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Yoga

Como fazer a respiração completa

02/08/2016

Pranayama: Como fazer a respiração iogue (completa) | blog Camile Carvalho

A respiração é uma das ferramentas de regular a energia que circula em nosso corpo (prana), e através de seu controle, é possível trazer mais equilíbrio emocional ao nosso dia-a-dia, aquietar a mente e melhorar a qualidade de vida.

Pranayama

Pranayama é o controle da respiração muito utilizado na prática de yoga e, assim como os asanas (posturas), existem diversos tipos de pranayama que atuam de forma diferente em nosso corpo e mente. Aqui no blog já compartilhei com vocês a técnica da respiração das narinas alternadas (nadi shodan pranayama) e hoje eu vou ensinar a respiração iogue mais básica e mais importante: a respiração completa.

Devido ao nosso estilo de vida corrido e estressante, temos o (péssimo) hábito de respirar mais com a porção torácica do que com a abdominal. Juntando também com a cultura de manter a barriga sempre pra dentro, acabamos não expandindo nosso abdomen o suficiente quando respiramos, o que nos leva a uma respiração superficial aproveitando pouco da capacidade pulmonar.

Vocês podem perceber que animais e bebês quando inspiram, expandem a barriga para fora e laterais, mas por diversos motivos, quando crescemos, acabamos direcionando nossa respiração apenas à porção torácica.

A respiração e o estresse

Reparem também que quando estamos em situação de estresse, medo ou ansiedade, sentimos o famoso “nó na garganta” que nada mais é que a respiração alta, concentrada apenas na parte das clavículas e costelas. Trazer a respiração para baixo, para o abdomen é, portanto, uma das formas mais simples de acalmar a mente em situação de estresse e recuperar o controle emocional, além de aumentarmos o grau de aproveitamento e oxigenação do corpo por estarmos ativando uma porção maior dos pulmões: a porção abdominal.

Passo-a-passo da respiração iogue

Essa respiração é bem simples. Você pode fazer deitado ou sentado de maneira bem confortável.

  1. Coloque a mão direita sobre o tórax e a esquerda sobre o abdomen
  2. No momento da inspiração, sinta primeiro o seu abdomen se expandindo até seu limite
  3. Após o abdomen se expandir, sinta agora a região do tórax se expandindo com o ar
  4. Na expiração, primeiro a parte do tórax vai esvaziando e em seguida, a abdominal
  5. Tente dar pequenas pausas entre a inspiração e expiração

Dicas

O importante dessa respiração iogue é perceber como o ar entra e expande primeiro a parte abdominal, como se fosse um copo de água enchendo: de baixo para cima. Só depois é que a parte superior do pulmão se expande. O mesmo ocorre quando expiramos: primeiro a parte superior se esvazia e em seguida a inferior, do abdomen.

É importante também fazermos essa respiração em um lugar tranquilo em que possamos prestar atenção apenas na respiração. Mantenha os olhos fechados e concentre-se no ar que entra e sai pelas narinas, assim, além do benefício de aumentar a capacidade pulmonar e oxigenação do organismo, também é uma forma de meditação.

Finalizando

Após ficar o tempo necessário, sente-se de maneira confortável (caso esteja deitado), mantenha os olhos fechados e repouse as mãos sobre os joelhos. Apenas observe como ficou a respiração e a mente após esse exercício.

Todas as vezes em que você se encontrar em alguma situação de estresse, preocupação ou ansiedade, pratique a respiração iogue conscientemente. Você perceberá que é capaz de controlar sua mente e seu corpo, já que através do controle da respiração somos capazes de  reduzir o impulso da ansiedade e estresse (sistema nervoso simpático) e ativar um estado mais relaxado (sistema nervoso parassimpático).

“Enquanto a respiração (prana) for irregular, a mente permanecerá instável; quando a respiração se acalmar, a mente permanecerá imóvel e o yogi conseguirá a estabilidade. Por conseguinte, deve-se controlar a respiração.”

~ Hatha yoga pradipika II. 2.

Espero que tenham gostado da dica! Essa respiração é a principal e mais básica para conseguirmos ter o autocontrole. Pratique diariamente ou sempre que precisar e comente aqui os resultados e impressões que teve. Como ficou sua mente? Como ficou sua percepção?

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Yoga

Vivendo o momento presente

22/07/2016

Vivendo o momento presente | Leve por aí | #leveporai

Quando me deu o start de voltar a buscar a simplicidade em tudo, como no começo do meu blog, eu estava em Itaipuaçu, aquele meu paraíso pessoal. Acordava de manhã com o sol fraco no meu rosto, pássaros cantando e tinha dias que duravam uma eternidade. Mesmo fazendo tudo que eu tinha pra fazer no dia, parecia que sobravam horas, o que me permitia deitar na rede e ler um bom livro. Bem, assim passei duas semanas de descanso em Itaipuaçu, mas agora estou de volta ao meu paraíso de concreto: Rio de Janeiro.

Vocês podem estar se perguntando: paraíso de concreto? Mas afinal, amo ou odeio o Rio de Janeiro? A resposta é clara: eu amo a vida que tenho. Quando aprendemos a dar valor ao que já temos, tudo fica mais fácil. Gostaria de estar no momento em uma casinha simples no meio do mato? SIM! Gostaria, aliás, de estar viajando o mundo. De passear pela Índia, desbravar cidades russas, andar pelas ruas de Tóquio e tomar uma água de côco em Aruba. Mas essa não é minha realidade. Não agora.

Quando aprendemos a sermos gratos pelo que temos, começamos desenvolver um outro olhar sobre nossas vidas. Tem muitas pessoas por aí com uma vida melhor que a minha? Sim! Mas também tem muitos com uma vida não tão boa. A situação que tenho hoje é o que tenho, e apesar de parecer um tanto conformista, creio que é apenas uma forma de darmos valor ao caminho que já trilhamos e às nossas conquistas.

O homem parece que quer sempre mais. Quando conquista algo, mal aproveita o que conquistou e já está pensando em planos futuros. Por um lado é bom, pois nos faz permanecer em movimento. Transformações são bem-vindas, mas aproveitar o momento é melhor ainda.

Até quando vamos ficar ansiosos pela próxima parada? Ser conformista é estar acomodado e não querer sair da zona de conforto, o que é completamente diferente de se conectar com o momento presente e perceber o quanto podemos ser felizes com o que temos agora. Planejar mudanças é algo totalmente diferente de viver no futuro, de depositar nossa felicidade em algo que ainda não aconteceu.

Sejamos felizes hoje, com o que temos. Saibamos agradecer pelo caminho longo que já percorremos até aqui. E que todos nós possamos manter o pensamento elevado e o coração aberto para tudo o que está por vir. Estamos em constante mudança, em uma longa caminhada, e as únicas coisas que podemos fazer no momento presente é olhar pra trás e sermos gratos pelo que já vivemos, olhar para frente e confiarmos que nossos planos serão concretizados com nosso esforço e dedicação, e olhar para o presente e termos a certeza de que estamos no ponto onde deveríamos estar.

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O que é Yoga?

07/04/2016

O que é Yoga? | Camile Carvalho

Em seu livro A Luz da Yoga, o mestre B. K. S. Iyengar explica de forma clara e simples o que vem a ser Yoga. Quando me perguntam o que é Yoga, paro e penso por alguns segundos. Será que é possível definir tudo isso que abrange o Yoga? Como explicar a alguém que nunca praticou que Yoga não é (apenas) fazer posturas, se contorcer e colocar os pés na cabeça? Que você pode praticar Yoga apenas com respiração e meditação? E o mais curioso, que você pode ser um grande Yogue sem nunca ter tido aulas.

Isso tudo é porque Yoga é um estilo de vida, e sua prática vai muito além do tapetinho, tendo alguns estágios que, se praticados de forma sincera e dedicada, transforma completamente nossas vidas.

Vamos à definição por Iyengar:

“A palavra “ioga” deriva da raiz sânscrita “yuj“, que significa jungir, atar, reunir, ligar, dirigir e concentrar a atenção sobre, usar a aplicar. Significa também união ou comunhão. (…) significa a disciplina do intelecto, da mente, das emoções, da vontade, que é o que a ioga pressupõe; significa uma atitude da alma que permite a alguém encarar a vida em todos os seus aspectos com equanimidade.” – pág. 17

Yoga e a escrita

Podemos perceber alguns pontos nesta citação. O primeiro ponto é em relação à escrita da palavra. Muitos têm dúvidas de como se escreve, se usa-se Yoga ou Ioga, e como comentei no vídeo do Youtube, a palavra vem do sânscrito. Yoga (pronunciando-se yôga) é na transliteração do original, e na língua portuguesa escreve-se Ioga (pronunciando-se ióga). As duas formas de se escrever estão corretas, depende da preferência de cada um.

Yoga x Religião

Yoga não é uma religião se observarmos as estruturas religiosas atuais, mas se formos no significado de ambas as palavras, podemos perceber algumas semelhanças. Como o radical da palavra Yoga é Yuj, que significa ligar, união, comunhão, podemos perceber que o indivíduo que a pratica tem uma meta de religar-se a algo. Da mesma forma, a origem da palavra religião é religare, que também significa esta união, uma re-ligação com algo ou alguém.

No entanto, a filosofia yogue nos torna mais conscientes sobre quem somos no universo, seja ele criado por uma energia concentrada que gerou o Big Bang, seja ele criado por um Deus onipotente. É por isso que, independentemente de crenças ou ausência delas, o sistema yogue nos reconecta com a existência e nos ensinando a ouvir nossa voz interna, desenvolvendo o autoconhecimento para transformar nossas vidas. Yoga não é uma religião, pode ser praticada por religiosos e ateus, mas tem este princípio de reconhecer-se como parte de algo muito maior.

O que é Yoga? | Camile Carvalho

Yoga e a co-responsabilidade

Partindo do princípio que houve um Big Bang e que toda a existência de todos os universos provém da mesma energia, há que se concordar que todos somos feitos do mesmo princípio. Árvores, pedras, mares, animais e seres humanos. O mesmo ocorre quando se tem uma crença em um Deus criador de toda a existência. Dependendo da estrutura religiosa, podemos nos ver como criação (filhos de Deus) ou tendo o mesmo princípio do criador (parte de Deus).

Nesse aspecto, as hierarquias acabam se reduzindo e nos colocamos no mesmo patamar por exemplo, de toda a vida em nosso planeta. Isso faz com que pensemos melhor sobre a preservação, respeito e responsabilidade sobre outros seres vivos, sejam eles animados ou inanimados. Yoga é, portanto, esse estado de comunhão com a totalidade, a percepção de que não somos este corpo material, mas sim parte de algo muito maior, pela qual somos também responsáveis e co-criadores.

Yoga e disciplina

Como dito no trecho do livro acima, Yoga é a disciplina do intelecto, da mente, das emoções, da vontade… Isso significa que em vez de pensar no Yoga como um sistema limitador, que nos controla e regula, deve-se ver pelo ponto de vista do autoconhecimento e de auto-observação de como agimos e reagimos em diferentes situações. Quando estamos vivendo no modo da paixão, por exemplo (Rajas), somos impulsivos, atropelamos tudo e acabamos por tomar decisões precipitadas. Já o contrário, quando vivemos no modo da ignorância (Tamas), encaramos nossas vidas com letargia, preguiça e desânimo, o que também é prejudicial.

Para vivermos com a equanimidade, que é o que o Yoga nos oferece, devemos manter nosso equilíbrio de mente, fala, ações e emoções. É o tão conhecido caminho do meio, muito falado também no budismo. Este modo, portanto, é o modo da Sabedoria (Sattva), que nos permite viver de forma plena e feliz.

Como já diz o ditado, “uma lâmpada não tremula num lugar onde não sopra o vento“. Da mesma forma é o yogue, que encontrando essa quietude de sua mente, sentidos e emoções, encontra dentro de si mesmo sua autorrealização e felicidade plena. Afinal, quando vivemos de forma automática, somos incapazes de voltarmos para dentro. Dessa forma, a prática de Yoga nos ajuda a acalmar a mente agitada através das posturas, meditação, exercícios de respiração e observação do nosso dia-a-dia, para que possamos ouvir aquela voz que vem lá de dentro, mas que quase nunca temos tempo de escutá-la.

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O livro citado nesse artigo é A Luz da Ioga, de B.K.S. Iyengar (edição condensada). Cada post que eu fizer pra debater sobre a filosofia do yoga, vou usar algum livro de apoio pra servir também de indicação a vocês.

Iyengar, B. K. S. A luz da ioga. São Paulo: Círculo do livro, 1980.