Cotidiano

O que aprendi aos meus 30 anos

19/04/2015

livro-rede

No último ano passei por uma série de transformações pessoais e espirituais. Vivenciei perdas, ganhos, mudanças e pude aprender muito com todas das experiências que vivi. Se por um lado aprendi a desapegar, por outro aprendi a persistir um pouco mais naquilo que eu achava ser fundamental.

Quando me afastei do Vida Minimalista, pensei que, por eu ter mudado tanto meus pensamentos, minhas novas ideias não caberiam mais aqui e deveriam migrar para um novo espaço renovado, sem rótulos e sem compactuar com algumas ideias um tanto radicais sobre este “estilo de vida”, digamos assim, que está cada vez mais conhecido. Não estava me sentindo mais à vontade, nem que aqui era meu lar, meu cantinho único na internet onde eu pudesse compartilhar meus aprendizados e transformações pessoais.

Me dei um tempo. Testei, mudei, desapeguei e não tive medo de arriscar algo novo, nem de desistir. Acho que cada um de nós deve sempre buscar harmonia naquilo que faz, buscar um caminho em que as energias fluam com mais facilidade e não persistir em algo que não esteja nos fazendo bem. Se há algo nos desnorteando, pode ser um sinal de que devemos parar, refletir e buscar uma forma de fazer aquilo de outro jeito ou de simplesmente desapegar.

Ontem, dia 18 de abril completei mais um ciclo de vida. Nos dias anteriores ao meu aniversário pude sentir um certo conflito interno sobre alguns caminhos que estava percorrendo, incluindo o destino do Vida Minimalista. Não quis arriscar muito e acabei fazendo pequenos testes, mas sem comprometimento. Não era o momento de decidir nada. No entanto, ontem, antes de dormir, refleti sobre algumas coisas que aprendi durante meus 30 anos e vou compartilhar com vocês.

1 – Todos que cruzam nossos caminhos têm um propósito

Não importa se a pessoa te fez muito bem ou se destruiu uma parte de você. Todos vêm a nós com algum propósito e sempre aprendemos algo por pior que seja a situação. Crescemos a cada dia, e é nas dificuldades que crescemos mais. Toda transformação tem nela um certo desapego para que o novo possa entrar em nossas vidas, portanto, não se culpe por permitir-se vivenciar alguma situação ruim. Se você conheceu alguém que te fez mal, você provavelmente sofrerá uma transformação – benéfica – após tal experiência. Somos todos interligados.

2 – Não devemos ter medo de mudanças

Nem das mudanças nem de desistir quando for preciso. Nosso ego é muito apegado ao que fazemos, ao nome que temos, à nossa reputação e diversos outros fatores. Nos apegamos a pessoas, títulos, atividades como se isso nos definisse, mas a verdade é que somos algo muito maior. Mudar nos causa medo pois estamos caminhando para algo desconhecido e isso é normal.

Tememos não saber exatamente o que irá acontecer e não devemos nos culpar por isso. Também tememos quando precisamos desistir de algo por não saber se teremos a oportunidade de voltarmos ao mesmo ponto se um dia resolvermos voltar atrás. Mas não existe o “mesmo ponto”. Nunca voltamos a ser como éramos antes, por mais que tentemos. Descobri que não existe voltar atrás, mas sim, renovar aquilo que desapegamos, sempre com um olhar diferente e até mais maduro, afinal, como canta Lulu Santos, “nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia“. Nenhum rio passa duas vezes no mesmo lugar.

3 – Quando nos desconectamos de algo, devemos respeitar nosso tempo

É melhor feito do que perfeito, mas também podemos dizer que em algumas situações é melhor deixarmos algo de lado por um tempo para que as ideias possam amadurecer.

Por muitas vezes trabalhamos incessantemente em algum projeto e nada parece dar certo, mas basta nos afastarmos do nosso objeto que novas ideias surgem. Isso pode ser aplicado em vários aspectos de nossas vidas. Quando estamos no meio do furacão não conseguimos ter uma visão total de todos os acontecimentos, mas quando nos afastamos dele, conseguimos analisar melhor a situação e tomar decisões mais adequadas. Se você está no meio de um furacão, dê um passo atrás e apenas o observe. Não importa quanto tempo leve, apenas dê um tempo, se precisar faça outras atividades e deixe o problema ali, em stand-by. Muitas vezes só no afastar já conseguimos ter uma ideia de como prosseguir.

4 – Ter conforto não significa não ter consciência ambiental

Muitos passam a mensagem de que se deve largar tudo, morar no meio do mato e que viver viajando o mundo é o que traz a felicidade. Mas será que podemos generalizar? Será que apenas aquelas pessoas que abandonam tudo, largam seus empregos e vivem uma grande aventura contribuem para um mundo melhor e são felizes?

Para alguns isso pode ser um sonho, mas para outros pode ser um grande pesadelo. Ninguém pensa igual a ninguém e não devemos ver a vida do jeito “oito ou oitenta”. Se para uns, vender o apartamento e pedir demissão é sinônimo de liberdade, para outros, ter uma estabilidade – mesmo que isso signifique trabalhar 8 horas por dia em um emprego formal – pode ser uma meta a ser alcançada. Também não é porque alguém tem um carro e se veste bem que não tenha uma consciência ambiental e não queira mudar o mundo.

Vivemos baseados em alguns estereótipos, mas devemos aceitar que não há apenas extremidades, mas uma gama de possibilidades entre elas. Como muitos dizem, não adianta fazer yoga e não cumprimentar o porteiro. Também posso acrescentar que não adianta pregar alguma religião, virar vegano ou vivermos de uma forma mais simples se não buscamos a transformação em nós mesmos e colocarmos em prática aquilo que dizemos ser. Pouco importa o estereótipo, o que vale mesmo são nossas ações e pensamentos corretos.

5 – O minimalismo externo é uma forma de chegarmos a nossas camadas internas

Quantas roupas preciso ter para entrar para o time dos minimalistas? A resposta? Quantas você julgar necessárias. O minimalismo se tornou hoje um sinônimo de ter poucas roupas (alguns até estipulam um número), ter poucos objetos sobre a mesa e fotografar aquele quarto branco, clean, sem quase nada ocupando o espaço. Mas afinal, qual o propósito disso tudo? O que fazer quando chegamos a esse estado exterior?

Desapegar de objetos, roupas e papelada é um processo que exige muito do nosso emocional. Somos muito apegados à matéria e acreditamos que é isso que nos define. Porém, ao realizarmos o processo de destralhamento (declutter) estamos removendo a poeira que nos impede de conhecermos a nós mesmos. O processo é importante, não o fim. À medida em que trabalhamos emocionalmente com cada objeto a ser descartado ou doado, estamos trabalhando níveis sutis do nosso subconsciente.

De nada adianta doarmos metade de nossos pertences e alcançarmos uma meta quantitativa se continuamos apegados, mesquinhos e egoístas. No entanto, é muito mais fácil trabalharmos tais comportamentos e pensamentos durante o processo do desapego físico. Enfim, desapegar de objetos físicos, ou seja, externamente, é uma forma de chegarmos às nossas camadas mais internas, fazendo um processo de autoconhecimento.

Espero que meus aprendizados possam servir de um pontapé inicial a vocês, que também buscam uma transformação pessoal. Vale lembrar que não há uma única verdade, todas as experiências que passamos nos servem de aprendizado, e que não temos certezas definitivas. Compartilhar experiências pode nos ajudar, e muito, a descobrirmos nosso próprio caminho.

Agora quero saber de vocês, o que aprenderam ultimamente? O que vocês gostariam de passar adiante? Compartilhem nos comentários!

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12 comentários leave one →

  1. Marcele

    Prima, tem um quote que eu gosto muito que expressa um pouco o que você está passando, eu acho.
    “Detachment is not that you should own nothing, but that nothing should own you.” -Ali ibn abi Talib

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    • Prima, que legal te ver por aqui, fiquei muito feliz com seu comentário! E sim, tem tudo a ver com o que estou passando e refletindo, não podemos deixar que as coisas nos possuam. Pensamos que possuímos as coisas, mas no momento em que colocamos nossa felicidade nelas, acabamos nos tornando seus escravos.

      Beijos!

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  2. Para falar a verdade, acho que nesses meus 23 anos, aprendi a mesma coisa que você. Cada coisa que você citou é bem o que sinto e aprendi. Cada transformação interna leva tempo para ser amadurecida de verdade, mas nos faz bem.
    Parabéns! Felicidades, Camile <3
    Beijos!

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    • Obrigada, Jessica!

      Realmente, cada transformação leva um bom tempo e nos causa também instabilidade. Li em algum lugar que quando nos sentimos seguros e satisfeitos, não estamos caminhando pra frente. E fico feliz que aos 23 anos você já tenha aprendido muitas coisas. Siga em frente e nunca deixe de buscar! <3

      Beijos!

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  3. Parabéns pelo aniversário. Também sou ariano, e sei o quando é difícil segurar nossa impulsividade.

    Com relação aos caminhos percorridos, particularmente, gosto de fazer um planejamento anual. Coloco no papel, e depois passo para minha agente, meus objetivos para o próximo ano. Tanto macro ( anual ) como micro ( mensal ). Por exemplo: cada 6 meses vc faz uma faxina no guarda-roupas, ou 2 vezes ao ano vc visita um orfanato…Tem me ajudado bastante…

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    • Obrigada, Alécio! Arianos são mesmo impulsivos, né?

      Gostei de saber como organiza seu ano. Planejamento é ótimo, principalmente quando revisamos constantemente nossas metas pra saber se algo deve ser ajustado e se estamos caminhando em direção aos nossos sonhos. Obrigada pela inspiração!

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  4. Primeiro: um enorme parabéns! E muitos anos, descobertas, redescobertas, novidades, mudanças e aprendizados para os próximos dias e anos por vir… Fiquei pensando como seria aos 30. O que terei aprendido? Mistério. Acho que os aniversários são como a postura: de cabeça para baixo, mudando o ângulo, levando a energia para a cabeça, equilibrando-se, brincando (ainda que não seja totalmente brincadeira). Realmente: de nada vale o estereótipo, é o que a gente transmite e aplica que conta. Exemplo: não é porque me acham calma ou zen que não posso dar uma sacudida nas coisas de vez em quando. Quero continuar removendo a poeira para me conhecer, cada vez mais e, claro, poder fazer algo com esse conhecimento, passar adiante, ajudar as pessoas, viver bem enquanto estiver por aqui…

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    • Obrigada, Patricia!

      Olha, eu sinto exatamente assim nos meus aniversários. Novo ciclo, novas energias, parece que tudo está de cabeça pra baixo, mas depois de uns dias parece que começo a ver uma luz no fim do túnel. E eu sou igual a você, tranquila e zen, mas quando preciso, viro bicho! hahaha

      Acho que remover a poeira é essencial pra nos autoconhecermos. E quanto mais fundo cavamos, mais descobrimos aspectos de nossa personalidade e nosso “eu” que não conhecíamos…

      Beijos!

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  5. Isabela

    Parabéns, Camile! Muitas felicidades, muita saúde, muito aprendizado – e brigadeiro também, porque ninguém é de ferro! Rsrsrsrs!

    Querida, o aniversário é seu, mas nós, leitores, é que ganhamos um presente! Que texto sensato! Os itens 2 e 3 vieram tanto a calhar hoje que você nem imagina. Eu precisava tanto que alguém me dissesse isso hoje (olha que sintonia ler esse texto justamente hoje!). Obrigada, de coração, por compartilhar suas experiências!

    Grande abraço!

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  6. neusa

    Adorei o post.
    Sem duvida que o destralhar nao e facil mas tentar nao custa. Desde que me iniciei no reiki que algo mudou na minha vida e o comecar a adoptar uma vida minimalista e o caminho

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  7. Fernanda Luz

    Ameiii esse post, queria comentar mais coisas mas é complicado já que concordo com todos os itens que citou. Ameiiii.

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  8. Bella

    Camile! Que post mais lindo e verdadeiro! Também entrei nos 30 e experienciei praticamente tudo o que você descreveu, e sim, os dias que antecederam o meu aniversário fora de relexão pura. Graças a Deus a conclusão é que estou evoluindo, então aí abri um sorrisão e curti, e ainda estou curtindo! Viver de maneira sábia é um aprendizado diário! Beijo! ( E já virei fã do seu site! )

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