Minimalismo

TAG: Como me tornei minimalista?

08/11/2015

TAG: Como me tornei minimalista? | Vida Minimalista | Camile Carvalho

Fui convidada pela Bruna, do blog Uma Vida Mais Simples a responder esta TAG que está circulando por entre algumas blogueiras minimalistas e fiquei bem animada a responder. Assim que dei uma olhada pelas perguntas parece que fiz uma viagem ao tempo, me recordando do início do meu blog Vida Minimalista e confesso, até bateu uma saudade. Vamos às perguntas?

1. Primeiro, como resolvi me tornar “minimalista”?

Foi um processo longo, e hoje, olhando pra trás, consigo identificar que durante anos acumulei algumas experiências que me levaram até a criação do blog Vida Minimalista. Em 2007, por causa da Medicina Veterinária, morei um tempo em Brasília e depois em Três Rios (RJ). Não fiquei por muito tempo em cada lugar, mas a quantidade de malas que levei me causaram tanto transtorno que quase me senti sufocada com tantos objetos que eu mal utilizava lá. Logo após, fixei residência em São Paulo e dividia casa com amigos de república de estudantes, me forçando a caber dentro de apenas um guarda-roupas pequeno.

Claro que foi difícil, acabava guardando tralhas sob a cama e dava meu jeito pra fazer caber tudo naquele espaço que me era destinado. Foi quando entrei em contato com blogs sobre minimalismo em inglês e me voltei mais às leituras budistas e hinduístas e fui compreendendo melhor o desapego. Ali começou minha trajetória de destralhar e manter apenas o que eu realmente precisava, o que era útil, até o ponto de ir morar num templo e carregar comigo apenas uma sacola pequena de viagem e ver que eu realmente não precisava de mais nada além daquelas roupas e alguns pertences que me acompanharam. E se engana quem pensa que consegui viver com uma mala apenas porque estava em uma espécie de retiro, pois eu ia todos os dias pras aulas na USP e voltava no fim do dia. Ali foi o ponto-chave da minha mudança, quando percebi que não precisava de muito para viver bem.

2. Porque senti necessidade de mudar minha vida?

Acho que todos que fazem uma grande mudança têm um motivo especial, um start que nos faz ter forças pra encarar um novo desafio, e essa busca pelo autoconhecimento junto com experiências de mudanças de cidades e estados me fizeram entrar em contato com uma Camile que antes eu mesma não conhecia. Essa busca por quem sou eu me fez remover várias cascas que me cobriam há anos, e acredito que o primeiro passo é começar a remover os objetos que não dizem nada sobre nós mesmos pra depois chegar a camadas mais internas. Foi um momento em que precisei me despir do que eu não era pra tentar descobrir quem eu era.

3. Por onde comecei?

Eu poderia dizer que comecei doando roupas ou objetos, mas na verdade comecei pela minha alimentação, fazendo uma das maiores mudanças na minha vida quanto aos princípios que sigo: me tornei vegetariana. No momento em que encarei de frente o que era me alimentar de carne e o que isso realmente significava, me dei conta de que não poderia continuar colaborando com algo que eu não concordava, que não achava correto. No dia seguinte, de manhã, abri meu armário na cozinha, retirei tudo e coloquei sobre a mesa. Voltei para o armário apenas alimentos que não continham carne e deixei sobre a mesa tudo o que não queria mais na minha vida.

Quando meus amigos chegaram para tomar café da manhã, falei que podiam pegar tudo, que eu não comeria mais carne. Foi o primeiro passo desta minha grande mudança, foi como me libertar de uma algema que eu estava presa e nem sabia. Depois disso, passei a desapegar de roupas, objetos e sentimentos que não cabiam mais em minha vida.

Isso aconteceu em 2008 e em 2010 abri o blog Vida Minimalista pensando que ali, naquele primeiro post, seria o pontapé inicial para uma grande mudança. Mal sabia que já havia dado pequenos pontapés ao longo de um grande percurso…

4. Quanto tempo levou até que percebi a mudança de hábito?

Eu sabia que algo grande estava acontecendo em minha vida. Quanto mais eu desapegava, mais queria desapegar, até chegar ao ponto de olhar para meu armário reduzido e ainda achar que tinha muita coisa. Cheguei a um ponto extremo, o que também acho que foi importante. Passar de um excesso para um mínimo me fez depois buscar um caminho do meio, o equilíbrio. Não sei ao certo quanto tempo levou até que eu percebesse a mudança, pois quando estamos numa reviravolta dessas quase não conseguimos enxergar como um todo. Hoje, olhando pra trás, vejo como cada passo que dei, mesmo que pequeno, contribuiu para que esse estilo de vida se consolidasse.

5. Você implementou outras mudanças em sua vida?

Muitas. Com a questão do desapego – hoje prefiro usar o termo desapego e não minimalismo – consegui me livrar de mágoas passadas, de preocupações irrelevantes, cuidar melhor da minha alimentação e saúde. Quando focamos no que realmente é importante, até aquela discussão boba pelas redes sociais que nos incomodaríamos antes, se torna pequena demais. Mudei muito minha forma de ver o mundo.

6. Por fim, de todo esse processo, o que foi mais importante para você?

O mais importante pra mim nesse processo todo foi a consciência da co-responsabilidade. Somos uma teia, uma grande rede, e cada ação que fazemos tem uma reação. É importante pensarmos que impacto nossas ações têm no planeta, no meio em que vivemos, nas pessoas, nos animais… de tudo, acho que o mais importante foi aprender – ou me tornar consciente – de que ao machucarmos os outros machucamos a nós mesmos. O minimalismo não me atingiu de forma material. Não eram meus sapatos. Não eram meus CDs. Era algo muito maior. Era acessar algo que sempre havia dentro de mim e que eu  não conseguia enxergar por estar coberta de tanta tralha e sentimentos. O caminho ainda é longo e por isso o processo continua…

🌸 🌸 🌸

Se você também gosta do estilo de vida minimalista ou apenas está tentando desapegar aos poucos mesmo sem usar o rótulo de minimalista, responda esta TAG em seu blog e deixe o link aqui nos comentários! Se não tem blog, mande um email com seu relato para contato@camilecarvalho.com contando como começou, qual foi o ponto de partida e como foi seu processo para que eu publique aqui no blog. Ficarei muito feliz em conhecer um pouquinho da história de cada um de vocês também!

imagem: daqui

Compartilhe o artigo:Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on Tumblr

comentários via facebook

8 comentários leave one →

  1. Bela Hanajima

    Que interessante! Não sabia sobre, adorei conhecer por esse post.

    Responder
  2. Luane

    Adorei conhecer mais detalhes da sua história! Ainda não consigo desapegar de muitas coisas que eu quero, mas estou no caminho…

    Responder
    • Oi Luane!

      Cada um tem seu tempo e seu caminho. É bom inspirar em outras pessoas, mas sabendo que somos diferentes. O desapego é algo difícil de ser trabalhado mesmo, pois mexe muito com o emocional. É praticamente uma terapia! Se você já está no caminho, já está bom demais. Agora basta continuar caminhando. 😀

      Beijos!

      Responder
  3. Elaine

    Gostei muito do texto, estou nesse processo também, conseguindo enxergar que podemos viver com menos, e que a simplicidade é forma mais linda de se viver.

    Responder
  4. Nara Stefanie

    Adoro o conceito do minimalismo. Ultimamente eu ando assim,me desapegando de várias coisas,até mesmo pq não tenho paciência,acabo esquecendo e minha vida vira uma bagunça. Fiz uma limpa no guarda roupa,pensei em doar uns livros… como diz o Buda,quanto mais coisas tiver,mais terá com o que se preocupar.
    Também tenho muita vontade de virar vegetariana,por que como vc disse não posso continuar colaborando com algo que não sou a favor. É complicado,mas vou conseguir.
    Não tem maneira melhor pra levar a vida do que optar pela simplicidade né?
    Um beijo.

    Responder
  5. Excelente respostas! 😉

    Adorei! Beijos!

    Responder

Links por aí...

  1. COMO ME TORNEI MINIMALISTA  22.01.16

Gostou do que escrevi? Deixe um comentário! :)