Simplicidade

A menina do blog Vida Minimalista

23/12/2015

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Sim, eu ainda sou a mesma pessoa que escrevia no blog Vida Minimalista. Vocês podem ter estranhado um pouco algumas mudanças no blog e nas redes sociais ultimamente, mas a verdade é que não mudei, apenas ampliei meus horizontes. O autoconhecimento é um caminho que quanto mais trilhamos, mais descobrimos aspectos de nós mesmos, e mais percebemos que tudo parece pequeno demais quando nos distanciamos da nossa realidade. Vou explicar.

Quando criei o blog Vida Minimalista eu tinha algo em mente. Queria me esvaziar, encontrar o que eu era realmente, acessar o meu íntimo me desapegando de tudo que construíram em mim. Eu tinha que ser isso, eu tinha que ser aquilo, e aos poucos, desde minha infância fui deixando que me vestissem, que me dissessem o que é certo e o que é errado. Deixem que me moldassem para que eu encaixasse perfeitamente em uma sociedade com comportamentos esperados e gostos pré-definidos. Até que um dia me dei conta que não me sentia confortável naquela roupa, com aqueles pensamentos, naquela caixinha. tentei libertar-me.

O consumismo rege nossa sociedade. Vivemos em um espaço-tempo em que quanto mais temos, melhor somos. Isso é o que nos fazem crer, mas acabamos nos tornando pessoas vazias, ocas, vestidos de belas roupas e caros acessórios, mas esquecendo, na maioria das vezes, de buscar o que somos de verdade por dentro. Quais nossos princípios? Quais são os nossos ideais? O que realmente nos faz feliz?

Me despindo das roupas que me vestiram, dos objetos que colocaram ao meu redor, dos gostos que me fizeram acreditar que só assim eu faria parte de algum grupo específico, fui entrando em contato comigo mesma, e isso foi assustador, e ao mesmo tempo libertador. Escrevi, escrevi e escrevi logos textos sobre meus desapegos, descobertas e me sentia cada vez mais feliz em me rotular como minimalista. Fiquei conhecida com meu blog Vida Minimalista. Dei entrevistas para jornais e revistas, para dissertações de mestrado e conquistei leitores que estavam interessados em aprender e mudar suas vidas. Mas será que foi bom ter um rótulo?

Foi maravilhoso. Vivemos de momentos e cada um deles guarda uma energia específica. Se naquela época eu gostava de bater no peito e me afirmar minimalista e mostrar que meu lema é o desapego, hoje já desapeguei até do rótulo, e por esse motivo perdi alguns leitores que estavam em busca de um conceito minimalista que nem eu gostava de seguir: o de estipular números de roupas, número de objetos, o de encarar o minimalismo como um desafio de chegar a algum lugar, mas não necessariamente de viver plenamente o caminho.

Eu aproveitei cada minuto dessa fase. Foi bom demais ser a menina do blog Vida Minimalista. Foi engrandecedor aprender com livros, com pessoas, com blogueiros que estavam na mesma energia. E, ao estudar pra minha formação de yoga, abri uma porta desse conhecimento que estava ali, entreaberta e dei uma espiada. E percebi que tudo o que eu estava fazendo era yoga. Sim, o minimalismo, o desapego, a organização e a tentativa de viver de forma mais simples, tudo isso faz parte dos princípios de vida de um iogue. E, feliz em saber que havia um campo maior a ser explorado, decidi mergulhar de cabeça nesse mar de novos conhecimentos, que me parece que quanto mais fundo mergulho, mais percebo que ainda há muito a aprender.

Este post é, além de um desabafo, um pedido de desculpas a quem me acompanhava exclusivamente por causa do minimalismo. Não, eu não deixei de pensar assim, nem sequer mudei meus princípios. Apenas descobri que o pequeno ponto com o qual me identificava, fazia parte de algo muito maior. E é este ponto maior com que estou me identificando agora, que tenho certeza que faz parte de uma imensidão.

Perdoem-me por eu não focar tanto no minimalismo. Justo agora que parece que o tema está se popularizando pelos blogs brasileiros. Perdoem-me por não usar mais o nome Vida Minimalista. Perdoem-me por usar minha página do Facebook com o nome Camile Carvalho Yoga, e não mais Vida Minimalista. Perdoem-me por ter quebrado suas expectativas em falar apenas sobre um nicho específico e agora abranger o tema para algo mais amplo. Apenas perdoem-me. Porque eu não posso simplesmente fechar os olhos para as mudanças que estão acontecendo na minha vida. Porque há algo grande acontecendo, e não é um post de blog ou de Facebook que conseguirão traduzir toda a reviravolta de autoconhecimento que estou vivendo no momento.

Perdoem-me por não ter mais um blog sobre minimalismo e outro pessoal, porque isso sou eu e não vejo mais motivos para ter dois espaços, já que meus pensamentos se fundiram. Porque se assisto a um pôr-do-sol na praia e compartilho com vocês, certamente é porque aquilo tocou fundo em mim e me fez refletir sobre muita coisa que antes passava despercebido.

Perdoem-me pelas minhas mudanças. Pelo meu período de indecisão que refletia neste espaço. Por eu estar, aos poucos, unindo o entretenimento de escrever em um blog e minha vida profissional. Hoje, após um longo período de transformações, sinto que estou caminhando em uma única direção, unindo uma missão pessoal com o que mais gosto de fazer: escrever.

Perdoem-me se algo deixou de agradá-los durante esta transição, e gratidão a todos que me acompanharam, me compreenderam e continuam aqui comigo. Perdi muitos seguidores nas redes sociais? Sim! Fiquei triste? Sim, momentaneamente. Porque no final, o que importa é que quem continua ao meu lado está em sintonia com minhas mudanças e com minha energia. Transformando, crescendo, caindo e levantando. Porque a vida é assim, um constante fluxo de mudanças e ajustes.

Aprendamos com as árvores, que se mantêm firmes com suas raízes no chão, mas maleáveis quando vem a ventania, para que não quebrem. Sejam firmes com seus princípios, mas prontos para remar conforme a maré. Este blog não é mais o Vida Minimalista, mas tenham certeza de que o Vida Minimalista sempre fará parte deste blog.

Tenham um ótimo 2016 e mais uma vez gratidão por permanecerem comigo. Não tenham dúvidas de que este texto foi escrito com todo meu carinho e amor.

Namastê.

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6 comentários leave one →

  1. Oi, Camile!
    Me chamo Andrea e acho que é a primeira vez que comento em seu blog, mas depois deste post senti que deveria te dizer algo.. Te acompanho acho que há pouco mais de um ano nas redes sociais por causa do minimalismo. Não sou minimalista mas me identifiquei bastante com o conceito todo e estou aplicando alguns aspectos em minha vida.
    Acompanho poucos blogs sobre o assunto mas a sua forma de escrever me cativou.
    Quando essas mudanças no blog começaram, eu quase fui uma das pessoas que deixar de seguir o blog. Mas resolvi ficar e ‘ver no que dava’ por gostar do seu jeito e hoje não posso estar mais satisfeita com o conteudo que você tem produzido. Me agrada muito sua postura de não se deixar levar por essa onda dos blogs e sites minimalistas que parecem mais estar em uma competição sobre quem tem menos.
    Não se sinta mal pelos que ficaram no caminho.. Outros leitores sempre virão. (:

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  2. Carina

    Olá Camile! Parabéns pela coragem de se posicionar desta forma tão honesta. Sorte e Luz em sua nova jornada! Namastê.

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  3. Karoline

    Camile

    Você não tem que se desculpar de nada. Eu também não sei se já escrevi aqui, mas te sigo em todas as redes sociais e abro o blog todos os dias para ver se tem novidade. Gosto muito do que você tem postado, até porque a pessoa não é só minimalistas, ela é outras coisas também, ameio o post/resenha do livro da menina Iogue, pena que não leio em inglês. Comprei vários livros no final do ano que foi indicação sua. Continue assim, sendo você, sendo autentica. Feliz Natal e um excelente 2016.

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  4. Camille, tão bom ler um post assim, tão sincero e honesto. E tem que ser assim mesmo, viu? Nada de se desculpar. A vida é tão curta pra gente viver o que não é. Conheci o blog pesquisando sobre minimalismo (aliás, fica aqui o convite para conhecer o meu, Minimallista) que foi uma das melhores coisas que aconteceram no meu ano. Continuarei aqui com você. Um beijo, com carinho. Nati

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  5. Ana Beatriz Carvalho

    Camile, gosto muito do seu blog e já o acompanho desde a Vida Minimalista. Gosto principalmente da sua forma de escrever/expressar e me identifico pela transição pessoal, que também estou passando. Faço as palavras da Nati Bohrer Grazziotin, minhas: “A vida é tão curta pra gente viver o que não é”.
    Desejo que 2016 seja um ano lindo pra você ! Beijo querida 🙂

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  6. Não há por que se desculpar,Camile! Nós apenas nos beneficiamos em ler seus posts com um horizonte maior. Você continua nos ensinando sobre os princípios do Minimalismo, mas agora com outros aspectos do diamante multifacetado que é sua existência. Gostei da parte que você fala dos desapegos e que o minimalismo fez você desapegar até do rótulo minimalista,rs. Grande abraço e namastê!

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