Leituras

O que aprendi com o livro Manual de Limpeza de um Monge Budista

04/03/2016

Manual de Limpeza de um Monge Budista, de Keisuke Matsumoto (resenha) | Camile Carvalho #camilecarvalho.com

Uma das ideias que tenho pra nova fase do Vida Minimalista é compartilhar com vocês insights e aprendizados que obtive durante a leitura de alguns livros. Não será uma espécie de resenha super elaborada, mas sim debater alguns conceitos, trazer reflexões mais relacionadas ao conteúdo de livros/filmes/documentários do que a própria resenha em si.

Hoje vou falar um pouco sobre alguns insights que tive ao ler o livro Manual de Limpeza de um Monge Budista, o qual já fiz resenha lá no Vida Conectada (clique aqui para ler). O primeiro ponto que percebi ao ler este livro, é que devemos sempre estar com a mente aberta para aprender sobre uma outra cultura. Em vez de pensar, por exemplo, como eles são metódicos demais com a limpeza e higiene, é sempre bom se inserir na cultura do outro pra tentar compreender os motivos de tais hábitos. Quando falamos de limpeza de monges budistas, estamos nos referindo a pessoas extremamente organizadas, com uma cultura de cooperação muito forte e uma disciplina incomparável.

A limpeza dos toaletes

Segundo o autor, Keisuke Matsumoto, se o banheiro de uma casa estiver negligenciado, a impressão da casa inteira também ficará, podendo ficar manchada a hospitalidade do anfitrião. Por este motivo, eles costumam investir muito tempo e energia na limpeza dos toaletes.

A faxina é feita pela manhã e à noite, mas é claro que podemos adaptar à nossa realidade, afinal, dificilmente no nosso dia-a-dia temos condições de limpar o banheiro duas vezes por dia, mas podemos dedicar algumas horas no fim de semana para dar uma arrumada geral. Quanto mais tempo deixamos para limpar qualquer parte da casa, pior será a próxima faxina.

Alimentação e atenção plena

Outro ponto importante para eles é a cozinha. Um local quase sagrado, onde os alimentos – fonte da vida – são preparados. Ao se alimentarem, os monges permanecem em silêncio, prestando atenção ao seus alimentos e evitando sempre o desperdício. Essa é um conceito de Mindfulness, ou em português, Atenção Plena. Eles costumam comer até se sentirem mais ou menos 80% satisfeitos, o que faz bem pro organismo e pra digestão. Na verdade, o cérebro demora um pouco pra que o estímulo de saciedade chegue, então quando comemos depressa e em grandes quantidades, quando percebemos que já estamos saciados, é porque já estamos estufados e passando dos limites.

Essa lição de atenção plena é muito importante pra mantermos uma vida mais saudável, já que nos proporciona um momento de interação com o alimento, de consciência do que estamos comendo e nos faz perceber melhor a textura, o sabor, o aroma e tantas outras características, além de nos ajudar a desacelerar da correria das nossas rotinas. Uma ótima lição para quem tem o costume de jantar assistindo TV, conversando alto ou mexendo no celular. Claro, um jantar em família não é pra ser em silêncio absoluto, mas é sempre bom não tratarmos o nosso alimento como apenas um coadjuvante.

“Mastigue cada porção devagar e pare quando o estômago estiver 80% cheio. Mastigue bem, e o estômago será estimulado: a saciedade virá mais cedo e a vontade de comer por impulso diminuirá.”

A importância do desapego

O que mais me chamou a atenção no livro foi a parte do desapego. Eu tenho uma espécie de radar que sempre está alerta para quaisquer sinais de minimalismo, desapego e simplicidade em todas as minhas leituras, filmes e por onde eu passar. Há, no livro, um capítulo sobre a importância do desapego, e na visão do autor, “a vida sem bens materiais é bastante agradável“, proporcionando liberdade de espírito. Ele ainda afirma que somente o que é bom permanece ao seu lado quando temos poucos e seletos objetos.

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Eu particularmente gostei bastante dessa leitura. Por mais que seja um livro rápido de ler, sempre é bom se inspirar no modo de vida de outras pessoas e outras culturas, para podermos aproveitar dicas e adaptarmos à nossa realidade. O livro fala sobre uma vida monástica, na qual vivem em média 10 monges em cada aposento com seus poucos pertences e vivem em função do templo, mas mesmo nós, vivendo em cidades grandes, tendo muitas vezes uma rotina de trabalho e estudos, podemos extrair a essência de cada dica e ensinamento e aplicar um pouco em nossa rotina.

Acho que os principais aprendizados que tive do livro foram a de comer com atenção plena, cuidar bem da cozinha e do banheiro, ter apenas aquilo que nos faz bem e nos traz liberdade, e claro, manter nosso lar limpo para nosso próprio bem-estar e conforto. Afinal, uma casa limpa e acolhedora é sempre bem-vinda.

Quem também já leu este livro? O que achou? Compartilhe suas opiniões!

» O livro Manual de limpeza de um monge budista pode ser adquirido no site da Amazon.

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2 comentários leave one →

  1. Excelente indicação, desconhecia totalmente o livro. Eu li o da japonesa “Marie Kondo”e não gostei muito, é místico demais aquela história de pensar no sentimento da meia e tal, mas aprecio a filosofia budista vou dar uma chance para esse.

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  2. Adorei a dica!
    Bj e fk c Deus.
    Nana
    http://procurandoamigosvirtuais.blogspot.com

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