Yoga

O que aprendi praticando yoga na praia

28/09/2015

É muito fácil falar sobre tudo que queremos mudar em nós mesmos. Abandonar a autocrítica e não se importar com o que os outros vão pensar de nós? Fácil! Mas quando nos deparamos com uma situação na qual precisamos simplesmente desapegar da opinião dos outros é que percebemos o quanto o caminho ainda é longo.

No fim de semana decidi curtir a praia. Fui com minha família pra Itaipuaçu aproveitar uns dias de silêncio, mato, praia e canto dos pássaros, e não poderia ter sido melhor.

Sábado, já no final da tarde, decidi dar uma volta na praia, sozinha mesmo. Queria fazer uma caminhada e entrar em contato comigo mesma, com minhas vozes internas e escutar um pouco o barulho do mar enquanto esvaziava minha mente. Calcei meu tênis e saí apenas com minha canga e celular ouvindo uma playlist bem tranquila durante minha caminhada pela praia. Em um ponto estendi minha canga na areia e sentei-me em silêncio, contemplando o mar e aterrando meus pés na areia, sentindo a sensação da areia fria e úmida nos meus pés.

Algumas pessoas estavam ao meu redor. Um senhor pescador, uma família um pouco mais longe e carros passando pela orla, mas o silêncio era maior do que as vozes quase inaudíveis das pessoas que passavam caminhando por ali. A praia estava praticamente deserta e seria uma ótima oportunidade pra fazer uma prática de yoga sozinha, de frente para o mar, experiência que nunca havia tido até o momento. Um momento digno de fotos inspiradoras para o Instagram e Tumblr, não é mesmo? Quase um comercial de margarina…

Fechei os olhos e voltei minha atenção à respiração. Até aí tudo bem. Vozes eram trazidas pelo vento e comecei a prestar atenção aos sons que estavam ao meu redor. Inspirei profundamente e elevei meus braços pra cima, alongando minhas costas e braços, mas uma sensação estranha me fez abrir os olhos. Será que alguém estava olhando?

Tentei continuar fazendo as posturas, mas a ideia de que alguém estivesse me observando e talvez me julgando por estar fazendo yoga sozinha na praia, me deixava desconfortável.

E se… e se… e se…

Fiz um acordo comigo mesma de que iria apenas fazer algumas posturas sentada, para que não chamasse muita atenção. Volta e meia algum carro passava pela orla e eu me sentia envergonhada do que pensariam sobre mim. Definitivamente, aquilo não era como eu esperava e me incomodava bastante, e a possibilidade de levantar-me e fazer umas posturas de equilíbrio em pé foram riscadas do meu caderninho. Saudação ao sol? Com pessoas olhando? Jamais!

Se eu estivesse em grupo, ou até mesmo em dupla, seriadiferente. As pessoas que por ali passavam talvez ficassem curiosas e até gostariam de ver um grupo praticando yoga. Mas eu sozinha? Parecia loucura. Mas… por que loucura? Que diferença faz uma pessoa praticar yoga sozinha ou em grupo? O que pensariam de mim? Aliás.. o que eu estava fazendo de tão errado pra ter medo da opinião alheia?

Voltei à meditação e comecei a refletir sobre o que realmente me incomodava. Eu sempre fui uma pessoa que teve medo da opinião dos outros sobre mim. Na época da escola, por exemplo, não gostava de me expor. Ser chamada na frente de todos pra resolver um simples exercício de matemática me fazia suar frio. Medo de me expor ao ridículo, de rirem de mim. Mas isso tinha ficado no passado. Eu superei há muito tempo! Já dei aulas de português em escola, dou aulas na faculdade, sou instrutora de yoga… não tenho mais medo de me expor. Já havia uma pedra sobre isso, não? Ou não?

Percebi que eu estava, naquele momento, enfrentando um resquício de insegurança. E aquela situação de estar sentada, em meditação, sozinha em frente ao mar, havia me exposto a emoções que eu não sabia que ainda estavam ali, guardadas, num cantinho bem oculto e que se manifestaram. Olhei ao meu redor, respirei fundo e percebi quão pequeno era esta sensação. Não tinha fundamento, a não ser um resquício do passado, talvez, de temer o que pensariam de mim.

Sorri e levantei-me, contemplando o mar concentrada. Eu estava ali, fazendo o Tadasana, a postura da montanha. Senti meus pés firmes na areia. Meu corpo alinhado, meus olhos fixados no horizonte do mar, e tudo pareceu não ter mais importância. Nossas vidas são curtas demais pra nos preocuparmos com a opinião alheia. Isso nos limita tanto…

Inspirei e elevei meus braços. Senti o vento vindo do mar nas minhas mãos e desci o tronco, tocando os dedos na areia úmida. E fiz três saudações ao sol.

Se alguém olhou? Não sei. Se alguém pensou qualquer coisa sobre isso? Não me importei. Só sei que aprendi muito, e o que era pra ser um simples passeio pela praia, se converteu em um grande ensinamento e superação de uma barreira que eu não imaginava que ainda tinha. Foi difícil? Muito! Mas a vida é assim. Barreiras surgem para nos colocar frente a frente com nossas deficiências, fragilidades e defeitos. Eu poderia ter ido embora, mas resolvi enfrentar. Sempre temos uma escolha. E sempre há um caminho mais fácil: o de desistir.

Camile-praia-2

obs.: as fotos não foram feitas durante minha prática de yoga, mas depois. 🙂

E você? Tem muitos medos e inseguranças ocultos? Compartilhe conosco!

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18 comentários leave one →

  1. É aquela história do “arrisque-se que o não você já tem”, seja o não propriamente tido ou o não da consciência. Esses dias aprendi que ficar no “e se” não vale a pena, na verdade, é uma coisa que eu já sabia, mas só fui perceber que era verdade agora: é melhor se arrepender de ter feito do que nunca ter nem tentado ^^ Adoro como seus textos me fazem parar para pensar, nem que seja só um pouquinho, na vida.

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    • Ficar em cima do muro e com medo do que pode acontecer realmente não nos leva a lugar algum.
      Fico feliz que goste das reflexões que faço no meu texto. Obrigada! 😀

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  2. Giovana

    Engraçado que não faz muito tempo e passei por uma situação muito igual. Mas ao contrário de que não tive a coragem de ir em frente com meu yoga. Mas seu relato me encheu de coragem para a próxima vez 😉

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    • Sei bem como você se sentiu, Giovana, e eu quase desisti mesmo. Mas fui em frente e deu tudo certo no final. Às vezes somos expostos a emoções que ainda estão guardadas lá no fundo e que nem achamos que ainda existem. Na próxima vez tente. E se não der, tente mais uma vez. Espero que tenha coragem! <3

      Beijos e obrigada pela visita!

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  3. Que experiência legal, Camile. Eu já pratiquei na praia também. Confesso que foi meio esquisito logo de início, mas depois passou, e foi muito bom. O relaxamento com o som das ondas é se conectar com o mar. Não me lembro qual texto antigo de Yoga (Hatha Yoga Pradipika?) dizia que não é muito legal (obviamente não nessas palavras) praticar próximo dos elementos. É nessas horas que eu olho para o passado e digo “pera aí, é muito bom praticar próximo dos elementos” dá para vivificar a intensidade da água, das plantas, da areia e, claro, do nosso próprio ser. Outro lugar que gostei muito de praticar foi nas montanhas.

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    • É uma experiência muito legal mesmo, Patricia! E vou pesquisar esta escritura. Não me lembro de ter lido algo assim, vou pesquisar! E concordo, dá pra vivificar muito a energia dos elementos. Ainda não pratiquei nas montanhas, deve ser uma energia sensacional também! 😀

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  4. Lari

    Que post mais lindo, Camile. Me identifiquei muito, pois um dos meus maiores problemas é a aprovação alheia. Tive uma mesma experiência que você uma vez, só que foi no metrô. Fechei os olhos e comecei a meditar ali mesmo, e, às vezes, abria os olhos de vez em quando e pessoas me olhavam. Ou seja, nem relaxei por completo. Admiro que você tenha conseguido, ainda mais que Yoga tem algumas posturas a se fazer e que as pessoas, por curiosidade ou sei lá mais o que, querem observar.

    Lindo post. Me fez repensar algumas atitudes a fim de sair dessa caixa e olhar a situação como um todo. E não estamos fazendo mal algum, né? =)

    Beijos, Camis.

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    • Imagino que meditar no metrô seja ainda mais difícil que yoga na praia. Qualquer dia vou experimentar! É realmente importante sairmos um pouco da caixa e perceber que não há mal nenhum em sermos nós mesmos.

      Beijos e volte sempre!! 😀

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  5. Parabéns pela atitude Camile! Faça aquilo que você quiser, sem se importar com a opinião alheia. Fácil de falar, ainda mais de digitar aqui… mas por em prática, são outros quinhentos!

    Gostaria também de parabenizar pelo blog! Cada vez mais pessoal e exclusivamente seu, inédito, sem seguir o que outros já comentam em outros blogs.

    Ah também gosto de tentar adivinhar qual cor predominará o blog na minha próxima visita! Posso não comentar sempre, mas não perco um post sequer!

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    • Com certeza! Falar é muito fácil, mas nos esbarramos com as dificuldades quando vamos pôr em prática.

      Beijos!

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  6. Maria Schiller

    Admirável sua sinceridade e simplicidade em escrever! Adorei! Beijos

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  7. Yasmim

    Oi Camile,

    Encontrei seu blog sem querer no google e ando lendo o que você escreve aqui sem parar. Seu blog me tranquiliza.
    Sobre o post, admiro muito a tua atitude. Por um momento, achei que você realmente seria impedida pela vergonha. Ainda bem que estava errada. Uma das coisas que mais gosto é de admirar pessoas que estão sozinhas assim. Não para julgar (já faz algum tempo que me policio pra não fazer isso) e sim pra me inspirar a fazer o mesmo. Nada mais bonito do que uma pessoa que sabe se curtir e ser feliz, mesmo desacompanhada.
    Beijo!

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    • Oi Yasmim!

      Fico muito feliz com seu comentário! Que bom que acompanha e gosta do meu blog! Muito obrigada pelo carinho!

      Beijos

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  8. Adorei saber dessa sua experiência! A insegurança é um problema antigo para mim e ainda não consegui superar completamente. Tenho pensado muito nessa questão que você colocou sobre a opinião dos outros. Se não estou fazendo nada de errado, ela realmente não importa! Isso tem me ajudado a superar algumas bergonhas bestas 🙂
    Beijos!

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    • Oi, Elisa, tudo bem?

      Olha, eu sempre fui uma pessoa muito insegura, sempre me preocupei com o que os outros pensariam de mim, e quer saber? Agora estou vendo que perdi muito por pensar desta forma. Ninguém tem nada a ver com o que fazemos e gostamos. Aos pouquinhos vamos superando. 🙂

      Beijos!

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  9. Camile! Senti isso hoje! Fui fazer Yoga no gramado da faculdade, nao tinha ninguem la, mas fiquei noiada que alguem pudesse olhar e pensar algo como “ela esta fazendo Yoga aqui porque quer plateia” e aquilo nao fazia sentido nenhum, mas fiquei super incomodada, ignorando esse sentimento ate passar. Gostei muito da sua reflexao 🙂 Obrigada!

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    • Oi Michelle! Que bom te ver por aqui 🙂

      Eu imagino a sensação que você teve… é muito estranho, né? Parece que os outros estão te julgando, criticando… e isso tudo é fruto da nossa mente. Eu mesma quando vejo alguém praticando yoga sozinho em algum lugar aberto penso “que legal!”, mas quando sou eu fazendo, penso logo no negativo. Mas aos poucos vamos dominando esses pensamentos e transformando em segurança. Estamos apenas saindo da nossa zona de conforto. 🙂

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