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Minimalismo

Sobre os ídolos minimalistas

04/06/2013

Sobre os ídolos minimalistas

Hoje recebi um comentário da leitora Chernova, que me fez refletir um pouco sobre a imagem que os minimalistas (ou aspirantes ou simpatizantes) possuem. Como eu ia escrever uma resposta extensa, resolvi criar um post sobre esse assunto que pode esclarecer algumas questões sobre o minimalismo, o blog, minha pessoa e meus pensamentos sobre o assunto. Há muito venho observando e questionando algumas atitudes apresentadas por diversos minimalistas-ídolos, e quando me veio essa mensagem da leitora, senti ser o momento para escrever um pouco sobre o que penso.

Adianto-me a dizer que respeito a opção de cada indivíduo, mas que algumas atitudes destoam um pouco do que penso sobre o assunto, embora tenha a consciência de que somos seres extremamente passíveis de mudanças. Vamos à mensagem:

Para alguns, todas essas metodologias facilitam o processo de organização. Contudo, a meu ver, esses métodos são burocráticos e, pedagogicamente falando, pedantes, uma vez que vão na contramão da essência do minimalismo: a simplicidade.

Confesso que ao deparar-me com siglas como GTD, ZTD, MIT e outras sinto-me verdadeiramente numa aula de Física, Matemática ou Química. A própria criação destas siglas, assim como o uso da técnica denominada de Pomodoro, já demonstra uma total ausência do minimalismo, da simplicidade, ou seja, daquilo que é essencial.

Para mim, minimalismo significa, dentre muitas coisas, não estar presente em ‘trocentas’ redes sociais; não ter de criar pseudofórmulas, como as citadas acima, para executar simples ações do dia-a-dia.

Sei que vocês veem o Leo Babauta, os The Minimalists e muitos outros estrangeiros quase que como “Deuses” do minimalismo, mas – na minha mais humilde opinião – os vejo como pessoas vaidosas e pseudominimalistas. Tenho pra mim, como referência de minimalismo, Tenzin Gyatso, Jesus Cristo e Mahatma Gandhi. Estes sim eram (ou ainda é, no caso de Tenzin Gyatso) Minimalista(s) genuinamente. – Chernova

Concordo com a leitora em diversos pontos. Essas metodologias são muito úteis para muitas pessoas, assim como complicam ainda mais a vida de outras. Sendo o ser humano diferente um do outro, é normal que algo não sirva massivamente para todos e seria muito ruim se fossemos dessa maneira, além do que, soluções definitiva do tipo “resolva todos os seus problemas” não combina comigo, passo longe.

A questão é que, como tenho um público diversificado (ainda bem!), tento mostrar aqui diversos tipos de dicas a fim de ajudar, pelo menos um pouquinho, a cada um que visita o blog. Uns só gostam de posts sobre produtividade e essas metodologias, pois trabalham com gerenciamento e administração. Outros já gostam das reflexões que escrevo e não curtem metodologias. À medida que vou descobrindo, através das minhas leituras e experiências pessoais, vou compartilhando aqui com vocês. Isso não significa – e sempre ressalto isso – que seja um manual completo e definitivo de como viver, muito pelo contrário, algo que funciona maravilhosamente bem para mim, pode não funcionar para outra pessoa.

Em relação às siglas, é visível que é uma estratégia de marketing e também concordo serem um tanto desnecessárias na prática. Na verdade não fazem muita diferença mas que, se o autor as nomeou assim e todos as conhecem dessa maneira, eu também utilizo, assim como a referência de quem as criou, seja ele Leo Babauta, David Allen ou qualquer outra pessoa independente se ela se auto rotula como minimalista ou não. Até o filósofo Bauman me inspira!

Muitos minimalistas têm como ídolos escritores de blogs como The Minimalists, citado no comentário. Partilho da opinião, visto que alguns estão utilizando o minimalismo hoje como forma de status, de mostrar aos outros que é “superior”. Meu questionamento é: cadê a simplicidade nesses casos? Mas tudo bem, cada um segue seu caminho, quem sou eu para julgar?

Por outro lado, não podemos generalizar achando que todos os minimalistas são iguais e possuem os mesmos ídolos e hábitos. Aliás, não gosto de me rotular como minimalista. Assumir essa postura gera cobranças e angústia e a vida é um constante movimento e não estática. Creio na efemeridade das coisas e o que hoje é, amanhã pode não ser mais. Eu busco, através de práticas minimalistas, simplificar minha vida, não que eu seja uma minimalista disputando o top 10 na internet. Definitivamente isso não faz o meu perfil.

Mahatma Gandhi, Tenzin Gyatso, Geshe Gyatso, Thoreau, Madre Tereza de Calcutá e São Francisco de Assis sim, são alguns que eu levo como exemplo de conduta e que tenho como referência de simplicidade. Gosto do Leo Babauta? Gosto! Ele tem textos ótimos, é um pouco radical, mas é o que funciona pra ele além do que, suas escritas servem como inspiração, não como um modelo a ser fielmente seguido. O mesmo para Joshua Becker, Everyday Minimalist entre tantos outros sites sobre o assunto.

A vida é muito simples para ficarmos nos encaixando em rótulos, para querermos ser como outra pessoa ao invés de tentar buscar nossa verdadeira essência. No entanto, devemos ler, ler muito e sobre tudo um pouco. É bom buscar, aprender com os erros e com os acertos dos outros, pois só assim podemos discernir por qual caminho desejamos seguir e qual deles não se encaixa com nossos princípios.

Acho que escreverei mais posts inspirados nos comentários dos leitores, pois assim podemos ampliar cada vez mais o debate sobre diversos temas. O que acham?

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Dia de declutter e organização do armário

03/06/2012

Dia de declutter e organização do armário | Camile Carvalho | #camilecarvalho

Depois de uma prova, nada melhor que chegar em casa e fazer um declutter no armário. Eu estava sempre deixando pra depois, achando que não havia nada a ser organizado – pasmem – mas acho que o que estava faltando mesmo era motivação e tempo livre. Durante duas semanas tive um problema muscular no meu ombro, me impedindo de realizar qualquer tarefa desse tipo, mas acabei me rendendo ao antiinflamatório e já posso dizer que estou 80% boa.

Ataquei o guarda roupa, na parte em que guardo maquiagens, cosméticos e bijuterias, e descobri que sempre sigo a mesma etapa de sentimentos, se é que posso chamar assim:

1) Deparar com a bagunça e achar que não há muita coisa a mexer ali, apenas dar um “jeitinho”. (Sim, fui irônica!)

2) Retirar tudo do local e colocar a tralha no chão. Após limpar o local com um pano pra remover a sujeira e olhar para a pilha de coisas espalhadas, vem o sentimento de não saber por onde começar. Mas deixe isso pra lá, apenas comece pelo primeiro item que olhar.

Dia de declutter e organização do armário | Camile Carvalho | #camilecarvalho

3) Durante a organização e triagem do que deve ser jogado fora, o que deve ser doado e o que deve ser mantido, bate o desespero de achar que não vai conseguir terminar a arrumação. Num dos primeiros declutters que fiz, juro que quase chorei, pois quanto mais eu organizava, mais tralha aparecia na minha frente.

4) A melhor fase é colocar de volta apenas o que vamos manter, de forma bem organizada. A sensação é de vitória devido a tanta coisa inútil e amontoada que estava guardada.

5) Contemplar o ambiente mais harmonioso e sem objetos entulhados é a melhor sensação. Dá uma paz, parece que fica mais claro as funções dos objetos que possuímos. Por causa isso sempre afirmo que ter apenas o suficiente, é essencial, pois assim conseguimos utilizar e valorizar o que temos.

Dia de declutter e organização do armário | Camile Carvalho | #camilecarvalho

Vamos escolher alguma parte da casa pra organizar hoje? Nem que seja uma pequena gaveta! Dê esse presente a você mesmo, esse sentimento de tranquilidade pós-organização. Qualquer dúvida ou sugestão, deixe aqui nos comentários. Não esqueça de curtir a minha página no facebook!

 Até a próxima!

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5 Dicas para conviver com não-minimalistas

17/08/2011
5 Dicas para conviver com não-minimalistas

Primeiramente quero me desculpar com vocês pela ausência aqui no blog. Como eu não tive férias, pois faço um curso à distância, aproveitei pra adiantar diversos trabalhos, além de estar procurando emprego, o que mudou completamente minha rotina.

Muitos leitores me perguntam como se deve agir quando se convive em uma família não-minimalista. Como esse também é o meu caso, acho que posso ajudar um pouco. Ao longo dos anos meus pais acumularam de tudo um pouco. Papéis, eletrônicos, fitas K7, CDs e mais um monte de coisas que se eu for listar, não acabarei hoje.

Quando comecei no meu processo de redução de tralhas, causei uma série de transtornos aqui em casa. Reclamações de que eu estava me desfazendo de coisas importantes, preocupações em relação ao que eu estava jogando fora entre outras, e foi por esse motivo que decidi ir com calma, para que não houvesse um impacto grande na família. Assim fui me desfazendo aos poucos do que não me servia mais, brinquedos da minha infância (sim, minha mãe guardava – e ainda guarda alguns até hoje), roupas que não me cabiam mais, joguei fora sacolas e mais sacolas de lixo, enfim, reduzí o que pude dos meus pertences, sem interferir em nada nos objetos da família. Como foi uma decisão minha, eu tive a consciência de que deveria apenas tomar essa decisão com o que era meu.

Para minha surpresa, meu pai um dia me chamou pra acompanhá-lo até a instituição que faço as doações, pois eles haviam separado algumas sacolas de doações e jogado muito lixo fora. Foi aí que percebi que não adianta impormos nosso pensamento aos outros, mas devemos inspirar através do exemplo. Acredito que a melhor forma de falar à família e amigos sobre o minimalismo é através das nossas ações, mostrando como nos tornamos uma pessoa melhor ao aderir a esse estilo de vida (não só o minimalismo, como qualquer outro estilo de vida). Atualmente, minha mãe está inspirada a “dar um jeito” na casa, se desfazendo do que não nos serve mais a fim de ajudar a quem precisa e de tornar o lar um ambiente mais agradável.

Vou deixar aqui 5 dicas de como conviver com pessoas não-minimalistas sem causar conflito:

1 – Livre-se apenas dos seus pertences. Se a decisão é sua, não interfira nas posses dos outros. Ninguém é obrigado a viver no seu estilo de vida, cada um tem seu tempo e devemos respeitar a opinião de todos.

2 – Não convença, demonstre. Quando nos tornamos pessoas melhores ao aderirmos a determinado estilo de vida, acabamos inspirando àqueles que estão ao nosso redor.

3 – Seja determinado. Se é isso o que você quer, não se deixe influenciar por possíveis conflitos. Cada um tem que respeitar o espaço do outro, e você tem que estar seguro do que quer.

4 – Seja flexível. Embora no item acima eu tenha falado pra ser determinado, isso não significa que não tenha que ser flexível. Determinação é uma coisa, teimosia é outra. Saiba ouvir opiniões alheias para não se tornar radical. Saiba dialogar e questionar. Saiba ouvir a opinião dos outros e, com sua determinação, demonstre seus motivos da escolha do novo estilo de vida.

5 – Não seja radical. Muito tenho visto nos blogs minimalistas sobre o radicalismo. Pessoas que possuem apenas determinada quantidade de itens, outras que vestem apenas uma roupa por ano, ou que prometem não comprar nada durante um ano, como a blogueira Marina. Admiro muito quem consegue tomar tais decisões, mas nem todos conseguem. Portanto, se você sabe que essa é uma realidade muito distante, comece devagar, no seu ritmo. Você não precisa doar um caminhão de roupas num final de semana, mas pode doar 5 peças. O importante é começar de alguma forma! 🙂

 

Não deixe de fazer por achar que é pouco, ou que nunca vai conseguir alcançar sua meta. Caminhe, mesmo que a passos curtos, pois ficando parado ninguém chegará a lugar algum.

Ficarei muito agradecida se você puder compartilhar essa postagem no twitter ou no facebook!

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