Como convencer a adotarem seu estilo de vida?

06/02/2015

buda-samyama

E então, após anos com a mente confusa, infeliz com a vida que levava, você descobre um novo estilo de vida tão fantástico, que deseja que todos ao seu redor experimentem o mesmo bem-estar. Mas quando vai tocar no assunto pra sua família e amigos próximos, eles torcem o nariz e afirmam que definitivamente, não é pra eles. O que fazer nessa situação? Você sabe que se todos adotassem esse novo estilo de vida que você acabou de descobrir, o mundo seria melhor. As pessoas se amariam mais, se respeitariam mais, viveríamos em um ambiente mais sustentável… qual a solução pra que os outros adotem o seu estilo de vida?

Infelizmente a resposta não é a que você esperava. Não há uma fórmula mágica pra que todos passem a aceitar e adotar o novo modo de vida que você está vivendo, afinal, cada um tem o direito de viver do jeito que acha melhor, sem imposições. Cada indivíduo tem seu tempo, tem sua trajetória, e seria egoísmo acharmos que o que é melhor para nós, também é pra quem convive conosco. Claro, pode até ser, mas será que convencer alguém a, por exemplo, se tornar minimalista seria bom pra essa pessoa? Será que seria o momento certo pra um ponto de virada na vida dessa pessoa?

Quando sentimos uma necessidade de mudança e buscamos nos reinventar, o desejo vem de dentro, sendo muito mais fácil de absorvermos e compreendermos a importância de cada mudança e os impactos que causará ao nosso redor. No entanto, ao tentarmos convencer o outro a fazer a mesma mudança, o estímulo nem sempre virá de dentro, não tendo a mesma força de vontade pra enfrentar cada desafio. Porque sim, mudar um estilo de vida, mesmo que nos torne uma pessoa melhor e nos deixe com a impressão de que saímos de um comercial de margarina, nos faz lidar com mudanças que nem todos podem estar preparados.

Você pode afirmar que desejaria ter feito a mudança antes, caso tivesse sido apresentado por alguém que vivia desta forma. Mas será que você já não conhecia seu novo estilo de vida, mas por não estar no momento certo, não te causou tanto impacto e motivação como agora? Vou dar um exemplo com uma experiência própria.

Conheci a Yoga em 2005 na minha primeira graduação em Medicina Veterinária na UFF. Como algumas universidades, tínhamos que cumprir algumas horas-aula do departamento de Educação Física, e pra minha comodidade e das minhas colegas de classe, havia Yoga na grade e o horário era perfeito, logo após o almoço no intervalo entre nossas aulas. Eu achava muito chato, mas precisava fazer aquelas posturas lentas, meditar e fechar os olhos ouvindo a voz suave e melosa da professora que quase nos fazia dormir depois de um almoço no bandejão da universidade. A Yoga fez alguma diferença em minha vida naquela época? Não e sim. Não porque eu realmente não estava interessada. Não era meu momento de me apaixonar por esse estilo de vida. Eu não estava preparada. E sim porque foi um primeiro contato com uma prática que anos depois eu compreendi o que significava, seus benefícios e então, em uma prática aleatória muitos anos depois, descobri que era aquilo que queria pra minha vida. Perceberam como foram dois momentos completamente diferentes?

O  mesmo ocorre quando algo que faz muito sentido em nossas vidas pode não fazer para os outros. Nos sentimos frustrados, é verdade, mas nem todos estão vibrando na mesma frequência que nós. E não, não somos melhores nem piores, apenas diferentes. Tentar impôr um estilo de vida ou fazer com que aceitem suas mudanças bruscas pode causar o efeito reverso: em vez de perceberem o quanto suas novas atitudes fazem bem, podem antipatizar, causando assim um bloqueio. O que fazer então neste caso?

Demonstrar através de exemplos é a melhor forma de mostrarmos às pessoas que convivem conosco o quanto um outro estilo de vida nos faz bem. Se você passou a ser mais organizado, mais produtivo, é visto sorrindo e sendo simpático com os outros e não carrancudo e desorganizado como antes, é certo que seus amigos e família ficarão curiosos pra saber o que causou essa mudança toda. E então descobrirão, aos poucos, os pequenos hábitos que estão fazendo a diferença em sua vida e, acredite em mim, inconscientemente arriscarão pequenos testes pra ver se também ficariam felizes.

A verdade é que jamais devemos impôr algo que nos faz bem aos outros. Cada um tem seu tempo, sua história de vida e seus apegos. Se você está feliz agora, todos ao seu redor perceberão. Não adianta se estressar e perder a espontaneidade na tentativa de convencer – e se frustrar – com quem não aceita te acompanhar. Pode ser que seja necessário plantar uma semente agora para colher os frutos mais tarde. Pode ser que haja um outro estilo de vida que os façam felizes. Ou pode ser nem isso, nem aquilo. A solução? Viva intensamente, seja feliz com suas novas descobertas e faça a sua parte. Afinal, não há melhor nem pior.

“Você tem que ser o espelho da mudança que está propondo. Se eu quero mudar o mundo, tenho que começar por mim.” – Gandhi

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9 comentários leave one →

  1. Vinicius

    Belíssima reflexão, não dá pra discordar de nenhuma palavra! Não temos que convencer nem provar nada a ninguém, somente sermos felizes conosco e pronto. Parabéns Camile.

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  2. Eliane

    Quase fiz Yoga com vc! Ia cursar essa eletiva também nesse mesmo ano, mas os horários não bateram com a minha grade, acabei fazendo em Icaraí(esqueci o nome do instituto).
    Pena que voltei p minha terrinha e aqui não é tão facil de achar.
    Um beijão!

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  3. Bruna Ontivero

    Camile, ótima reflexão!
    Pena que é muito difícil agirmos assim tão pacientes, né? Eu, como vegetariana recente, quero explicar pra todo mundo o quanto os animais sofrem para virar um pedaço de carne. E mais, quero explicar o quão desnecessário é comer animais, o tamanho do impacto ambiental que essa produção gera, os problemas de saúde que aparecerão caso a dieta não seja readequada… Nossa! Cada refeição vira um debate, uma palestra, uma discussão (às vezes produtiva, às vezes estressante).
    É bom levarmos um puxão de orelha de vez em quando! Temos que nos policiar sempre, pois não se pode viver de hipocrisias. Já chamei muito vegano de hippie e olha só o caminho que estou trilhando… Hahaha. Bjos

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  4. Melissa Barbosa

    Camila, que texto perfeito! Não é fácil chegar a essa conclusão, mas é necessário. Estou tentando ainda…

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  5. Oi Camile, como teu blog é lindo!
    Adorei o texto, você está certinha, concordo demais com você.
    Acho que a melhor coisa a se fazer nessas horas é dar o exemplo, assim, sem pressão ou obrigação, a pessoa escolhe o que é melhor para ela.
    Beijos

    http://www.utilidadebobagem.com/

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  6. Camile,
    Belas verdades que você descreve. Se fosse fácil mudar a opinião dos outros assim.. seria maravilhoso!

    Mil beijos e bom final de semana,
    Sheyla.
    http://blogdmulheres.blogspot.com.br/

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  7. Isis Lima

    Camile,

    esse post parece um abraço de amiga comungando das mesmas ideias <3

    No começo de mudança de estilo de vida a gente fica até meio chatinha, só fala no assunto. Só quando aprendemos a respeitar o tempo do outro, o coração acalma. Mas é muito bom quando algum desses amigos vem pedir algum conselho, aí sim é a hora de aproveitar a oportunidade. Hahaha

    Gratidão!

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  8. Fernanda

    Camile, adorei esse post. Como sugestão, que tal fazer um antes e depois dessa mudança pessoal sua?

    Abraços,
    Grata.

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  9. Céli

    Camile concordo contigo. Eu nunca me imaginei sendo vegetariana, não me interessava pelo assunto, até hoje tenho dúvidas de qual foi o momento em que despertei para o vegetarianismo, simplesmente aconteceu. Por isso eu não tento catequizar os demais, sei que cada um tem seu momento, se me perguntam sobre o assunto eu falo, se não eu fico na minha. As pessoas só mudam quando elas querem. Se há 2 anos alguém tentasse me persuadir pro vegetarianismo, só perderia tempo. Hoje eu amo tanto os animais quanto as pessoas (menos as que debocham do veggie kkkk), por isso respeito os dois. A questão é não condenar quem tem outro estilo de vida. Tem uma frase muito falada que não sei de quem é e que provavelmente foi inspirada no Gandhi aí do post “seja a mudança que vc quer ver no mundo”.
    Bjos

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