Vida Simples

Afinal, o que é ter uma vida minimalista?

06/12/2013

Vejo algumas discussões sobre o assunto e ultimamente tenho refletido bastante – apesar de estar com o tempo muito curto – sobre o que é, afinal, viver uma vida minimalista.

Desde que iniciei minha busca por uma vida mais completa, mais realizada e com menos distrações, fui conhecendo aos poucos alguns blogs e livros sobre o minimalismo. A ideia de desapegar daquilo que não faz mais sentido em nossas vidas combinou tanto com o momento em que eu estava vivendo, que iniciei este processo de doações, de reduzir compromissos, de repensar meu consumo e me dedicar mais ao que gosto.

No entanto, muitos ainda se questionam sobre a quantidade ideal de roupas, de sapatos, como viver neste estilo de vida, qual a fórmula mágica e o que fazer com o vazio quando nos encaixamos, finalmente, no esquema. Me preocupa muito quando alguém chega a se sentir mal por querer tanto aquele sapato novo, mas não poder comprar, pois “assinou um contrato” com o estilo de vida minimalista e não pode ser um perdedor. Me preocupa também quando pessoas se sentem vazias, sem perspectiva, tristes, depois que reduziu o máximo que pôde suas roupas, seus compromissos, sua vida.

Ter uma vida minimalista não é ter menos do que precisa. É ter o suficiente. É não se deixar levar pela correnteza. É comprar sem culpa, mas com consciência, sabendo que aquilo que está adquirindo é realmente útil e necessário. É saber que tudo o que temos em casa, há uma finalidade. É não deixar objetos e roupas estagnadas num canto, acumulando poeira, enquanto há tantos que precisam. É viver com menos preocupações. Uma vida minimalista te dá as rédeas de sua própria vida, sabendo, no entanto, que nada é permanente. É estar satisfeito com o presente, mas preparado para mudanças futuras. Uma vida minimalista jamais deve nos causar dor, mas sim, felicidade. É viver de uma forma mais simples independente de quantos objetos temos. Não é uma autopunição, não é castigo. É valorizar os pequenos momentos, valorizar o que conquistamos, seja material ou não. É saber que não importa o que fala a publicidade, pois meu celular do modelo passado atende às minhas necessidades. Uma vida minimalista nos faz abrir os olhos e estar conscientes de que, se vamos entrar no jogo dos outros, do consumo, das compras, é porque escolhemos, naquele momento, entrar. Ter uma vida minimalista não é, jamais, estar preso a regras e normas ditatoriais. Muito pelo contrário, é você criar suas próprias regras, as que melhor se enquadram em você.

Não se deixem levar por regras. Sejam livres! Quanto mais obtemos conhecimento, mais nos libertamos. Portanto, se alguém acha que ter uma vida mais simples, minimalista, é viver sob regras, normas e sentimentos de culpa por ter comprado – escondido – aquele sapato lindo, está enganado. Somente nós somos capazes de saber o que é o melhor para nossas vidas. Portanto, conversem, debatam, discutam, leiam muito, cada vez mais, mas jamais deixem que normas de conduta controlem seu estilo de vida. Minimalismo é liberdade. Minimalismo é viver uma vida ampla, com menos preocupações e repleta de realizações.

Há tantas definições que eu poderia citar, mas como eu sempre falo, o que serve para mim, pode não servir para você. E o que se encaixa hoje, amanhã pode não mais funcionar. Seja livre para criar suas próprias regras e inspire-se com exemplos de vida, teste, experimente. Se não gostar, abandone, mude, adapte. Pois a nossa beleza está justamente na individualidade.

E você, como enxerga o minimalismo?

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20 comentários leave one →

  1. Carol Alves

    Lindo post! E muito verdadeiro. As pessoas querem o tempo todo colocar uma “tag” nos outros e em si mesmos. Eu sou minimalista? Eu sou frugal? Eu sou eu, e pronto. Nào é preciso rotular, né… obrigada pela reflexão!!

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    • Camile Carvalho

      Rotular e ser rotulado é ruim demais!

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  2. Adorei seu texto, Camile. Acho que o minimalismo é focar no essencial, e consequentemente, deixar o supérfluo de lado. Sem regras, sem essa de ter 10 peças de roupa. Da pra viver com 10 peças? Dá, mas isso me convém? Me faz feliz? Enfim, é algo MUITO pessoal mesmo, como você disse.

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    • Camile Carvalho

      A felicidade é muito individual, não existem regras, mas sugestões. Se não der certo por um caminho, o bom é procurar o que mais se enquadra, sempre consciente de nossos atos e consequências. 🙂

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  3. Juliana

    Oi Camile, para mim o minimalismo é reduzir as preocupações para assim sobrar mais tempo para as coisas realmente importantes. Eu comecei reduzindo tudo que tinha sem utilidade. Fiz por etapas. Primeiro as make-ups, depois sapatos, roupas, papelaria, livros, utensílios de cozinha. Assim, fiquei com menos “coisas”entulhada em casa pra ter que limpar e organizar. E não pense que por isso economizei dinheiro. Pois foi preciso um investimento para me adequar a esse estilo de vida. Por exemplo, muitas das roupas que tinha, percebi que não eram meu estilo, acredito ter comprado essas peças num momento de impulso. Então, doei todas as roupas que não usava, por diversas razoes, e tive que comprar algumas peças, porem, agora com consciência de aquela aquisição seria util no meu dia-a-dia e que teria mais a minha cara. Agora penso muito antes de comprar algo, principalmente roupas e sapatos. Já nos ultimos meses, entrei em várias lojas e depois de pensar muito sobre a compra, saí de mãos vazias.

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    • Camile Carvalho

      Obrigada por compartilhar sua visão de minimalismo, adorei! 🙂

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  4. Linda reflexão, Camile! Concordo contigo, minimalismo tem a ver com ser feliz tendo o suficiente, com equilíbrio. No post do meu blog sobre o tema eu coloquei o seguinte como minha definição para minimalismo:
    “Desapegar, consumir menos, ter menos objetos e posses, ser sustentável são coisas que não se aprende da noite para o dia. Por isso, minimalismo, vida simples, simplicidade voluntária são estilos de vida, modos de ser que você incorpora e acredita. É muito mais do que os hábitos de doar, de pensar antes de comprar ou de reduzir, reciclar e reutilizar. É ver a vida e o mundo com outros olhos. É viver de dentro pra fora, buscando ser melhor a cada dia, ajudar os outros, pensar nos outros, preservar o planeta, descobrir o que te faz bem e feliz, focar no ser e não no ter, dar mais valor às pessoas e menos aos objetos, se libertar dos excessos que nos prendem a uma vida de máscaras, aparências, status, pesos que não precisamos carregar. Com menos coisas, objetos, estresse, preocupações, sobra mais espaço para ser feliz e aproveitar um presente que a vida nos dá todo dia: oportunidades. De amar, desenvolver-se, aprender, conhecer, compartilhar, buscar aquilo que vai te ensinar o sentido da palavra plenitude.”
    Beijos.

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    • Camile Carvalho

      Letícia, adorei o que você escreveu em seu blog. Concordo bastante. Obrigada por compartilhar!

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  5. Que bonito, Camile.
    Vejo que muitas pessoas apenas trocam as regras que seguem. Deixam de seguir padrões consumistas e ficam atrás de novos padrões para se dizerem minimalistas. Mal sabem elas que o barato é deixar de lado a necessidade de se justificar.
    Abração.

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    • Camile Carvalho

      Concordo, Camilo! Será que é bom quando precisamos justificar nosso estilo de vida? O que menos quero é ficar presa em um sistema cheio de normas e etiquetas e o minimalismo pra mim está mais relacionado à liberdade do que algemas.

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      • Ana

        Camile,

        Que post maravilhoso! O que vejo aí é a patrulha do minimalismo substituindo o esquadrão do consumismo. Geez! Uma coisa que é para te libertar o povo pega e cria regras em cima que te engessam ainda mais. Os deuses control freaks do minimalismo chegam a querer te ensinar o que fazer com as horas do teu dia, quantos segundos usar numa tarefa, quantos segundos fazer um break….será que ninguém se deu conta de que todo Goodness! É DEMAIS PARA MIM! QUE BOM QUE VC ESCREVEU ESSE POST!!!! muito muito muito OBRIGADA!

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        • Ana

          Camile,
          Me entusiasmei e faltou um pedaço…”será que ninguém se deu conta de que todo …….*extremo” é sufocante?*

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  6. Marina

    Camila, eu acho que algumas pessoas precisam de regras e talvez sejam as pessoas que têm mais dificuldade para se controlarem, sabe? Oras, acho super plausível que uma pessoa se “proíba” de fazer algo que faz mal a ela. Porque eu, você, várias pessoas têm isso mais bem resolvido e conseguem agir de forma razoável meio no automático, mas tem gente que não, tem gente que tem vício em comprar e que precisa ter uma regra clara. Não é a primeira vez que vc escreve sobre esse tema aqui e acho seu ponto de vista interessante, mas e aquela pessoa que tem já todos os sapatosde que precisa e continua qurenedo mais e mais? Super válido ter uma regra se sozinhaela não dá conta de se controlar. Bjo!

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    • Camile Carvalho

      Concordo com seu ponto de vista, Marina. O que costumo dizer aqui é que o que serve para mim pode não servir para os outros. Já vi algumas pessoas se queixarem de estarem sofrendo com tantas restrições a fim de manter um estilo de vida minimalista. Acho que quando chega a este ponto, não está mais fazendo bem. Cada um deve procurar o que é melhor pra si, e uma pessoa compulsiva por compras e que já tem muito e não consegue parar de comprar, já é outro caso. Na minha opinião, quando tomamos a consciência de que comprar demais está sendo prejudicial, é válido criarmos nossas próprias regras, diferente do que vejo como uma “competição” por quem tem menos objetos, causando sofrimento e desconforto àqueles que não conseguem se enquadrar em um número muito reduzido só para manter um rótulo de “sou minimalista”, entende?. Cada um tem suas necessidades e uma regra não serve para todos, é neste sentido que falo. 🙂

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  7. Rossana

    Camile, seu post é excepcional.

    Entendo que o minimalismo vem da arte humana de fazer escolhas. Escolher entre aquele sapato ou mais espaço no closet. E essas são questões muito íntimas e que não podem ser questionadas por terceiros, pois cada um sabe o que leva consigo.
    A vida minimalista é uma escolha que acredito decorrer da maturidade, com o verdadeiro entendimento do que é necessário e do que é superficial.
    Vejo alguns blogs em que há o sofrimento por não comprar, mas ao mesmo tempo vejo a pessoa crescendo tanto e se descobrindo que chego a achar isso bonito. No final tudo vai dar certo, porque a blogueira mostrou que tem força e na verdade é isso que traz a felicidade: o conhecimento da própria força.

    Um beijo e fique com Deus!

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  8. Gostei do post! Uma das coisas que acho divertida no minimalismo é Justamente descobrir os meus limites e necessidades.

    Mas sabe que acho o vazio faz parte do processo? Ficar meio perdido procurando cartilhas também. Pq é uma escolha incomum que temos de construir no dia a dia. Não estamos acostumados com isso, aprendemos diferente, a midia mostra diferente. Nunca ninguém disse pra olharmos pra dentro, desde a pré escola somos ensinados a olhar pra fora e ignorar nossas vontades. Olhar pra dentro sem interferências pode ser assustador!

    Lindo, transformador e assustador rsrs..

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  9. Estou adorando seu blog 🙂 Conheci hj e já li uns 6 textos!

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  10. Manuella Firminy

    Estou entrando numa nova fase da minha vida, onde quero ser mais organizada e minimalista. Já desapeguei de muitas coisas, mas ainda preciso me desapegar de muito mais.
    Enfim, amei o seu texto, é realmente muito profundo e eu vejo o minimalismo da mesma forma que você vê.

    Queria te dizer uma coisas sobre o novo design do blog: está perfeito! Antes eu não conseguia ler o seu blog, justamente por causa do design, pode parecer besteira, mas eu funciono assim. E agora eu me sinto muito melhor quando entro no seu blog e consigo ler seus posts maravilhosos.

    Feliz natal e ano novo!

    Beijos.
    Se puder, visite o meu blog que também fala sobre minimalismo, organização e muito mais. O blog é o: Projeto At Home

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  11. Para mim, minimalismo é viver o melhor possível com os recursos que Deus me oferece todos os dias. Não há segredos. Ser mais sem precisar ter mais.

    Bjos!

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  12. Miriam

    Ainda não tinha lido um texto tão simples e completo como o seu Camile, apesar de me sentir atraída por este estilo de vida tinha a impressão que seria também um grande sofrimento adota-lo. No fim das contas o importante é termos em mente que levar uma vida minimalista é nos desprendermos do que nos torna pesados e infelizes.

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