o bem-estar. Se você tem 100 roupas no armário e usa 10, você precisa rever seus hábitos de consumo, pois provavelmente é um acumulador. Mas se você tem 100 roupas no armário e usa as 100, parabéns, você sabe aproveitar o que tem. Não é a quantidade, mas o uso que fazemos do que temos.

Desta forma respondo um questionamento recorrente: Ter gadgets tecnológicos é ir contra ou a favor do minimalismo? Depende do seu uso. Se você tem um iPad apenas por status, acho que é um desperdício de dinheiro. Mas se você tem um iPhone e usa diariamente suas funções, te livrando de carregar uma dúzia de tralhas na mochila, parabéns, você conseguiu encontrar uma solução.

O minimalismo deve ser aplicado de acordo com as necessidades de cada um, pois não há uma fórmula. O que pra mim funciona, pode não funcionar para você. Cabe a cada um descobrir a melhor forma de se adaptar, principalmente às novas tecnologias.

Compartilhe o artigo:Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on Tumblr
Vida Online

Ops! Esqueci meu celular em casa…

09/09/2013

Não tem como discordar, vivemos conectados. Mesmo para aqueles que escolhem não possuir celulares, gadgets e redes sociais, nossa rotina é influenciada pelo meio digital. Quando estourou na mídia aquela notícia de que os Estados Unidos estavam monitorando outros países, quebrando o sigilo, Putin, o presidente da Rússia, estabeleceu uma medida de voltar a usar papeis e máquinas de escrever para redigir documentos do governo tamanho o risco dos digitais serem acessados. Isso nos mostra o quanto pode ser vulnerável um sistema mantido por computadores, bits e bytes.

Quando digitalizamos e eliminamos o arquivo físico, precisamos ter a certeza de que o novo suporte é confiável, se não queremos perder as informações. Há os que acreditam serem mais seguros, já que em caso de intempéries naturais, os dados estarão “nas nuvens”, termo amplamente utilizado nessa nova era digital.

A verdade é que estamos em uma transição e não sabemos no que vai dar. Será que todas as nossas atividades futuramente serão online? Ou será que romperemos com esse modo de vida e diremos “chega!” e tentaremos retornar ao que era antes? É certo também que estamos em um estágio muito avançado de dependência. Bancos, bibliotecas, sistemas de busca, instituições de ensino, música, filmes… todos utilizam a tecnologia digital.

Eu sou uma apaixonada por tecnologia (tão apaixonada que pesquiso nessa área), e por esse fascínio, estou constantemente me perguntando que “fenômeno” é esse, e como será ao darmos o próximo passo. Temos que ter cuidado para não nos tornarmos escravos dessa tecnologia, pois “a mão que cura, é a mão que fere”. O bom senso é o melhor caminho para que saibamos usar com parcimônia tudo o que foi criado para facilitar nossas vidas. No momento em que deixamos de viver o presente e prejudicamos nossas relações interpessoais, é hora de rever se o excesso não está nos isolando em vez de aproximar-nos das pessoas queridas.

Deixarei para vocês um vídeo curto, indicado pelo leitor Felipe Santello no grupo do Vida Minimalista do Facebook. Vale muito à pena assistir e refletir sobre o caso. Claro que ele nos mostra uma situação extrema, mas será mesmo que nunca fizemos isso com alguém? Confiram:

Eu esqueci meu celular

 

Compartilhe o artigo:Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on Tumblr
Simplicidade

Os primeiros passos para uma vida minimalista

14/08/2013

Os primeiros passos para uma Vida Minimalista | vidaminimalista.com

Como iniciar uma vida minimalista? Essa talvez possa ser uma dúvida de muitos leitores, e foi a partir da pergunta da leitora Juliane Soares que resolvi dar algumas dicas de como começar. Vale lembrar que não é um manual rígido, cada um tem seu tempo e sua maneira de encarar mudanças, mas são dicas essenciais para quem está disposto a mudar seus hábitos.

1) Mude seu pensamento

O primeiro passo para uma mudança é, sem dúvida, no modo de pensar. Quando nos damos conta de que tem algo que nos incomoda e identificamos como podemos solucionar o problema, já é uma mudança enorme. Sem nossa mente em sintonia, dificilmente conseguiremos adotar novos hábitos, portanto, a primeira mudança que devemos fazer é no modo de pensar. “Eu quero me tornar uma pessoa melhor, não preciso ser tão consumista, há algo de errado na sociedade e eu quero refletir sobre meus hábitos”. Pensando assim, qualquer decisão ficará mais fácil.

2) Estabeleça metas

Como você quer viver sua vida? Pretende ser mais radical e se livrar de quase tudo ou apenas organizar alguns cômodos da sua casa? Como vai enfrentar esse novo desafio? Está disposta a abrir seu guarda-roupas e reduzi-lo pela metade? Anote em um papel o que você deseja como resultado final e o que vai fazer para alcançá-lo.

3) Divida em áreas

Não faça tudo de uma só vez, pois você provavelmente ficará sobrecarregado e não conseguirá dar conta de uma casa inteira em apenas um final de semana. Divida em áreas pequenas de acordo com sua disposição de tempo e energia. Por exemplo, uma das divisões pode ser seu quarto, caso você tenha um final de semana e disposição para dedicar-se a ele. Caso seu tempo seja menor, estabeleça metas de organizar uma gaveta do armário por vez. Apenas não tente planejar uma área muito grande para, caso não consiga termina-la como planejado, não ficar desestimulado.

4) Estabeleça recompensas

Após um dia inteiro de destralhamento, organização e faxina na sala de estar, que tal receber uma recompensa de um bom filme com pipoca, ou sair para passear com os amigos? Não se cobre tanto, se esforce quando necessário, mas também relaxe quando acabar. As recompensas são merecidas formas de incentivo.

5) Comece destralhando

Não há organização quando há tralhas. De que adianta você gastar seu tempo arrumando lugar para lixo? O primeiro passo da organização em si é o destralhamento. Não tenha dó. Jogue no lixo (envie para reciclagem!), doe, venda, mas não fique com o que não lhe serve mais. Depois de reduzir os objetos que possui, ficará muito mais fácil de organizá-los.

6) Reduza o consumo

Não adianta reduzir 50% do seu guarda-roupas e depois parar no primeiro shopping e estourar o cartão de crédito comprando mais. Adquira novos itens com consciência, para manter uma vida minimalista. Se não precisa, não compre.

7) Leia e conecte-se

Leia bastante sobre o assunto. Na internet temos um vasto material de pessoas que, como eu, adotaram esse estilo de vida. Há também livros sobre organização que também são muito úteis. Faça amizade com pessoas que pensam como você, pois assim se formará uma rede de incentivos, o que é muito importante, para não desanimar. Foi para isso que criei o Grupo do Vida Minimalista no Facebook, para que todos possam trocar ideias e compartilhar as dificuldades e dicas.

8) Desconecte-se

Essa dica pode contradizer com a anterior, mas o que quero falar aqui é que, você não precisa passar o dia inteiro nas redes sociais. Desligue um pouco o computador, leia um livro, passe um tempo com pessoas queridas, saia ao ar livre, faça um exercício e se alimente bem. Tenha foco. Quando for a hora de conectar, reserve aquele momento para isso. Leia blogs, converse no Facebook, responda emails, assista vídeos no youtube, mas não deixe que isso tome todo o seu tempo. Saiba a hora de parar. Se quiser uma dica para não se perder com o tempo, leia sobre a Técnica Pomodoro.

9) Mantenha o ambiente limpo

A limpeza é fundamental para que possamos viver com tranquilidade e quanto menos objetos e enfeites tivermos, mais fácil o processo. Imagine limpar uma estante cheia de bonequinhos bibelôs, porta-retratos e outras coisinhas? Agora imagine limpar uma superfície com apenas 2 ou 3 enfeites bonitos? Não é muito mais fácil manter limpo e arrumado um local com pouca tralha?

10) Simplifique sempre

Há diversos métodos para se tornar minimalista, aumentar a produtividade com siglas, materiais caros, livros e mais livros… Calma. Relaxe. O que é bom para um executivo pode não ser bom para você. Leia sobre diversos métodos, conheça-os, se informe, busque o conhecimento mas tente buscar a solução na simplicidade. Nem sempre ter um Moleskine caro e uma caneta da marca X é sinônimo de produtividade. Busque o que encaixe com você, com suas condições financeiras e seu estilo de vida. Não tem um iPhone para anotar sua lista de afazeres? Compre um caderninho de R$ 1,00. Simplifique e não se deixe levar pelo eco eterno do “compre… compre… compre…”. Você é a melhor pessoa para determinar o que é o melhor para si.

Acho que o mais importante para iniciar uma vida minimalista é a consciência do porque estar tomando essa decisão e o que você espera com a mudança. Não há sensação melhor que obter resultados, mesmo que sejam parciais. Comece por algo, experimente. Tenho certeza que após o primeiro passo, tudo ficará mais fácil.

 

Gandhi Minimalista | Vida Minimalista | vidaminimalista.com

“Nas grandes batalhas da vida, o primeiro passo para a vitória é o desejo de vencer.”

~ Gandhi

Compartilhe o artigo:Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on Tumblr
Páginas«1 ...62636465666768»