Faxina no instagram – aplicando o princípio da verdade

15/05/2017

Um dos princípios do yoga (chamamos de yamas e niyamas os “10 mandamentos” de um iogue) é Satya. Essa palavra, em sânscrito, significa verdade. Mas o que Satya tem a ver com um post sobre Instagram?

Não, eu não vim conversar com vocês sobre como não transmitimos 100% de verdade em nossas redes sociais. Todos estão cansados de saber – e ler por aí – que o que mostramos nas redes representa apenas uma parcela da nossa vida “aqui fora”. Que o que postamos nem sempre está alinhado ao que estamos passando pelo momento, mas que muitos preferem demonstrar coisas boas que despejar as angústias e tristezas aos seguidores – isso porque não citei as falsidades no sentido fingir ter uma vida feliz e perfeita retocada em um editor.

O que vim falar hoje é sobre a verdade em relação ao que realmente somos. E a verdade é que o número “mais de 4 mil seguidores” do meu instagram não é lá muito fidedigno. Tenho (ou tinha) mais de 4 mil seguidores que acompanham diariamente minhas postagens. Não tenho muitos likes nas minhas fotos, se formos analisar a quantidade de pessoas que me acompanham. Tirando o fato de que nem todos visualizam as fotos, ou por que não têm tempo, ou por que simplesmente não as recebem no feed, as médias das curtidas que recebo por foto não é lá muito alta.

Mas calma, números? likes? aqui, neste blog com alma minimalista?

Sim, números, seguidores, likes e redes sociais. 🙂 De certa forma, minha presença nas redes sociais está muito relacionada ao meu trabalho, sendo que consigo facilmente identificar meus “seguidores” nesses grupos:

  1. público que se identifica com yoga e poderá se tornar um aluno algum dia, talvez
  2. público que pratica em outros lugares e se inspiram com minhas postagens sobre yoga
  3. público que acompanha meu blog e se inspira com meu estilo de vida e dicas que publico
  4. amigos que me seguem por serem amigos pessoais
  5. pessoas que não conheço, sem foto no perfil ou com foto pornográfica, geralmente russos ou árabes ou com nome de usuário tão estranho que nem o Fantástico consegue identificar quem são, de onde vieram e do que se alimentam.

E é sobre este último perfil que quero refletir.

Caminhando contra a correnteza do “quero mais seguidores” e dos influenciadores digitais, resolvi fazer uma limpeza mais profunda na minha conta do Instagram. Pois, de nada adianta empinar o nariz com orgulho dos meus 4 mil seguidores, se uma parcela deles não são reais. Muitos blogueiros e influenciadores digitais apelam para a compra de seguidores para terem mais visibilidade e credibilidade no meio comercial, já que marcas enviam produtos e fecham parcerias com pessoas com muitos seguidores, mas será que isso dá um resultado real?

Eu poderia manter meu número alto de seguidores (pra mim é alto, desculpem influenciadores com 1 milhão!) mas o que isso realmente significa? Que verdade estou passando ao meu público? Sim, eu fico feliz quando ganho um novo seguidor, mas fico realmente feliz quando entro no perfil da pessoa e vejo que é alguém de verdade, não uma conta a mais para fazer volume e nem um perfil de alguma marca que só quer o “segue de volta”. Quem já passou pela experiência de ganhar um novo seguidor e, minutos depois receber unfollow por não tê-lo seguido de volta?

Sei que muitos de vocês sequer têm redes sociais e tudo bem. Tudo bem também TER conta nas redes sociais, já que cada um é cada um, com suas necessidades, vontades e liberdade. A questão é que resolvi limpar, excluir, bloquear, fazer uma faxina geral no meu instagram removendo todos os seguidores que se encaixam no tópico 5. Quero mais gente como a gente, pessoas que estão ali pra trocar ideias, pessoas com quem eu possa responder uma mensagem privada. Quero gente de verdade, não números. Quero sentir a energia de que cada interação é sincera.

Neste exato momento estou com meu celular ao meu lado, com o App Insta Cleaner (não é propaganda, eu paguei $1,99 por ele no App Store) fazendo uma faxina geral. Alguns podem se perguntar se vale à pena, mas pra mim está valendo. Estou me cansando de números das redes sociais. Cansando dos excessos, das muitas informações. Estou me cansando também de olhar perfis de pessoas totalmente artificiais, que de nada me acrescentam – e que sim, às vezes me fazem sentir que ou minha vida não tá tão legal ou que até que seria interessante se eu comprasse aquele produtinho…

Sinto que estou me renovando, me transformando, e que mais uma vez não sei onde vou chegar, mas tenho uma certeza: quero tudo mais simples. Quero estar leve. E se o preço a pagar por essa leveza, pelo Satya, pela busca por uma presença mais verdadeira e próxima no mundo virtual-real for perder números com os quais não tenho identificação, está tudo bem. Aliás, está ótimo!

Um dia, num passado não muito distante, cheguei a pensar que seria legal ser uma influenciadora digital. Mas esse pensamento deu lugar a outro. Talvez seja mais legal estarmos presente, darmos atenção, interagirmos de igual pra igual, sem influenciar, sem fazer o outro nos seguir, mas sim inspirar para que aquela pessoa, do outro lado da telinha, olhe pra si e descubra que existe um universo de possibilidades dentro dele e que ele não precisa ser influenciado por ninguém para ser feliz.

Antes que me perguntem…

  • Não, não estou removendo nenhum amigo, nem bloqueando ninguém nem deixando de seguir pessoas que estão sempre presente, apenas os fakes/pornográficos
  • Não, nunca comprei seguidores. Uma hora/aula de yoga é muito trabalho pra gastar com números em redes sociais 😛
  • Uma teoria que tenho é que talvez esses seguidores fakes venham através das hashtags que usamos nas fotos. No estilo “segue de volta?”

Enquanto isso, vejo meu Instagram com o número de seguidores em contagem regressiva…

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3 comentários leave one →

  1. Que reflexão incrível, Camile! Me identifique demais com o que você disse sobre manter o ‘real’… Há algum tempo atrás eu confesso que já desejei ter um blog grande, com muitos seguidores e tudo o mais, mas após um pouco de ponderação percebi que esse mundo não é pra mim. Primeiro que eu não gosto de exposição excessiva, segundo que eu não saberia lidar com o ‘assédio’ de pessoas que acham que me conhecem porque leem meu blog ou me seguem em alguma rede social e por consequência podem opinar na minha vida e até mesmo ofender gratuitamente à mim ou alguém do meu convívio e terceiro que não me imagino falando sobre coisas com as quais não me identifico só por views e likes. Internet é uma terra de ninguém nos dias de hoje.

    Ponderando mais um pouco percebi que números e interação são coisas distintas. Às vezes vemos perfis com 1 milhão de seguidores, mas apenas 200 comentam, sendo que desses 200 comentários somente 20 são de qualidade e agregam algo à quem fez a publicação.

    Recentemente também fiz uma faxina no meu Instagram, mas nos perfis que eu seguia. Percebi que seguia muita gente que não me identificava verdadeiramente e que as publicações não estavam entre as minhas preferidas, senti um alívio imenso em ver no meu feed só aquelas pessoas que eu simpatizo e com isso, sabe o que percebi? Todas que ficaram era ‘gente como a gente’, pessoas comuns, com vidas comuns… Ainda sigo um ou outro perfil de ‘influencers’, mas muito menos do que antes, ando preferindo ver ‘vida real’ ultimamente. E quando me refiro à vida real, não é que eu ache que a pessoa precise publicar seus dissabores nas redes pra parecerem reais, nem eu faço isso, mas vejo muito pessoas querendo mostrar ‘vidas ideais’ que não estão ao alcance na maioria esmagadora do público delas, deixando as pessoas tristes e insatisfeitas com suas próprias vidas e acho isso muito prejudicial de forma geral.

    Então hoje tenho preferido bloguezinhos pessoais, despretensiosos, pé no chão mesmo. O mesmo com as demais redes…

    Em tempo! Me encaixo muito no item 3 da lista, admiro muito e me inspiro demais em você, justamente por ser tudo real, tudo verdadeiro, tudo possível.

    Ótimo texto ♥

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    • Raq

      Adorei seu comentário tb

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  2. Daniele Tavares

    Adorei a reflexão. Eu não posto quase nada nas redes sociais inclusive Instagram e tenho várias pessoas que nem conheço me seguindo. Até para uma pessoa comum isso é chato.

    A limpeza nessas redes ajuda muito na limpeza da nossa vida.

    Obs.: Estou gostando da empolgação para postar no blog. rsrs

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