Artigos sobre » Livros
Livros

Fichamento: Os Caminhos de Mandela

07/04/2014

Fichamento de leitura do livro “Os Caminhos de Mandela: lições de vida, amor e coragem“, de Richard Stengel.

Hoje resolvi fazer um post diferente.Tenho o costume de ler livros com uma caneta na mão, sempre anotando as melhores passagens, ou marcando no iPad todos os trechos que me chamam a atenção. Quando faço uma resenha aqui, transcrevo um ou dois parágrafos, pra não encher muito o post de citações, mas depois de ler este livro tão inspirador, decidi fazer um teste tornando público o fichamento que fiz no meu Evernote. Assim, posso recorrer às anotações futuramente e compartilhar com meus leitores frases que me inspiraram. Espero que gostem!

obs.: Há frases de Nelson Mandela e de Richard Stengel intercaladas

STENGEL, Richard. Os caminhos de Mandela: lições de vida, amor e coragem. São Paulo: Globo, 2010.

“Alguém tinha de parecer corajoso. Às vezes, é apenas por meio da dissimulação da coragem que você descobre a verdadeira coragem. Às vezes, a dissimulação é a sua coragem” (p. 42).

“Durante a minha vida, dediquei-me a essa luta do povo africano. Lutei contra a dominação branca e lutei contra a dominação negra. Acalentei o ideal de uma sociedade livre e democrática na qual as pessoas vivam juntas em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal para o qual espero viver e realizar. Mas, se for necessário, é um ideal pelo qual estou preparado para morrer.” (p. 66).

“Às vezes, liderar na frente é admitir que se está errado – mesmo quando ninguém o está acusando de estar errado. Mandela compreendeu que fora lento para ver a luz e não podia se abster mais; precisava tentar corrigir a história.” (p. 79).

“O modelo africano de liderança é mais bem expresso como ubuntu, a ideia de que as pessoas recebem o poder de outras pessoas, que nós nos tornamos melhores por meio da interação altruísta com os outros.” (p. 87).

“Nunca escolhi entre estrelas ou times. É indelicado para um líder. Evito colocar qualquer estrela acima dos outros, porque você imediatamente perde o apoio dos demais. Na prisão, eu dizia que apoiava todos eles, que apoiava o melhor deles.” (p. 100).

“Ele sabia que expressar sua raiva diminuía seu poder, enquanto escondê-la, aumentava” (p. 104).

“Mandela considera quase todo mundo virtuoso, até prova em contrário. Ele começa com a suposição de que você está lidando com ele de boa-fé. Acredita nisso – assim como fingir que ser corajoso pode levar a atos de coragem real –, julgando que o que há de bom nas outras pessoas melhora as chances de que revelarão o melhor de si.” (p. 121).

“E quando você conquista seu inimigo, disse Mandela, nunca se vanglorie disso. O momento do seu maior triunfo é quando você deve ser o mais compassivo. Não os humilhe sob nenhuma circunstância. Deixe-os, na verdade, salvar as aparências. E então você terá transformado seu inimigo em seu amigo.” (p. 151)

“Nossa cultura recompensa a velocidade, vemos a impaciência como uma virtude. Confundimos gratificação instantânea com expressão própria. Tentamos agarrar a oportunidade no momento em que ela se apresenta, responder a todo tweet ou mensagem sem parar para pensar. Mas ele dizia que não devemos deixar a ilusão da urgência nos forçar a tomar decisões antes de estarmos prontos […] melhor ser lento e ponderado do que rápido apenas para parecer decisivo.” (p. 169).

“Gradações cinza não são fáceis de articular. Preto e branco é mais sedutor porque é simples e absoluto. Parece claro e decisivo. Por causa disso, muitas vezes gravitamos em volta de respostas “sim” ou “não”, quando “ambos” ou “talvez” está mais perto da verdade. Algumas pessoas escolhem um categórico “sim” ou “não” porque pensam que isso parece ser forte” (p. 210).

“Umuntu ngumuntu ngabantu, que com frequência é traduzido como ‘Uma pessoa é uma pessoa por meio das outras pessoas'” (p. 226).

Adicione o livro no Goodreads | Skoob

Compartilhe o artigo:Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on Tumblr
Livros

Livro: O Poder do Mito – Joseph Campbell

04/04/2014

Mitologia, mistérios, contos e lendas povoam meu imaginário desde sempre. Quem me conhece sabe que sou apaixonada pelo estudo de religiões, tanto sua parte mítica quanto política, o que acabou me levando a fazer uma pesquisa de iniciação científica em discurso religioso em mídias sociais. Minha admiração por este livro, portanto, teve bons motivos.

O Poder do Mito é a transcrição de uma entrevista – ou um bate-papo – entre dois intelectuais sobre o assunto: o jornalista Bill Moyers e o escritor Joseph Campbell, autor de diversas obras sobre o tema. Defensor da necessidade do amplo conhecimento e crítico da atual academia, que induz à especialização, Campbell é um grande conhecedor sobre mitos, além de ter feito diversos estudos de mitologia comparada, o que lhe dá grande segurança em debater, de forma profunda, sobre o tema.

O livro é em formato de entrevista, com perguntas e respostas, mas à medida em que a leitura avança, a impressão é de que estamos participando de um descontraído e bem-humorado bate-papo sobre grandes mistérios que povoam nossa sociedade. Entre eles, podemos citar os mitos presentes nas religiões e arquétipos do comportamento humano que se repetem tanto em grandes narrativas literárias quanto em crenças de tradições orais antigas. O mistério da criação, da queda do homem de seu lugar de origem (paraíso) à Terra e histórias sobre o nascimento de representantes de Deus parecem repetirem-se de tempos em tempos, mudando apenas as personagens.

Como fiz a leitura através de um eBook, não tenho como avaliar a estrutura física do livro, mas quanto à divisão interna, ele possui oito capítulos, sendo eles:

  1. O Mito e o Mundo Moderno
  2. A Jornada Interior
  3. Os Primeiros Contadores de Histórias
  4. Sacrifício e Bem-Aventurança
  5. A Saga do Herói
  6. A Dádiva da Deusa
  7. Histórias de Amor-matrimônio
  8. Máscaras da Eternidade

Segundo o autor, os mitos do passado são extremamente importantes para que possamos conhecer o nosso presente. Ainda afirma que “tendo sido suprimidas, toda uma tradição de informação mitológica do Ocidente se perdeu”, o que nos prejudicou demais a encontrar nosso ponto de equilíbrio, compreender nossos medos e anseios, já que toda uma referência foi perdida. Compreender os mitos, ler grandes obras e buscar o conhecimento mais amplo sobre diversos campos nos ajuda um pouco a permanecermos nos trilhos, sob o controle de nossas atitudes desde as mais carnais e instintivas até as mais sublimes.

Campbell também afirma que o grande problema atual da violência, drogas e a sensação de não-pertencimento a algo provém do afastamento da sociedade moderna dos grandes mitos, deixando um vazio, faltando em que se apoiar. Diz ainda que hoje, reverenciamos celebridades e não heróis e que a ciência atua abrindo caminhos em direção aos grandes mistérios, aproximando-se cada vez mais do limiar que separa o real do mito.

MOYERS: Em que um herói se distingue de um líder?
CAMPBELL: Esse é um problema tratado por Tolstoi, em Guerra e Paz. Aí você tem Napoleão devastando a Europa, depois prestes a invadir a Rússia, e Tolstoi levanta esta questão: É o líder realmente um líder ou simplesmente aquele que está à frente da onda?  Em termos psicológicos, o líder deve ser analisado como aquele que percebeu o que podia ser realizado e o fez.

Confesso que me sinto muito impotente perto do potencial deste livro, ficando difícil fazer uma resenha à altura. Vejo a necessidade de futuramente fazer uma releitura, pois Campbell demonstra tanto conhecimento e domínio sobre o assunto que tive vontade de destacar cada parágrafo. O Poder do Mito foi, para mim, o tipo de livro tão empolgante que eu não queria parar de ler, ao mesmo tempo em que eu sentia a necessidade de pesquisar sobre vários pontos apresentados em suas páginas. A sensação que tenho no momento é que não uma, mas várias sementes foram plantadas em minha mente. Sementes de curiosidade sobre tantos mistérios, tantos mitos e tantas obras literárias que eu gostaria de apreender. Com certeza deixou aquele gostinho de “quero mais”, que serão, certamente, supridos com outras leituras desde autor.

“Vou lhe dizer uma maneira, uma maneira muito boa. Sente se numa sala e leia – leia, leia, leia. E leia os livros certos escritos pelas pessoas certas. Sua mente será levada a esse nível, e você terá, o tempo todo, um enlevo agradável, suave, cálido.  Essa compreensão da vida pode ser uma compreensão constante em seu viver. Quando você encontrar um autor que o prenda de verdade, leia tudo o que ele escreveu. Não diga: “Ah, preciso conhecer o que fulano ou beltrano fizeram”, e nunca perca tempo com as listas de best sellers. Leia apenas o que esse determinado autor tem a lhe oferecer. Depois você poderá ler o que ele tenha lido. Então o mundo se abrirá, em coerência com um certo ponto de vista. Mas quando você salta de um autor para outro, isso o habilita a dizer em que data cada um deles escreveu este ou aquele poema – mas nenhum deles lhe terá dito nada”
– Joseph Campbell

Entrevista completa:

 

Campbell, Joseph. O poder do mito. São Paulo: Palas Athena, 1990. 242 p.

Compartilhe o artigo:Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on Tumblr
Livros

Livro: O Apanhador no Campo de Centeio

10/03/2014

Sabe aquele livro que você sabe que é um clássico, é louco pra ler, quando começa acha muito chato mas depois começa a amar? Pois foi esta a sensação que tive ao ler O Apanhador no Campo de Centeio (The Catcher in the Rye), de J. D. Salinger.

A principal curiosidade deste livro e sua importância para o meio literário, é que na época em que foi publicado (1945), não havia uma preocupação com os jovens e por consequência, hão havia uma literatura especializada para este público-alvo. No entanto, o narrador da obra é Holden Caulfield, um menino de 16 anos que após ser expulso da escola, faz o caminho de volta pra casa entre seus medos, angústias, confusões e reflexões sobre a vida numa visão adolescente. O livro ganhou notoriedade entre os jovens e se tornou um marco do início da literatura dedicada à esta faixa-etária, além de seu personagem se tornar um ícone da rebeldia adolescente.

No início achei a narrativa muito lenta, com uma quantidade exagerada de gírias da época e só continuei a leitura porque estou tentando me policiar a ler os livros que tenho pendentes até o final. Porém, o personagem foi me conquistando aos poucos, principalmente devido aos seus pensamentos durante o percurso de volta pra sua casa, com medo da reação de seus pais ao saberem que, mais uma vez, havia sido expulso da escola. Em um único final de semana o garoto viajou de trem, dormiu em hoteis, conheceu novas pessoas e passou por alguns momentos de apuros, mas foi quando se esclarece o porquê do título do livro, que eu me emocionei e percebi o quão generoso e puro pode ser o coração de um jovem considerado “perdido” na visão dos outros.

Como uma boa obra clássica, deixo minha recomendação. Apesar da linguagem totalmente informal durante todo o livro, valeu muito a pena tê-lo lido até o final.

imagem daqui

“O homem que cai não consegue nem mesmo ouvir ou sentir o baque do seu corpo no fundo. Apenas cai e cai. A coisa toda se aplica aos homens que, num momento ou outro de suas vidas, procuram alguma coisa que seu próprio meio não lhes podia proporcionar. Ou que pensavam que seu próprio meio não lhes poderia proporcionar. Por isso, abandonam a busca. Abandonam a busca antes mesmo de começá-la de verdade. Tá me entendendo?” – O Apanhador no Campo de Centeio

SALINGER, J. D. O apanhador no campo de centeio. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 2012. 208 p.

Compartilhe o artigo:Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on Tumblr