Sobre objetos e suas memórias

18/07/2014

Decoração do quarto

Objetos guardam memórias. Mesmo que não percebamos, todas as vezes que interagimos com algo, seja ele um bloco de anotações ou uma roupa, entramos em contato com sentimentos e sensações que tais objetos nos causam. Aquela roupa que estávamos usando no dia do fim de um relacionamento raramente nos trará alegria ao ser usada novamente. Aquele brinquedo que nos acompanhou nos melhores momentos da infância provavelmente nos fará sorrir.

O problema de pessoas acumuladoras talvez não seja a quantidade em si de objetos que guarda, mas sim as diferentes sensações que estes causam ao serem vistos, manipulados ou usados. Quando temos um guarda-roupas cheio, daqueles que nem sabemos o que de fato está ali guardado, temos uma mistura de sensações, sentimentos e impressões em cada roupa, tanto boas quanto ruins, que acabam nos desanimando cada vez que decidimos organizá-lo. Enfrentar a confusa carga de sentimentos é difícil de lidar.

Por outro lado, quando mantemos objetos que nos trazem boas sensações, dificilmente será uma tarefa árdua manipulá-las, organizá-las e usá-las. Um guarda-roupas composto de roupas seletas, aquelas que realmente gostamos muito e que nos trazem boas lembranças e alegria é muito melhor aproveitado do que um que carrega energias de tristeza e más recordações.

A solução neste caso seria separar o que nos é muito querido daquilo que nos traz más sensações. Uma roupa com a qual passamos por uma situação triste – e nos faz recordar a cada vez que usamos – pode ser doada a quem precisa ou, quem sabe, “reprogramada” caso a memória ruim seja substituída por outra boa de um novo momento. O que não podemos é guardar objetos que nos deixam pra baixo cada vez que os encaramos. Desapegar de lembranças ruins pode não ser fácil, mas é libertador quando, após uma arrumação, mantemos apenas o que nos faz bem.

Vamos nos libertar do que nos traz más sensações?

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3 comentários leave one →

  1. Marcio CS

    Eu já penso que quem carrega as memórias somos nós, e não os objetos, por mais apegados que estejamos a eles. Quando conseguirmos nos desapegar e fazer bom uso deles, como doar a quem precisa, a memória continua intacta dentro de nós 😉

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    • Objetos provocam sensações a cada um de nós. Podem nos trazer uma lembrança ruim, mas para outro pode ser boa. Por isso o incentivo ao desapego. 🙂

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  2. Amanda

    Hoje eu estava arrumando minha estante e pensei no seu texto porque me lembrei de dois livros dos quais me desfiz porque foram presentes de pessoas que me traziam memórias ruins e que cortei contato há anos. A primeira foi uma grande decepção amorosa e a segunda uma amizade que acabou se tornando algo ruim. Eu lembro que peguei esses livros e os vendi para um sebo por um preço baixíssimo e cheguei ao cúmulo de camuflar a dedicatória de um deles para que a próxima pessoa que o adquirisse não pudesse ler. Na hora eu me senti super bem, mas vez ou outra lembro disso e me sinto “culpada”, será que eu precisava ter sido tão radical assim? Eram livros que eu gostava e que provavelmente teria até hoje se o fato de olhá-los na estante não me trouxesse lembranças dessas pessoas. Eu já evoluí bastante no exercício do desapego, mas confesso que nem sempre é fácil…

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