Qual a relação do minimalismo com o yoga?

06/01/2017

o minimalismo e o yoga - Camile Carvalho - Vida Minimalista

Muitos que acompanham meu blog me conhecem desde o Vida Minimalista. Pra quem é seguidor novo, antes deste blog, eu escrevia sobre meu trajeto em busca de uma vida mais simples em um outro blog, com o qual fiquei conhecida. Já dei entrevistas a jornais, saí em revistas e meu material já foi utilizado até em apostila de universidade.

Durante anos compartilhei cada detalhe da minha vida sobre minimalismo. Meus destralhes, desapegos, mudanças de pensamentos, e um dos insights que mais me marcou foi a compreensão de que muitas vezes guardamos coisas por causa do nosso passado. Como se fosse uma prova de que realmente vivemos determinada experiência, como se precisássemos de determinados objetos como uma afirmação de quem somos.

Yoga na minha vida

Eu já praticava yoga neste tempo, mas não com a profundidade de hoje. Para mim, praticar yoga era como um exercício: ia às aulas, fazia meditações, me conectava com algo maior, mas sem me dar conta de um elo que estava ali, bem na minha frente – a relação do minimalismo com os fundamentos do yoga.

Há, no yoga, o que chamamos de yamas e niyamas (que será explicado melhor em um outro momento). Yamas e niyamas são como códigos morais e éticos de um iogue, o que precisamos observar em nós mesmos e em relação aos outros para que possamos viver de forma mais plena. São, ao todo, 5 yamas e 5 niyamas, mas há dois deles que se relacionam diretamente com o estilo de vida minimalista que eu já vinha buscando adotar sem saber sua relação com o yoga. São eles:

Aparigraha (não-possessividade)

Parigra, em sânscrito, significa acumular. Aparigraha é vivermos sem acúmulo, apenas com o que realmente precisamos. Diz-se que quando temos mais recursos que o necessário, estamos de certa forma roubando recursos de outros que precisem. Além de se relacionar com o minimalismo, o pilar aparigraha também é relacionado à fé. Quando confiamos em algo superior, na força que nos provê tudo e com abundância, não precisamos nos preocupar com o que pode faltar, e assim vivemos leves, com os recursos que nos são necessários.

Santosha (contentamento)

Neste caso, santosha consiste em cultivar o estado de felicidade interior constante, independentemente do que ocorre no mundo externo. É sermos gratos pelo que temos. Também relacionado com o minimalismo, santosha nos faz perceber que temos o que precisamos, o que ajuda a frear o consumismo tão comum na nossa sociedade atual. Quando estamos contentes com o que temos, os impulsos de adquirir mais e mais bens se abrandam, então podemos ter mais clareza mental de discernir se estamos gastando dinheiro com o que precisamos, ou se é mais um impulso relacionado a alguma questão emocional.

Um iogue não deixa que sua mente o controle – muito pelo contrário, é ele quem controla a própria mente. Portanto, impulsos de consumo aos poucos vão diminuindo conforme a gratidão e contentamento desabrocha.

Isso significa que – como muitos me perguntam – não, eu não deixei de viver uma vida minimalista. Não é porque mudei o foco do blog com o intuito de expandir os assuntos abordados eu tenha me desligado deste caminho. O que aconteceu foi que em vez de focar em um dos pilares que fazem parte dos meus princípios (no caso o minimalismo), eu abordo agora um conjunto muito mais amplo que me levaram à transformação pessoal e espiritual.

Nunca se esqueçam que o minimalismo é um caminho, uma ferramenta para alcançarmos nossa felicidade, não um fim. Não é sobre quantas roupas você tem no armário, ou se você tem uma decoração preto e branco ou colorida. Minimalismo é uma ferramenta para trazer liberdade, a fim de que possamos, com mais leveza, nos dedicarmos à nossa grande missão e vivermos de forma plena.

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Meditação, Yoga

Quando apenas caminhei e respirei

04/01/2017

Todo dia eu acordo cedo, tomo meu café da manhã e parto em direção à praia, para caminhar, mergulhar e pegar um sol. Gosto deste momento, de entrar em contato com meus próprios pensamentos, mas carrego na minha bolsa de praia meu celular, meu Kindle, protetor solar entre tantas outras coisas. Fico tão entretida com o que carrego na bolsa que esqueço-me de aproveitar o momento presente.

Pensando nisso, fiz um desafio: acordei cedo, como todos os dias. Tomei meu café da manhã às 7:30 como de costume e, deixando o chinelo, bolsa e qualquer outra roupa, parti pra praia sem nada, apenas de biquini.

Caminhei pela areia quente que por alguns instantes começaram a queimar meus pés. Corri até a faixa de areia molhada e iniciei minha caminhada. Apenas eu e meus pensamentos.

Escutei o barulho do mar, do vento, dos pássaros. Apreciei cada detalhe que cruzava meu caminho. Conchas de formatos diferentes – estariam elas ali o tempo todo durante minhas outras caminhadas? Pássaros que corriam sobre a marola de água em busca de pequenos peixes, aves que voavam em bandos… as ondas do mar que, em cada trecho de praia, se comportavam de forma diferente.

Um pescador, um casal de namorados, os peixes nadando, mais uma parada para um mergulho no mar. Cada momento que experimentei foi divino, único.

Sentei-me diretamente na areia em postura de meditação e, com meus olhos semicerrados, pratiquei a meditação zazen. Esvazie-me de mim mesma, encontrei espaço na minha mente tão turbulenta. Abri meus olhos e bem diante de mim só havia o mar, o céu e o sol.

Uma experiência única, que quero viver novamente. Uma experiência de conexão com a Terra, com minha respiração, com o movimento constante das águas em encontro com a areia. E assim, vivendo intensamente o momento presente, me reconectei.

Palavras não são capazes de descrever o que senti, mas posso dizer a cada um de vocês que experimentem a sensação do vazio, do deixar fluir, do poder de estar no agora. Porque a vida é o nosso maior presente, não devemos deixar que ela flua por nossos dedos preocupados com o passado nem com o futuro. Viva o agora.

obs.: a foto foi feita em outro dia. 🙂

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Inspiração

Que venha o ciclo das mudanças

30/12/2016

É isso mesmo, o ano está acabando. Mais uma vez venho aqui escrever do Piauí, onde estou passando as férias e contar sobre as últimas novidades da minha vida.

Estes últimos meses têm sido de muito autoconhecimento e transformação na minha vida. No meio de incertezas profissionais e acadêmicas, acabei tendo a comprovação – da melhor forma possível – de que estava trilhando o caminho certo, o meu dharma. Aquela certeza de que tudo estava ocorrendo como deveria ser, e isso nos dá uma paz sem igual.

Por algum tempo me questionei sobre meu caminho como professora de yoga, mas o universo fez com que eu visse, com meus próprios olhos, muito sobre a minha missão aqui. Foi um período de provas e que, no final, tudo convergiu para que eu só tivesse mais certeza de que é isso mesmo, e que amo o caminho que escolhi.

Nem tudo são flores, claro. Mas quando estamos conectados com a nossa essência sem nos desviar dos nossos princípios, até mesmo os momentos mais difíceis se tornam mais leves. E assim vamos caminhando…

2016 foi um ano de finalização de ciclos. De deixar pra traz o que não nos serve mais. De encerrar o que deve ser encerrado, de limpeza, abrir espaço e desapegar. Foi um ano de muitas reflexões para mim. De entrar em contato comigo mesma, com meu lado mais sombrio. De aceitar quem sou, saber que sou imperfeita, mas que posso reconhecer minhas fraquezas e mudar a mim mesma, tudo no meu tempo.

2017 chegará transformando tudo. Depois do espaço aberto, a chegada do novo. Será aquele ano para novos inícios, projetos, pés no chão. Será propício para pegarmos aquelas ideias perdidas nas gavetas e colocar pra funcionar. É fazer, agir, começar, tocar adiante.

E com isso ja ando com meu caderninho novo de ideias, com minhas listas e muita energia para começar tudo novo. Tudo bem que o ano astrológico só começa em Março, quando entramos no signo de áries, mas já podemos sentir as energias de recomeços desde já.

Que possamos aproveitar essa energia de mudanças e deixar em 2016 o que não vai mais nos acompanhar em 2017. Eu sei, mudanças e datas são uma convenção criada por nós, humanos, mas uma coisa é certa: qualquer momento é bom para mudarmos a nós mesmos. Vamos lá?

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