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Uma reflexão sobre tecnologia X espiritualidade

30/08/2016

Uma reflexão sobre tecnologia X espiritualidade | Leve por aí

Quando temos um blog pessoal, como o meu caso, queremos utilizar um espaço para simplesmente compartilhar pedaços do nosso dia-a-dia, nossas descobertas, reflexões e enfim, uma série de sentimentos e palavras que dizem muito sobre nós. Com isso, atraímos um público que gosta do que escrevemos, que se identificam conosco, o que é fantástico.

No entanto, às vezes nossos leitores compartilham um ou outro post em suas redes sociais e outras pessoas acabam chegando até o blog por causa de um assunto, mas que não necessariamente se interessam por todo conteúdo publicado aqui. Mas afinal, como agradar a todos? Simplesmente não há como agradar a todos. E isso não é algo negativo, muito pelo contrário.

Meu público – segundo a pesquisa que fiz – é um público que gosta de ler sobre minimalismo, dicas de yoga, vegetarianismo, e claro, acompanhar meu dia-a-dia e como eu vivencio e aplico as transformações na minha vida. É verdade que eu vejo por aí uma tendência a profissionalizar demais blogs, mostrando uma realidade meio plastificada, quase sem vida, e essa nunca foi – nem será – meu objetivo aqui neste espaço.

Um blog é um recorte das nossas vidas editado por nós mesmos, isso é verdade, mas é possível tentar levar o aconchego, o carinho e emoções através de palavras, imagens e vídeos. Claro que ainda assim é algo editado e com uma certa lacuna entre a vida real e as publicações, mas com cuidado dá pra estreitar esse abismo tentando se aproximar dos leitores e mostrando que: somos blogueiros? Sim! Mas somos seres humanos com os mesmos problemas, insatisfações, crises existenciais e apegos que todos os outros.

O que ocorre hoje é que cada vez mais vemos vidas editadas e perfeitas, extremamente egóicas, e isso é apenas a ponta de um iceberg de alguém. Ninguém é perfeito, muito menos eu. E quando escrevo isso, dou um longo suspiro tirando dos meus ombros o peso de uma responsabilidade de ser um exemplo a ser seguido.

Eu sou como cada um de vocês que lê meu texto. Uma pessoa que está aqui para aprender constantemente e ser apenas eu, em busca de autoconhecimento e transformações. A diferença talvez seja que eu me exponho mais, compartilho em um blog sobre minhas descobertas, meus tropeços e aprendizados. E sim, eu poderia escrever apenas em um diário guardado na minha gaveta, mas escolhi compartilhar, fazer essa troca, o que tem sido transformador.

Uma das coisas que aprendi muito, é que quando nos incomodamos com o outro, na verdade, o incômodo está em nós, e não no outro. E isso mostra que devemos apenas olhar para dentro e buscar a verdadeira causa dessa impaciência, o que está em nós que nos causa essa aflição. Porque quando criamos expectativas e esperamos algo de alguém – que sequer conhecemos – pode ter certeza, algo vai dar muito errado. A frustração já foi encomendada no momento em que criamos uma expectativa no outro. E acreditem, o outro nada tem a ver com isso.

Quando esperamos que o outro aja conforme o nosso senso de “correto”, pode anotar que virá uma decepção. E, vamos supor que o outro, sabendo dessa expectativa de alguém, passe a agir de forma a não promover frustrações. Será que é uma vida feliz? Certamente não.

Tenho refletido muito sobre o que vem acontecendo na internet – em vários âmbitos – e uma coisa é certa: não se pode esperar que o outro seja aquilo que você quer. Isso falo em relação a blogueiros, mas pode ser aplicado em diferentes casos. Cada produtor de conteúdo, cada blogueiro, cada personalidade tem seu público-alvo com o qual se identifica. Se você se incomoda com alguém, com a forma como escreve ou com o conteúdo publicado, isso apenas indica que você não é o público-alvo dessa pessoa, e não que ela tenha que se adaptar às suas expectativas.

Eu sou professora de yoga? Sim! Mas antes disso, eu sou comunicóloga, especialista em mídias digitais e pesquisadora sobre internet. Em uma das pesquisas realizada em 2014, estudei justamente a construção da identidade religiosa através das redes sociais. Eu sou apaixonada por tecnologia e internet e é incrível como ainda exista a percepção de que espiritualidade e iluminação não combina com tecnologia. Que para seguirmos um grande mestre, devemos renunciar ao twitter nosso de cada dia.

Ora, estamos em uma era em que o Budismo foi o pioneiro na difusão de sua filosofia através de mídias digitais e transmissões de cerimônias ao vivo por streaming. Em que se estuda Vedanta com bons mestres através de cursos online. Uma era em que eu, por exemplo, talvez não tivesse me tornado professora de yoga hoje se, em 2001, não tivesse feito uma pesquisa no site de busca Cadê pra saber quem era Shiva, tendo ali meu primeiro contato com o Hinduísmo.

Sou grata diariamente por termos a oportunidade de acesso a conhecimentos antigos preservados através de projetos online, documentários incríveis disponíveis pelo YouTube, de termos uma rede social como o Facebook para conversarmos com familiares distantes , alunos, professores e amigos de profissão, ainda que tenha seus problemas. Por termos tantas opções de tecnologia online com as quais podemos crescer, aprender, interagir e se transformar.

O que nos resta é sermos seletivos. Internet é apenas uma ferramenta na qual podemos escolher o que queremos receber, e na qual nada é permanente. Podemos seguir e “des-seguir” com a velocidade de um clique, e isso é maravilhoso! Sim, eu já tive uma época em que precisei me esvaziar, me desconstruir em relação a muitas coisas, e até torcia o nariz para as redes sociais, mas ainda bem que mudamos! Porque, como sendo uma ferramenta, podemos escolher de que lado podemos ficar. E eu escolho o lado que me faz bem.

Por um mundo com menos palavras rudes, com menos reclamações sobre conteúdos em meios digitais, e principalmente, com menos expectativas sobre o outro. E que possamos aproveitar as oportunidades que a vida nos dá, seja fazendo um retiro com detox digital, ou seja simplesmente twitando uma frase bonita que vai fazer alguém, antes triste, sorrir. O que vale, no fim de tudo, é o equilíbrio, é trilharmos sempre pelo caminho do meio.

Que possamos ser luz e difundir boas energias nessa imensidão da internet.

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Faxina Digital

11/07/2016

Slow Living #3 | Declutter Digital | Blog Camile Carvalho

De tempos em tempos eu gosto de analisar meu computador e ver o que andei acumulando ao longo dos meses e fazer um super declutter. Manter um computador minimalista com apenas os programas, arquivos e redes sociais que realmente preciso é essencial pra mantermos uma navegação rápida, limpa e saudável.

Vou compartilhar o passo a passo que fiz hoje no meu declutter digital depois de me inspirar com o tweet da Paolla Arnoni, que tinha feito uma limpeza em suas redes sociais. Sei que tem vários posts antigos da época do Vida Minimalista por aqui falando do mesmo assunto, mas sempre tem dicas novas. Vamos lá?

1 // Limpar pasta de transferência

Sabe aquela pasta onde todos os seus downloads vão direto pra lá? Sempre começo limpando a pasta de downloads/transferência. Se um arquivo é importante, deve ser imediatamente transferido pra pasta onde ele deve ficar (fotos, música, vídeos etc). Se não é importante e não precisa ser arquivado, então deve ser excluído.

2 // Músicas

Antigamente eu tinha um arquivo imenso de músicas no meu computador. Eram álbuns e discografias completas, mas como estou sempre trocando de computador/notebook/celular, não conseguia mantê-los sincronizados. Pra isso, eu precisava manter TODOS os arquivos em TODOS os dispositivos, o que dava um trabalhão, além de ocupar muito espaço desnecessário.

Atualmente mantenho apenas alguns arquivos em mp3 no meu computador, mas de músicas que não encontro facilmente e gravações da época em que eu cantava e tocava. Migrei todas as minhas músicas pro serviço de streaming Spotify, que pra mim está sendo o melhor até agora. Tenho diversas playlists por lá e uma delas vocês podem conferir aqui na barra lateral do blog (pra quem acessa pelo computador). Com o Spotify tenho todas as músicas sincronizadas em todos os dispositivos e algumas playlists ficam sincronizadas para funcionarem offline. É uma mão na roda!

Slow Living #3 | Declutter Digital | Blog Camile Carvalho

3 // Fotografia

Desde que comecei a organizar minhas fotos digitais, já saio deletando as que não ficaram boas assim que as descarrego no computador. Mudei bastante o esquema de organização de fotografias desde o último post mas mais pra frente vou escrever um dedicado apenas a isso. Por enquanto adianto que minhas fotos editadas e finalizadas ficam sincronizadas no meu Dropbox organizadas em pastas blog / lifestyle / yoga / viagens / espiritualidade etc.

4 // Programas instalados

Sempre que faço uma revisão, descubro alguns programas que instalei, usei algumas poucas vezes e depois nunca mais precisei deles. Esses são imediatamente desinstalados. Se algum dia pra frente precisar deles novamente, é só reinstalar. Melhor que manter por anos uma parte do meu HD ocupado com coisas que não estão em uso. Faça uma revisão no seu computador, tenho certeza que encontrará também softwares que estão empoeirados já.

5 // Redes Sociais

Aí chegou a melhor parte do meu declutter: redes sociais. Quantas contas por aí você tem cadastro? Desde que escrevi esse post aqui tenho certeza que já surgiram dezenas de novas redes sociais e que meu email já circula por muitos outros cantos da internet. Uma dica que dou é ter um email só pra cadastros de internet e redes sociais e manter um outro particular só para amigos/profissional.

Muitas vezes nos empolgamos com projetos novos e acabamos criando contas adicionais em redes sociais que já temos, como twitter, instagram e fanpages no facebook. Há também redes sociais novas que surgem com a promessa de que serão o novo Facebook e acabamos correndo pra fazer logo um cadastro, mas quando percebemos que elas nem eram aquilo que prometemos, acabamos abandonando.

Que tal fazer uma faxina nessas contas? Será que precisamos MESMO estarmos em todas essas redes sociais? Será que não é melhor usarmos apenas algumas e direcionarmos nosso tempo pra atualizarmos poucas, porém com mais cuidado e atenção?

Quando desentulhamos nossa vida digital também melhoramos nossa qualidade de vida, afinal, perder tempo com inutilidades e guardando o que não precisamos mais é prejudicial também no meio digital. Por uma vida mais leve e com menos acúmulos, sejam eles físicos ou “invisíveis”.

Agora eu quero saber de você, quando foi a última vez que fez uma limpa no computador e nas redes sociais?

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Internet

Fiquei offline – E foi libertador!

27/06/2016

Itaipuaçu - Rio de Janeiro | Fiquei Offline e foi libertador! | Camile Carvalho Blog

Eu poderia ter ficado pelo Rio de Janeiro no domingo, mas resolvi passar o dia em Itaipuaçu com meus pais. Pra quem não conhece, Itaipuaçu fica a 55km do Rio e dependendo da estrada, fazemos o percurso em uma hora. O dia estava lindo e assim que acordei, já arrumei a mochila pra pegar a estrada.

O que foi um azar, acabou sendo a minha sorte: semana passada o carregador do meu  notebook simplesmente parou de funcionar. Enquanto arrumava a mochila, resmunguei pelo fato de não poder levar meu notebook comigo, ou seja, ficaria sem acessar o blog, sem escrever e sem desperdiçar tempo navegando aleatoriamente por sites e redes sociais. Peguei então o iPad, alguns livros e fui pro meu paraíso pessoal.

O dia estava lindo, pássaros cantando e aquele sol fraco entrando pelo meu quarto me inspirou a desfrutar apenas do momento presente. Deixei o celular sobre a mesa da sala depois de checar rapidamente minhas redes sociais, sentindo um vazio imenso. Não tinha nada novo, então o guardei na mochila.

Passei uma tarde calma, serena e aconchegante com meus pais e o Freddy. Colocamos o papo em dia, e lá pro fim da tarde fiz algo inusitado: fui até a padaria do bairro sem celular. Pois é. E não, isso não era pra ser inusitado. Pelo menos pra mim.

Isso me tocou de uma forma muito profunda, o que é muito estranho. Desde quando sair sem o celular nas mãos é algo estranho, incomum e inusitado, quase como um ato revolucionário? A que ponto chegamos? Desde quando me tornei tão dependente de um smartphone? 

É verdade que a tecnologia avança para nos auxiliar, mas no momento em que nos tornamos dependentes psicologicamente de um aparelhinho, algo está muito errado. Aplicativos, jogos e redes sociais estão aqui para nos servir, e jamais o contrário. Porém, devo concordar que esse hábito de checar constantemente o feed de notícias, se chegou email e se alguém mandou alguma mensagem já se tornou um hábito para muitos de nós.

A conclusão é que nada de tão importante aconteceu. Sim, chegaram mensagens de amigas lindas, para as quais respondi hoje, pude ler o feed de notícias hoje pela manhã e o melhor: aproveitei um dia inteirinho com minha família, com uma vista linda e com pássaros cantando. Sem fones de ouvido e sem telas brilhantes na minha frente.

Foi bom? Foi demais! E certamente repetirei mais vezes. Só espero que essa desconexão de um dia ou pelo menos algumas horas se torne um hábito, substituindo outros hábitos automáticos que me fazem ficar tão grudada numa tela ao invés de prestar atenção ao meu redor.

E vocês, como lidam com a tecnologia? Estão sempre conectados ou conseguem ficar offline de vez em quando?

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