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Minimalismo

O minimalismo e os 100 objetos

19/07/2013

Minimalismo e 100 objetos | Camile Carvalho | camilecarvalho.com

Eu já li muitos blogs estrangeiros, que por sinal são ótimos e me motivaram muito a iniciar esse percurso no minimalismo. No entanto, há algo que eu questiono muito. Grande parte dele faz uma espécie de desafio minimalista de viver com 100 “coisas”. É o famoso 100 Things Challenge, criado por Dave Bruno. Mas será que isso é realmente bom?

Na minha humilde opinião, cada um tem uma forma de encarar o mundo e um modo de viver. Não somos seres padronizados (não deveríamos ser) e estipular uma quantidade de objetos a possuir é uma forma de padronização. Acredito que cada indivíduo possui suas próprias necessidades e se viver com 100 objetos pode ser maravilhoso pra uns, para outros pode não ser.

Quando penso em minimalismo sempre reflito sobre a utilidade das coisas, ou melhor, a qualidade. De nada adianta termos 10 calças que não nos vestem muito bem se podemos ter 2 ótimas que durarão por muito tempo. É aí que entra a Qualidade x Quantidade.

Da mesma forma, posso ter 10 calças que me vestem super bem e que as uso sempre. Devo reduzir pra duas e me desfazer das outras 8? Não sei. Talvez sim, talvez não. Isso depende da pessoa. Penso que devemos nos livrar daquilo que não nos tem serventia e que está apenas acumulando espaço. Talvez você queira doar ou vender as outras 8 calças ou talvez queira mantê-las, já que as aproveita bem no dia a dia. Minimalismo para mim, não é quantidade, é qualidade.

Outro fato que penso é que embora um desafio possa ajudar muito no início, talvez não seja tão fácil de se sustentar. Se temos 100 objetos que nos são muito úteis mas precisamos comprar uma nova peça, devemos nos desfazer de algo que nos é útil? Tudo bem, sempre tem algo que não nos serve tanto como pensamos, mas acho que um desafio de 100 itens pode nos limitar muito. E limitar, sinceramente, não é pra mim.

A maior lição que aprendi foi que o minimalismo não nos impede de comprar, mas sim, nos ensina como comprar. A consciência é o que vale, sem limitações. Pode ser que um dia eu acorde querendo ter 100 coisas apenas, mas acho que no momento estou feliz com o que tenho, conscientemente e sempre me desfazendo do que não me serve mais. No entanto, essa é a minha opinião sobre o assunto no momento. E vocês? O que acham dos desafios minimalistas de possuir apenas 100 itens pessoais?

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Minimalismo

Uma Vida Minimalista

16/07/2013

Give me a flower and I'll give my heart

Nada melhor que se organizar. E foi com a vontade de ajudar aos outros, mais especificamente as vítimas da enchente da região serrana aqui do Rio de Janeiro, que fui no meu painel de controles e cliquei em Criar Novo Blog. O nome, não sabia o que colocar, então inspirada pela minha condição de eterna estudante junto com as ideias de minimalismo que eu lia nos blogs estrangeiros, criei o Estudante Minimalista (hoje Vida Minimalista).

Fui fazer um super declutter no meu guarda-roupas (destralhamento). Senti no fundo que não precisava de quase nada daquilo que vinha acumulando durante anos e acabei separando pilhas e pilhas de roupas, sapatos, meias, tudo! Tudo o que eu via que não usava há um tempo. Eu estava em Itaipuaçu, região de praia e não conseguia lidar com a ideia de que ali havia roupas que eu não usava desde meus 14 anos. Se na casa de praia era assim, imagina no meu apartamento?

Uma boa ação sempre contagia quem está ao nosso redor e foi isso que aconteceu com meus pais. Observando minha arrumação – e olha que eles são bem apegados – começaram a separar também roupas, sapatos e objetos que não precisavam mais. Meu pai pegou todos os sapatos que não usava, os lavou e colocou na varanda pra secar. Acho que ele nunca havia percebido o quanto havia acumulado e que não precisava de tanta coisa. Só quando juntamos é que tomamos a consciência do volume de coisas que acumulamos sem precisar.

Minha mãe foi então pra cozinha, e abrindo o armário, pegou pilhas e mais pilhas de potes de sorvete que havia guardado para sei lá o que. A TV nos mostrava que as pessoas não tinham recipientes nem pratos para guardar e comer os alimentos, e com isso separamos sacolas enormes de recipientes de plásticos, pratos e talheres.

E assim começou a minha história. Ao chegar no Rio de Janeiro fiz o mesmo com meu guarda roupas. Depois com minha escrivaninha. Meus brinquedos de infância, itens de papelaria, sapatos, tudo! E pra minha sorte, temos aqui pertinho a Casa Ronald McDonald’s que trata de crianças com câncer. Lá eles possuem um bazar movido de doações e revertem o lucro para manter o instituto. Gosto muito de lá pois já conheci como funciona e a cada dia eles expandem mais e mais, para que um número maior de crianças possa receber o tratamento. Sem contar que a casa é linda!

Com essa vontade de reduzir, comecei a tomar consciência do meio ambiente e tudo o que causamos nele. Claro que sempre fui uma defensora da natureza, mas me parece que veio em maior força. Comecei a ler sobre o assunto, aprender cada vez mais e compartilhar no blog temas relacionados a isso. O consumo consciente era a chave da maioria dos meus textos e com isso também me tornei uma pessoa mais crítica no momento da compra. O blog foi crescendo e, com mais pessoas lendo, fui tentando melhorar a qualidade das informações. Sempre dá um frio na barriga quando temos que publicar algo que muitos leem e com o blog não foi diferente.

Estudante Minimalista é um nome que abrange pouco, como se falasse apenas sobre tema de estudos. Depois de pensar bastante e pesquisar, tomei uma iniciativa de mudar o nome do blog. Foi uma situação de risco, pois talvez perderia leitores, ninguém mais o achasse pelo Google, mas era o momento certo. Mudei para Vida Minimalista.

Cadastrei o blog em redes sociais e tudo foi ocorrendo naturalmente. Eu confesso que tenho medo de estar incomodando os outros, então não sou muito de ficar divulgando toda hora. Quando faço isso, parece que estou mendigando visitas e me sinto intrusa na vida dos outros. Neura minha.

Aprendi sobre Mapas Mentais, métodos de organização pessoal como o GTD, ZTD entre outros. Escrevi, escrevi, li muito e o Vida Minimalista tem de tudo um pouco. Desde dicas para encontrar a própria felicidade até como organizei os cabos do meu computador. É um espaço meu, mostrando como apliquei determinados conceitos em minha vida e não significa que todos tenham que seguir um manual. Acho bacana quando as pessoas leem e tentam aplicar, modificam, adaptam e dá certo no final. Não somos iguais, portanto o que é bom para um, pode não ser para o outro.

E foi assim que tudo começou e se desenvolveu. Fico muito feliz em hoje ter um público bacana que me acompanha lá. É como se eu conhecesse cada um deles e essa semana tudo melhorou quando criei o grupo do Vida Minimalista no Facebook. Ver a interação dos meus leitores é bom demais!

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Como planejar um armário minimalista

01/07/2013

Como planejar um armário minimalista | Camile Carvalho

Para planejar um armário minimalista, tanto feminino quanto masculino, é preciso muito mais do que simplesmente doar as roupas que já não nos servem mais. Nem sempre o que mantemos após uma organização combina entre si e sair pelo shopping comprando roupas bonitas também não é a solução para um armário funcional.

Temos a tendência de olhar uma peça em promoção na loja e querer comprar. Somos atraídos pelas cores, pelo baixo preço, pela necessidade de levar pra casa algo que pensamos que irá mudar nossas vidas, mas aquela roupa bonita e com um bom preço talvez não vá fazer diferença em nosso armário.

Um armário minimalista

Para planejar um armário mais simples temos que pensar na funcionalidade. Será mesmo que todas as roupas que temos combinam entre si? Será que todas as peças temos a coragem de usar? Aquela blusa estampada poderia ser usada com aquela calça que temos guardada ou ela fica esquecida no cabide porque nunca achamos que combina? Está na hora de fazer uma revisão do que deve permanecer e do que deve ser adquirido, pois um bom guarda-roupa deve se adaptar ao estilo da pessoa e seu modo de vida.

Determinando proporções

Seja sincero. Pegue papel e caneta e faça uma linha. Divida seu tempo durante o dia estabelecendo quantas horas você passa no trabalho, quantas passa em casa, na escola/faculdade e se divertindo. Você tem o costume de sair muito ou é mais caseira e prefere um bom filme sob as cobertas no fim de semana? Usa uniforme pra trabalhar ou seu trabalho exige roupas muito chiques?

É importante determinar qual a maior necessidade no dia-a-dia para analisar que estilo de roupa precisamos ter em maior quantidade.

Qual é a proporção do seu guarda-roupa?

Abra as portas do seu armário. Você consegue distinguir que tipo de roupa tem em maior proporção? Ele realmente corresponde ao seu cotidiano ou você tem mais roupas de sair e é uma pessoa caseira que trabalha com uniformes? Talvez ele não esteja sendo bem aproveitado, com muitas peças sem usar.

Identifique sua necessidade

Se você trabalha em um ambiente mais formal e a maioria das suas roupas são coloridas, estampadas, com decotes porque você gosta de sair pra passear assim nos finais de semana, talvez seja o momento de investir em roupas que correspondem ao seu ambiente de trabalho, onde você passa a maior parte do tempo durante a semana.

Cores neutras como o preto, cinza e branco são ótimas para ambientes mais formais, podendo ser complementadas com acessórios. Muitas vezes não nos preocupamos com o ambiente de trabalho, mas também precisamos cuidar da imagem nesse local sem precisar investir muito. Identifique sua necessidade.

Será que combina?

Todas as roupas que você tem possui um par correspondente que realmente combine? Separe aquelas camisas que você nunca usa porque não tem uma calça que forme um bom conjunto. Ou aquela calça florida que você comprou por causa da moda mas que não combina com suas camisas estampadas. Você tem duas soluções: ou compre uma peça neutra que vá combinar com tudo ou se desfaça da peça que está apenas ocupando espaço no armário.

Anote o que precisa

Durante a análise do guarda-roupa é importante anotarmos o que precisamos. Como você já identificou as peças que não combinam com nada e as separou, procure uma solução. Comprar uma calça preta resolveria o problema das 5 camisas que não combinam com nada? Talvez você precise dessa calça preta. Veja bem, lembre-se sempre de priorizar a compra de peças de cores neutras e cortes mais básicos. Não adianta pensar em comprar uma calça de bolinhas verdes pra combinar com uma blusa se você só formará um conjunto. Dê preferência à sobriedade, assim terá mais opções de combinações.

Para as mulheres, acessórios

Acessórios geralmente não custam caro e ocupam pouco espaço. Para quem tem um armário mais básico, o ideal é investir nos detalhes. Lenços, pulseiras, brincos e colares podem fazer toda a diferença num visual, assim como os calçados. Às vezes a simples troca de um sapato pode mudar completamente a roupa. Experimente vestir uma calça jeans com camisa branca e um tênis. Agora troque o tênis por um sapato de salto alto. Percebeu a diferença? Mas cuidado, não exagere com os sapatos, você não tem tantos pés para justificar a compra de 50 pares!

O importante na arrumação do guarda-roupa é identificar a necessidade diária e saber se a proporção das roupas que temos corresponde ao nosso dia-a-dia. Com isso podemos adquirir novas peças de acordo com o que precisamos de verdade e se desfazer daquelas que estão apenas ocupando espaço. Anote o que precisa e não corra para o primeiro shopping. Mantenha a lista com você e no próximo passeio, deixe a calça verde de bolinha roxa no cabide e opte por adquirir uma das peças que você listou como prioridade. Assim você consegue satisfazer sua necessidade de compra ao mesmo tempo que faz uma compra consciente de acordo com o que realmente precisa.

Lembre-se: é muito mais difícil manter organizado um ambiente com excessos, portanto, tente possuir apenas a quantidade necessária.

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